quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Recordando 2008 (2º semestre)

Julho – Férias. Da faculdade, apenas. Sai tanto, aff... Dancei tanto. Bebi tanto. Produzi quase nada, foi crítico. Pensei que ia ser demitida. Se eu fosse eu ia até rir sabe. Num momento de sucessões de quedas, só faltava eu mesmo cai de cara no chão por ser irresponsável e ir trabalhar de ressaca. Enfim. Se a vida fosse fácil era bom, mas como não é.
Férias estranhas. Não ir pra aula, mas precisar acordar cedo e ir trabalhar. Ainda assim deu pra aproveitar, mas eu estava doida que voltassem as aulas. A saudade bateu mesmo, forte.

Agosto – Foi tão feliz o retorno, todas as carinhas. Eu já os amava, e uns ainda estavam se adaptando. A gente iria se unir bem mais. Era só o começo. Não posso negar, me senti bem melhor de volta.

Setembro – Eu percebi que nem mencionei minha casa nessa retrospectiva. Sabe o que é? Nada muda por lá. Adaptação à rotina, mesmo quando ela é absurda. Eu digo sempre uma coisa, que algum dia eu ouvi e concordei prontamente, “As pessoas também se acostumam com o que é ruim”. Enfim. Muito complexo essa questão familiar. Prefiro falar de quando achei uma nova família “A Grande Família” que de tão grande não consegue passar despercebida, ou é muito barulho, ou é pouco, mas nunca o silêncio total. Impossível. Só sei que o ponto alto do mês foi à amizade. Linda e verdadeira. Ao menos para mim.

Outubro – Meu cansaço do trabalho, a falta de dinheiro, os conflitos domésticos, a falta de novidade, meu descaso com a faculdade, o abandono dos trabalhos... A perpetuação do amor entre irmãos, a saudade dos antigos amigos, reflexões dos planos interrompidos e não realizados.

Novembro – Minha terceira paixão. Nunca fui tão volúvel assim, na verdade eu era bem diferente. As paixões demoravam muito a passar, a maioria platônica, e eu não faço idéia por que. Sinceramente, ta melhor assim sabe? Prefiro. Dói menos que ficar alimentando uma mesma ilusão, e mais fácil de interromper. Enfim.
O ruim dessa última é porque não tem muito fundamento, enquanto o primeiro era uma releitura, e a segunda um encantamento por qualidades mal exploradas, esse foi um surto. Não combina comigo, não tem nada a ver. E quando eu me pergunto o porquê, nenhuma resposta surge, nem a mais vaga e estúpida, nem a mais convencional e clichê. Nada. Enfim... Novembro foi um mês agitado. Tentei até dar uma de cúpido num golpe de vista, quase deu certo. Quase. Mas não deu. E eu achei uma pena. Todavia ganhei um presente, um amigo especial. Ele voltou de um passado não tão distante e todo dia é dia pra gente trabalhar nossa amizade, exercício diário, ele fica ao meu lado mesmo quando não está. Sempre por perto, uma alegria. Coisa que a gente sente que é pra sempre.

Dezembro – Nosso churrasco saiu. Foi muito bom. Foi todo mundo esperado, até quem ninguém imaginava.
Foi, da melhor maneira, inesquecível, por ter dado tudo certo e também por ser o primeiro. E o primeiro né... Quem esquece? Ainda não terminou o ano e eu nunca quis tanto que terminasse. Contando cada dia que passa. Eu gosto da sensação de passagem, parece que é um novo estágio, um novo portal que se abre, sei lá? Aparecem novas motivações e planos. É interessante.
Eu acho que já da pra fazer a contabilidade do ano. Um ano turbulento, com variações de tempo, mas no final o saldo é positivo. Um trabalho ate razoável, um curso 50% terminado, uma nova família, um amigo que já é irmão, laços mais fortes e eu transformando os erros em aceitação e aprendizado. Sete quilos mais gorda, e duzentos e setenta e seis mais amadurecida.



Até 2009....

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Recordando 2008 (1º semestre)

Janeiro - Eu ainda nem sabia se voltaria ou não pra faculdade. Essa era a principal dúvida. As aulas iriam começar dia 14 de fevereiro, mas eu tinha que me matricular ainda. Nunca fui tanto a um setor financeiro, queria negociar uma dívida com a faculdade, também nunca briguei, gritei e fiz tanta baixaria... As coisas só começam a funcionar depois que você enlouquece e começa a quebrar tudo. Não sei por que as pessoas são assim. No fim, foi como eu queria (como eu podia). Mas antes foi tanto desgaste, tanto estresse. Só faziam 5 meses que eu estava trabalhando, muito arriscado pra assumir uma dívida, ainda mais uma tão grande.

Fevereiro - O carnaval começou cedo, e de volta a sala da justiça. Há três anos que eu não ia. Muito bom. Em Olinda não foi como anos anteriores, achei que ia morrer quando fiquei presa no meio de uma multidão enfurecida que não conseguia dar dois passos à frente. Ficamos rodando em volta de nós mesmos, que nem a terra num movimento de rotação angustiante. Por hoje é só, não vou mais pra Olinda no carnaval, mesmo em dia de Galo da Madrugada. Trauma é uma coisa triste. Voltei pra faculdade. Não conhecia ninguém. É um problema entrar num período avançado quando todo mundo já se conhece e você ainda precisa cavar o seu espaço. Mas eu tive sorte, duas semanas já foi o suficiente.

Março - O trabalho e a faculdade, minha vida se resumiu. Maratona diária, 8 horas no trabalho e direto pra faculdade. Cansa viu?! Mas eu tinha uma motivação à primeira paixão do ano, ao todo foram três (até este momento). Esse eu já havia me apaixonado uma vez, mas a gente se afastou e o sentimento também. Com o retorno a faculdade, tudo voltou ao seu devido lugar. Durou muito até, e não acabaria se não fosse por uma barreira quase que intransponível, crítico, ele descobriu que curtia homem também. É. Trauma é uma coisa triste, e eu sou muito exclusivista. Se eu já não gosto da concorrência feminina imagina concorrer com homem também, desleal. Realmente, não dava.

Abril – Meu aniversário... Eu queria fazer uma festa, chamei muita gente, uma casa na rua da moeda, Recife Antigo e pronto, ia ser massa. Um amigo que organizou... Não aconteceu. A três dias da festa o teto da casa caiu. Triste não? A pessoa tenta melhorar uma data tão chata e o teto cai três dias antes. Não gosto de aniversário. Não acho bom ficar mais velha, carregar o peso das responsabilidades, da sua vida, não é tarefa das mais fáceis. A faculdade tava bem e havia um pequeno grupo se adaptando e crescendo cada vez mais. E ah... Eu realmente precisava de mais sorte.

Maio - O ponto alto do mês de maio: me apaixonei pela segunda vez. Por nada, simplesmente um dia eu olhei e vi diferente. E tão diferente que eu nem conseguia disfarçar. Não. Errei o alvo novamente. Mas esse passou rápido, graças. Se apaixonar é uma coisa que exige muito da pessoa. Cansa. E quando é platônica, como as minhas, estressam também.

Junho – Quase de férias da faculdade. Final em duas, e muito medo de reprovar. Meu Deus. Não é possível. Fui lá e fiz a prova. Deus uma hora olha por nós. Eu precisa de 7 nas duas finais, e passei. É, eu até chego a pensar em milagres.
Organizei um churrasco, que não teve porque o portão da casa da anfitriã caiu. É... Muitas coisas andam caindo na minha vida, mas entre tetos e portões, eu vou levando.


continua...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A espera.


Sara não sabe gostar.
Pensa que sabe, mas não sabe não. Ela só quer o que não é pra ser, só sonha com o que não vai ter. Seus desejos são fortes, mas Sara é fraca demais. Ela vive dos sonhos e vontades que vem se acumulando ao decorrer da sua vida. Um ciclo incessante. Vão se apagando assim que novos aparecem. Porém Sara nunca se movimenta pra que se realizem. Um enorme buraco se formou no lugar dos projetos. Um buraco que aumentou, aumentou, aumentou e ta quase engolindo ela. Sara espera muito. Ela espera tudo que se possa imaginar. Sara quer um milagre. Mas eu já disse a ela que milagres não existem.

ps. Depois de algum tempo sem aparecer. Saudade daqui.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Conclusões.

Não existe uma idade para as dúvidas, elas sobrevivem da nossa constante procura de um lugar ao sol. Sempre assolam as mentes de quem espera mais do que trivialidades condicionais. Mais do que só ter um diploma. Mais do que só ter um trabalho pra pagar as contas. Mais do que ter uma família com marido, filho e uma casa (apesar de ser bom). Quem quer mais que isso, ou quer algo totalmente diferente sofre com as interrogações que sobrevoam os pensamentos, sem saber se o caminho que se escolheu para trilhar é o certo, o que vai fazer da gente feliz e realizado. Afinal, essa é a principal busca incessante do ser... Apesar de não ser a mais importante. Ninguém busca, por exemplo, o auto-conhecimento, não do conhecimento de si apenas, mais o auto conhecimento de SER humano, existir. Da utilidade, do que se pode fazer pelo próximo, semelhante. O que vejo é hipocrisia e reclamações, sem atitudes, sem movimento. Reclamações que não passam de palavras soltas sem rumo. Não há mais busca porque tudo nos é dado, acabou a filosofia real, aquela das indagações, dos porquês. Conformistas, ignorantes, isso que somos um conjunto de pessoas pensando os mesmos pensamentos, numa coletividade fútil e egoísta. É simples assim. Cobram-se condutas e comportamentos, cobram-se presença, amizade, respeito, fidelidade. Cobram-se o que não tem valor estimado, o que é tão grande e tão fugas. O que lida diretamente com os sentimentos, estes que são simplesmente incontroláveis e por serem assim, escapam do nosso poder. Eis um fato: Não podemos tudo... Nem sobre nós mesmos.
Estou passando por um momento ambíguo. Enxergando as dimensões do tempo, de quando ele está pra vir e de quando ele já passou, e como são equivocadas as percepções. Do lado de vir é angustiante só imaginar esperar. Quando passa é tão efêmero que a gente se sente um idiota, e é ai que vemos que nada mudou simplesmente porque permanecemos parados por todo o percurso não percorrido, assistindo o espetáculo das nossas perdas como expectadores de sessão da tarde. Estou tentando lidar com valores e medidas pra ver se as coisas passam a fazer mais sentido pra mim, como a rotina cansativa e a falta de novidades, por exemplo, e do quanto eu preciso de mim mesma para ser alguém melhor.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O que é bonito?


O que é bonito?

É o que persegue o infinito.

Mas eu não sou,

Eu não sou, não... Eu gosto é do inacabado.

O imperfeito, o estragado que dançou... O que dançou.
Eu quero mais erosão. Menos granito.

Namorar o zero e o não.

Escrever tudo o que desprezo... E desprezar tudo o que acredito.

Eu não quero a gravação, não.

Eu quero o grito.

Que a gente vai, a gente vai... E fica a obra.

Mas eu persigo o que falta, não o que sobra.

Eu quero tudo que dá e passa.

Quero tudo que se despe, se despede e despedaça.
ps. na minha falta de inspiração, Lenine. Ele sempre tem algo a dizer.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Porque meu bem, ninguém é perfeito e a vida é assim...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Pra mim... Só isso!

Queria um abraço longo e apertado, com cheiro de afeto.
Queria um beijo de amor, ainda que não fosse na boca. Um beijo na testa ou no canto do nariz. Mas de amor.
Queria uma saudade menos doida, menos abstrata. De algo mais real que sonhos vencidos.
Queria uma mão pra não soltar da minha até criar grude de suor.
Queria um amigo que depois da minha pior falha, dissesse:“ta tudo bem”.
Queria uma tarde cinza, mas cheia de sorrisos sinceros ao meu redor.
Queria ser menos cruel comigo.
Queria poder dizer a alguém os meus medos e as minhas derrotas... E tudo mais.
Queria que esse alguém me amasse mesmo depois de ouvir o meu pior.
Queria uma ligação todo dia. Da mesma pessoa.
Queria não me sentir só.
Queria poder falar coisas sem pensar.
Queria poder confiar, sem pensar.
Queria um simples dia perfeito.
Queria o bom de estar junto.
Queria não me sentir intrusa, quando eu acho que estou com amigos.
Queria um sofá de veludo. Azul. E uma taça com morangos, creme de leite e açúcar.
Queria assistir o por do sol do alto do cruzeiro.
Queria sentir os olhos pesados depois de um beijo apaixonado. Sem vontade de parar.
Queria fotos de momentos inesquecíveis.
Queria acordar tarde numa segunda.
Queria não sentir tanta vontade de chorar.
Queria um milagre.
E borracha pra apagar dores sem nome.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Enredo do meu Samba...


Não entendi o enredo desse samba, amor.

Já desfilei na passarela do teu coração.

Gastei a subvenção, do amor que você me entregou.

Passei pro segundo grupo, e com razão.

Passei pro segundo grupo, e com razão.

Meu coração carnavalesco não foi mais,

E o adereço teve um dez na fantasia, mas perdeu em harmonia.

Sei que atravessei um mar de alegorias,
Desclassifiquei o amor de tantas alegrias.

Agora eu sei, desfilei sob aplausos da ilusão.

E hoje tenho esse samba de amor por comissão.

Findo o carnaval, das cinzas pude perceber.

Na apuração perdi você... Na apuração perdi você.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Perdida.


Uma vez eu cantei flores.
Cantei versos em poesia, falei do azul do mundo, contei histórias de alquimia.
Eu quis que fosse eterno, quis ver a eternidade.
Quis tocar no seu vestido Lilás, coberto de miçangas coloridas.
Quis abraçar o vento, sentir seu corpo, ouvindo palavras sussurradas ao ouvido.
Sonhei com o infinito vestindo a alma do universo.
Eu era outra. Outra em mim.
De um jeito que só eu me conhecia, ninguém mais.
Eu me via, e pra fora eu não existia.
Vivi de fragmentos.
Mas eles sempre passavam e levavam o meu melhor.
Hoje eu estou onde não queria.
Acompanhando a inércia.
Com medo da multidão.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Literatura de cordel - "Depois de um dia sem glória"



Por Érica Colaço

Certo dia de manhã, acordei logo cedinho.
Percebi que algo estranho atravessava meu caminho
Fui olhar de perto, achando
Logo de certo, que era um vulto a me assombrar.
Mas foi quando percebi
Que estava por um triz de um gato preto de azar.

Quando vi ele passou, e nada pude fazer.
Amarelo fiquei do medo de me perder.
Pois já dizem por ai que se um desses aparecer,
E você não perceber, o danado,
Leva junto, feito ladrão vagabundo,
Toda a sorte de você.

Dizem que são sete anos,
Isso não posso saber, mas fiquei com tanto receio
Que sai por entre os meios dos mato das minhas banda,
De um jeito tão esquecido que só me dei conta no grito
Da comadre Sebastiana, que eu tava era pelado, feito menino acuado,
Apenas com as havaina.

Senti que rubro fiquei diante da situação,
Que de um jeito estranho esqueci da maldição.
Queria somente partir pra dentro da minha casa,
Vi que Dona Tiana tava ficando assustada.
Precisava vestir um calção antes que o seu marido João
Aparece irritado, querendo pegar a foice
Pra arrancar meus predicado.

Chegando em casa fiquei roxo de tristeza.
O almoço que fiz pra Rita (me encantar com a sua beleza) estava
Todo queimado, pois quando fui correndo atrás do gato danado,
Deixei a broca esquentando em cima da lenha acesa e o fogo devastador
Com suas chamas de horror, foi apagando de jeito
O meu encontro de amor.

Ainda com esperança, me botei com elegância pra quando Rita chegar.
Já imagino ela vindo, andando, quase caindo, nervosa por me avistar.
Eu cavalheiro que sou indo a sua pessoa, dando o braço de apoio
Pra ela vim no caminho, que apesar dos espinho,
Eu pus azul de amor. Elogiei seu cabelo e ela me deu um sorriso,
Rosa de tão bunito, da vontade de guardar.
Será a minha vitória, depois de um dia sem glória,
Os lábios de Rita beijar.

















Imagens - Kari Mendonça

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Por mais um dia...

Sim, eu sei que poderia ter sido tudo diferente.
Sei que aproveitei mal o nosso tempo.
Tempo que era só nosso.
Acontece que a gente não pode prever o futuro.
Ah, se eu pudesse imaginar que aquele ia ser o ultima dia.
Eu teria feito diferente, eu teria dado o meu melhor, mas pra mim, era só mais um dia.
Um dia qualquer que passaria sem maiores complicações.
Não me perdôo, não.
Tenho isso em minha mente repetido como um mantra, que não cessa.
Permanece me torturando.
Sempre digo que não há dor maior que arrependimento. Não há.
Nem dor de amor, nem de saudade.
Todas passam se saciadas suas carências.
Arrependimento não, ele nunca vai passar, porque nunca eu poderei voltar para acalentá-lo, ou corrigi-lo.

Estava pensando... O que eu faria se tivesse mais um dia com alguém que eu perdi?

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Intimidade.

Ao piscar das pálpebras.
Do pronome possessivo.
É a minha parte maior,
A que me cabe por direito.
Deixo-te uma parte,
Se dela conquistares, será a tua metade.
Conquista, mas cuida.
Cuida, pois desta metade que terás guardaras o fio da ligação que nos unira.
Não poderei fazer nada se acaso romperes este fio, apenas sentir a dor que me causaras.
Entraras sem pedir,
Poderás plantar milhões das tuas coisas em mim...
Poderás tirar milhões das minhas pra ti.
Pagarás a conta do silêncio, para que ele nunca vos falte.
É a cláusula primeira – parágrafo único do nosso contrato de confiança.
Nosso termo de compromisso começa agora.
Faço minhas todas as letras que te impus, se me permitires também, uma metade de ti.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A rosa azul...


Um dia Sarah acordou, era um dia cinza e fazia frio. Lá fora chovia de um jeito que a muito ela não viu. Pensou que se vivêssemos em tempos bíblicos, aquela era a hora da arca ser construída. Também pensou que de nada adiantaria a arca, porque ia ser muita gente querendo um lugar. Iam ter brigas, empurrões, pessoas seriam pisoteadas, alguns subversivos arrumariam armas e já começariam a fazer a triagem ali mesmo, de quem iria ou não ter seu lugar garantido, fora que era óbvio que seguiriam uma ordem hierárquica. Como ela faz parte de uma classe média, média, e também não possui nenhum irmão, primo ou tio com influência, esse lugar ao sol não caberia a ela, ainda porque nunca foi do seu temperamento se meter assim, em meio a confusões. Sem dúvida morreria afogada, talvez, quem sabe, um dia quando as águas baixassem, encontrariam ela ali, dentro do seu quarto, em uma Atlântida perdida. Meio sonolenta, meio com preguiça foi se olhar no espelho. Não sabe bem como, mas não se reconheceu. Ficou parada, em transe, olhando aquela imagem estática a sua frente. Era uma representação de corpo inteiro. Percebeu um sinal que nunca havia notado, uma leve ruga se estabelecendo em sua testa, uma estria que nascera na “cartucherira” (gordurinha localizada acima dos quadris) e algumas irmãs gêmeas. Bem que ela sentiu coçar, dizem pra não coçar uma estria nascendo, porque senão ela nasce. Como assim?? Não entendia muito bem essa lógica, se ela ta nascendo já, o que adianta coçar ou não coçar, pelo menos ao esfregar as unhas no local afetado sente-se um pouco mais aliviada, coceira é uma coisa irritante.
Resolveu se aproximar mais da estranha, que estava vestida com a mesma roupa e se movimentava igual a ela. Era impressionante como ela sabia os movimentos precisos que Sarah ia fazer. Quis ser mais rápida. Queria mexer rapidamente o braço, a sobrancelha, os dedos, até ela não ser mais tão exata, pra estranha perceber quem era a esperta dali. Fingia que ia correr... E nada. Continuava acertando, sem atrasar por um instante que fosse os passos que Sarah desse.
Cansada, abandonou a estranha lá, presa naquela enorme superfície, lisa, brilhante e gelada.
Olhou a foto que tinha na sua mesa de cabeceira. Supostamente era ela também, mas em proporções menores. Pequenos olhos amendoados, um vestido rosa de fita, um sapatinho branco de fivela, uma xuquinha na cabeça, porém não se reconheceu. Era uma criança que estava sendo contemplada com um bonito porta retrato prateado, ao lado de sua cama. Por quê? Olhou de perto a pequena intrusa, aproximou a imagem ao máximo de onde pudesse enxergar todos os detalhes. Um corpo frágil, uma pele branca, sem manchas, sem estria, sem sinais e um olhar que ela não lembra. Um olhar de quem não espera nada, porque tudo ali já parecia suficientemente encantador. Como se quem estivesse em sua frente tivesse lhe mostrando o néctar de uma rosa azul. A chuva ainda caia o dia já havia começado estranho, era o dia que havia se perdido. Procurou aquela menina em seus pensamentos, por dentro de si, mas não encontrava. Também não lembrava da estranha do espelho. Não há dúvidas, perdeu-se por entre as linhas do tempo. A linha tênue que separava o passado do presente, havia se rompido, tudo se misturou e Sarah agora não tinha mais identidade. Era uma outra Sarah, a terceira, sem figura, sem imagem.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

No meio do deserto...

Pensou que precisava de terapia. Não. Não se entendia.
Porém entendia todos, e todos sempre foram bastante convincentes. Não lembrava de ter desconfiado, algum dia, da verdade de alguém. Afinal, eram verdades. Certo? E já que não há como provar o contrário...
Nem o queria fazer também. Pra que? Já havia abstraído certos tipos de curiosidades.
Foi tímida sim, um dia foi. Deixou de ser... De repente. Ou talvez continue sendo, mas é que é muita coisa que a gente precisa ser antes de ser tímido. As coisas sempre são muito nuas, muito cruas. Na há espaço pra tímidos no mundo. Pra água ser gelo, é preciso um processo. Demora alguns minutos, mas um momento ela fica lá, dura e gelada. Entretanto, é só por uma falta de ambiente, ela volta a ser líquido de novo. Nunca vai ser gelo pra sempre, porque ela é água, e o estado dela não é sólido.
Não julga ninguém. As pessoas não precisam ser julgadas, elas já carregam o triste fardo de serem pessoas. E ser pessoa, e pensar (logo existir) não é tarefa das mais fáceis. Não precisam concordar, não quer mudar ninguém. Só espera o mínimo... Do mínimo.
Pergunta-se porque que é tão fácil não se colocar na pele do outro. Tem medo de um dia se tornar alguém assim, que não enxerga à dor, a angústia, a vergonha estampada num rosto aflito qualquer, ainda que esse mesmo rosto não lhe seja semelhante, ou não lhe traga recordações, seja só um rosto perdido. Mas aflito. E não poder ver nem sentir. Pois somente quando sente, ela existe. Porque quando pensa, nem percebe. Pensamentos vêm e vão, nunca permanecem por mais de dois minutos. Só quando sente, ela existe.
Apenas tinha esquecido como era o sentimento que acompanhava a timidez. Trouxeram de presente, coberto por um terrível laço de fita... Vermelho.
Disseram uma vez que água mole em pedra dura... (voltando ao estado líquido)
A tiraram do freezer e a colocaram no meio do deserto. Estava lá, derretendo novamente.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Bem sabes.


Noite
De vazio.
Pra quem vens?
O que procuras ao me afrontar?
Porque não me trás o que espero?
Não me encha de dúvidas, noite.
Tu bem sabes o que preciso...
Que me mostre a saída
Da tua escuridão angustiante.
Amedronta-me, ao invés
De acolher-me na tua calma habitual.
Não me dês mais do que preciso,
Sou cega perante os teus ardis.
Só te peço uma coisa noite...
Se não consegues se afastar de mim,
Apenas abstenha-se de fazer-me o mal.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Mais um dia na vida de João.


Na falta do que fazer levantou-se. Caminhou até a janela, não costumava abri-la com tanta freqüência, mas nesse dia estava tudo um pouco mais sufocante que de costume. Observou a rua e seu movimento cotidiano, repetitivo e típico do horário, 12h30 da manhã. Pessoas passando, filas em restaurante, buzinas frenéticas apitando numa desarmonia incessante, crianças cansadas e suadas que acabavam de largar das escolas. O tio do picolé, o tio do cuscuz, a tia do doce japonês, cada um gritando aos berros todos os atributos de seus quitutes. Era realmente impressionante a potência vocal dessas pessoas. Pra qualquer buzina, em meio ao transito da Avenida Paulista, ficar com inveja. Tanta gente, incontáveis, fora todos aqueles que sua vista não poderia alcançar. Nunca tinha parado pra observar tudo àquilo de fora, como um espectador. Rápido demais. Sentiu-se cansado só do tempo que permaneceu ali vendo a cidade em movimento, então, resolveu que já estava bom. Tornou a fechar a janela. Nesses momentos ele lembrava porque não a abria tantas vezes, pra se privar do caos e do tráfego. Não queria que aquela confusão entrasse e lhe invadisse todo o espaço, afinal, a casa não era muito grande, nem muito luxuosa, mas possuía uma ótima acústica, inclusive foi o ponto forte pra ele adquirir o imóvel que era bem no centro de um bairro popular... O silêncio.
Ainda estava de pijama, muito confortavelmente sentou-se em frente à TV, em seguida desistiu, era muito pra cabeça dele assistir a poluição que deixara pra fora da janela, só que televisionada. E agora? Não sabia. Deitar e tentar dormir novamente? Não. Ler também não, já não havia um único livro o qual não houvesse lido.
Só nesse tempo de indecisão já haviam passado duas horas, 14h30. Foi à cozinha e preparou um pequeno lanche. Não havia empregada e ele morava só, era muito raro dia com almoço, no máximo um macarrão instantâneo com um ovo mexido, mas nem isso ele estava disposto. Era melhor um pacote de biscoito e uma coca-cola.
Mas duas horas se passaram, 16h30. Não sentia mais fome, apenas uma gastura incomoda, uma queimação e um pouco de refluxo. O almoço não lhe caiu muito bem. Foi atrás de um sal de frutas, uma coisa em sua casa não faltava... Remédios. Pra tudo, dores de cabeça, no corpo, no dente, na barriga e não faltaria o do estômago. Claro.
Acalmado uma vez, o estômago passou a roncar. – o que queres? – perguntou. Porém, sem respostas. Não era possível que fosse fome, acabou de comer um pacote de biscoito. – problema é seu. – retrucou.
Duas horas depois, 18h30, voltou à janela. E... Lá estava, perturbadoramente, toda a tão temida confusão urbana, instalada em frente a sua casa. – meu Deus. Dessa vez resolveu não assistir o espetáculo angustiante.
Duas horas se passaram, resolveu ceder às solicitações mudas da televisão. Já não tinha TV a cabo, nem internet, nem telefone (a não ser um velho celular pré-pago). Desde o dia que ficou desempregado deixou se abater por uma enorme desesperança. Passou a viver assim, deixando o dia passar por si só. Passando por seus olhos como filme de sessão da tarde, estava lá, mas ele não via. Resolveu assistir o jornal... E mais duas horas passaram, agora já eram 22h30. Não havia mais barulho tentando penetrar pelas brechas da porta, só havia o mais puro e inquietante silêncio. – cadê todo mundo? – perguntou-se. Tirou o pijama, pensou em banhar-se, mas desistiu, já não havia ducha quente... Pra economizar energia.
Deitou-se. Ali acabava mais um dia do mais absoluto tédio. Entretanto, antes... Verificou a janela.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Tempo

Engolis vento
Enquanto eu...
Atropelo o
Tempo.

Corro, faço,
Espero e te
Digo, mas
Tu continuas
Inerte, parado,
Estarrecido
Comigo.

Pares de engolir
Vento,
Escuta-me,
Fala-me, te
Movimenta, corre
E acompanha o
Tempo.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Silêncio.

- Ele chegou!

A mãe dela deu um grito.
Ela já estava pronta. Era uma família de poucas posses. Não tinha tantas roupas boas pra ocasiões como aquela, mas se fez bonita como pode. E não deixara de estar realmente. Quando o viu lá, a esperando.

- Desculpa a demora.
- Nada, tenho certeza que valeu a pena cada minuto.

Ela sorriu. Foram para o carro, não estavam a sós como ela imaginou. Havia um rapaz dirigindo e uma moça ao seu lado, eram namorados, pelo menos era o que parecia. Ele a apresentou.

- Essa é minha namorada.

Então todos se olharam e sorriram. Seguiram. Ela inda não sabia pra onde iriam, não tinham combinado nada em especial, apenas sairiam àquela noite. Pararam num barzinho. Bem charmoso por sinal. Novidade pra ela, que ainda não entendia tanto de bares assim. Saia pouquíssimo, e bebia menos ainda.
- Vai querer beber o que?
- Uma coca-cola com gelo e limão.
- Coca-cola? Não. Vou pedir uma caipirinha pra você.


Ela aceitou. Conversaram muito, os quatro ali. E assim foram noite adentro, ela nem sentiu, mas já estava tomando a sétima caipirinha, que ele, tão gentilmente, fazia o favor de repor assim que estava por terminar, de um jeito que parecia sempre que era o mesmo copo que nunca acabava. Uma caipirinha mágica, com poder de alto-preparação.

- Vou ao banheiro. Licença.
- Opaaaaa...
- hahahaha... acho que eu bebi um pouco demais.
- Vamos pedir a conta, enquanto isso eu te acompanho e te espero a porta do banheiro.
- Certo.
........
- Pronto. Podemos ir.
- Me segura que ta difícil andar tropeçando no meu pé.
- To segurando...

Entraram no carro e ela logo se ajeitou em seu peito. As pálpebras já não lhe obedeciam, estavam querendo fechar a todo custo. Então ela dormiu.

- Ei, ei...acorda.
- Hum....que foi? Onde a gente ta?
- A gente ta junto. Isso ó que importa né?

Então ele a beijou. Seu beijo tinha certa violência que ela ainda não havia conhecido. Um beijo que a invadia. Não era bom. Não para aquele momento. Estava num lugar estranho, nunca havia estado lá. Estava enjoada, tonta, nem conseguia organizar as palavras, nem muito menos pronunciá-las, só queria que ele parasse com aquilo, mas não conseguia dizer. A bebida tinha absorvido suas energias.

- Vem cá. Deita aqui.... Vem.
- Não precisa empurrar, eu não quero deitar.
- Vai deitar sim.
- Para....

Ele tirou sua roupa. Agora ela sentia medo. Medo, enjôo, tonturas e muita dor. Tinha 16 anos. Nunca havia estado com um homem naquelas circunstancias. Só havia tirado uns pequenos sarros, no máximo. Porém o medo a fez parar de relutar, ele se tornava cada vez mais violento. Ela o conhecia? Quanto tempo passa pra se descobrir a verdadeira face de uma pessoa? Será que alguém consegue enganar outro por tanto tempo? Eram perguntas que ela fazia enquanto ele a dilacerava, abria seus caminhos com a força de um trator. Sem respeitar o momento dela. Não o conhecia. Estava diante de um estranho nu, que a possuia.

- Ai, ai... por favor, ta doendo...aaaa.
- É assim mesmo, fica caladinha que a dor melhora.
- .....

Eram segundos que mais pareciam séculos. Como o tempo demora a passar nesses momentos. Enquanto ele saciava sua fome nociva e selvagem de animal, ela chorava. Chorava a alma dela, os sonhos, os planos de como aquela noite seria um dia. Um castelo de cartas, se desmoronando aos seus olhos. Ela chorava aos soluços. E pareceu que dentro daquele mente pérfida e doente, através de uma surdez ferina e insensível, ao invés de sentir mal com aquela situação, ele a ouvia gemer de prazer. Então... gozou.

- aaaaaaaaaaaaaaaaaaa....
- ...........
- Quer tomar um banho?
- ........................
- Vai se vestindo que quando eu voltar do banho te deixo.
- ...............................

Ela não conseguia mover-se. Estava a sentir uma dor que não conseguia exprimir. Chorava lágrimas infindas. Não conseguia se controlar. Não tinha forças. Ao voltar ele a encontrou na mesma posição. Ela não tinha se movido, era como se não sentisse as pernas, os braços, o corpo. E, de repente, como em um ato extintivo de compaixão, ele se pos entre as suas pernas e lambeu seu sexo. Ela não se movia, nem sentia nada. A língua dele parecia sal em ferida aberta, mas ele permanecia lá, e assim por alguns minutos. Então se pôs de pé e a ajudou a levantar e se compor. Era sem dúvida uma mente doente. Ela já não tinha dúvidas, mas não queria atiçar aquele ser que adormecera em seu infortúnio, nem o olhava nos olhos.
Permaneceu calada todo caminho de volta, o seu silêncio e suas lágrimas que não cessaram, criou um atmosfera de velório no carro, onde o casal de namorados permaneciam. Eles foram buscá-los de dentro do seu maior pesadelo , e era provável que houvesse a levado também. Eram cumplices do crime.

- Pronto. Chegamos.
- ........................................

- Pegue sua bolsa.
-..................................................
- Espere, deixe-me acompanha-la até a porta.
-..........................................................

- Não dirás nada?
-...........................................................................

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Diferentes semelhantes

Curiosa a força de atração entre as pessoas. O que faz nos cativarmos de alguém? Sempre achei que os amigos eram amigos porque eram parecidos, seus gostos, suas opiniões. Achava que era a compartilha dessas semelhanças que mantinha as relações, fossem elas qual fossem. Mas não, estava errada. Sem dúvida é muito bom ter alguém parecido ao nosso lado. Eu mesmo tenho uma amiga, que a nossa sintonia é impressionante. Uma fala a outra entende, até sem falar, só olhando já entende. Fora pensarmos muito parecidos e gostarmos de, quase, as mesmas coisas, ainda temos defeitos e manias iguais. É uma coisa sem razão de ser, sem explicação e muito bom mesmo, eu adoro. O mesmo jeito de rir por nada e de achar tudo infame. Questionar as dificuldades e rir no final, porque simplesmente não a o que se fazer.

Também tem a minha investidora, que arrisca até o ultimo centavo em investimentos, guerreira mesmo. Uma hora quer se dedicar à moda, não deu certo? Publicidade, não deu certo? Gastronomia... Diferente de mim, que tenho medo das coisas darem errado, e eu perder tudo. Ela não, pode até perder, mas e daí? Depois ela consegue de novo. Só sou a fã numero um dela. Essa é irmã. A gente concorda e discorda na mesma proporção e não tem tempo que apague nossa admiração, mútua.

Houve uma outra que era inseparável, vivíamos juntas em todos os momentos, não sei se éramos tão parecidas assim, mas tínhamos uma sintonia enorme e desejos de felicidade e amor. A companhia mais agradável era a dela, porque ela era calma e triunfante ao mesmo tempo. Ninguém nunca tinha conseguido esse feito antes, e sempre (na maioria) saiamos apenas nós duas. E digo aqui, era divertidíssimo. Mas nossa amizade não foi forte o suficiente pra superar algumas tempestades que surgiram no nosso caminho. Foi ai que eu percebi que certas vezes não são as semelhanças que pesam mais, outros sentimentos que surgem que dão outras perspectivas, é que sustentam as bases das relações. Tive a oportunidade de conhecer encantadoras criaturas, muito diferentes de mim, mas que me conquistaram completamente. São hoje amigas que guardo comigo pra sempre.



Uma é chorona, braba, sentimental demais, uma graça. Fica vermelha quando ta chateada e morre de rir das minhas palhaçadas. Uma criança quando eu a vejo, mas com pretensões de gente grande e sonhos de infinito. Diferente de mim ela passa dias pra perdoar uma falha, por menor que seja, e por mais que você explique, ela não acredita. Mas somos iguais quando planejamos nosso futuro, queremos coisas parecidas. Diferente de mim que bebo que só, ela toma dois copos de cerveja e fica toda ouriçada. Eu morro de rir.

Igual a outra amiga querida, que tive o prazer de conhecer esse ano. Admirável. Fomos um sábado desses, sozinhas, pra um barzinho, e eu achava que ela não iria. Diferente de mim ela adora ficar em casa, gosta do clima familiar, de ficar esparramada em um confortável sofá, viajando em pensamento e nos livros que tanto gosta de ler, já eu adoro sair, viver o movimento da rua, ver as pessoas passando, conversar, rir em mesas de bar ou em casas de amigos. Não importa o lugar. Diferente de mim que bebo que só, ela toma quatro copos de cerveja e pensa em dormir, boceja e tudo mais, enquanto eu to no auge, a fim de falar mais, de beber mais, falar mais... Mas ela fica lá agüentando minha tagarelice e ainda da opinião. Agora somos praticamente gêmeas quando a questão é odiar Luciano Huck, Angélica e Faustão. Nisso a compatibilidade é de 100%.

E têm outras também. A que sonha em ser mãe, diferente de mim que sonho em viver viajando e conhecendo as excentricidades do mundo. Que é carinhosa até dizer chega me trata tão bem. Sempre sorri quando a gente se olha no meio das aulas. É a melhor companheira de aula que alguém podia ter. Eu fico tagarela falando e ela nem reclama, mesmo quando esta tentando prestar atenção. Fora que sempre desce comigo pra gente comprar docinho.


E tem a minha mais recente aquisição, uma “flor” que eu achei por ai. A gente se estranhou viu? Ela me achou chata pra cacete e eu a tratei péssimo. Eu costumo ser assim, chata a primeira vista. Todo mundo me diz isso. Mas é verdade. E como eu a achei insuportável foi que eu caprichei mesmo. Hoje a gente morre de rir de tudo isso. Somos muito parecidas, tirando o fato que eu falo sem parar e ela poupa muito seu latim. Mas só somos simpáticas quando gostamos, somos ciumentas, odiamos cobranças e odiamos uma DR. Entendo ela e ela me entende. E nem parece que é tudo tão recente.

Por isso hoje eu penso diferente. O que faz uma amizade ser uma amizade, não são as semelhanças, nem as diferenças. São a admiração e o respeito que temos por ambas. Cada um em seu espaço e nunca existira a fusão entre as partes. O bom mesmo é saber que existem essas pessoas queridas pra encherem a vida da gente de alegria e de sentido. Porque os amigos são muito mais que amigos, são irmãos escolhidos.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Novidade


O tempo faz verdadeiras mágicas. Ando me reencontrando com alguns antigos conhecidos que com o passar deste “Voraz ilusionista” foram se perdendo por ai, ou eu que fui me perdendo deles. Enfim. Não sei, só sei que fiquei surpresa como eles tinham mudado. Pra melhor, bem melhor. Agora eram pais, mães, magros, todos seguindo suas vidas, cheios de novidade, de planos. Então eu pensei: “eu não mudei nada, eu to igual”, e isso me fez ficar péssima. Eu sei que cá pra dentro ta tudo muito diferente, deixei de ser muita coisa, egoísta, mentirosa, compulsiva, indecisa (este ultimo principalmente), imparcial. Descobrir que tudo tem dois lados, seja isso bom ou ruim, não importa. Você tem que escolher um. Também deixei de ser depressiva para os meus amigos que tanto me reclamavam isso. Deixei de cobrar dos outros e passei a cobrar mais de mim e isso tudo eu to achando ótimo, perfeito. Descobri uma sinceridade espontânea e também que falar o que acha sem maquiar as palavras nos dá uma epidêmica credibilidade. Mas é pouco, não é uma mudança visível como foi a dos meus "queridos antigos conhecidos perdidos", que eu encontrei novamente. Da pra ver um colorido natural ao redor deles. Uma atmosfera de felicidade contagiante. Fiquei muito feliz por eles, mas frustrada por mim. Eu ainda não senti essa deflagrada felicidade, nem sei como é. Não sou triste, não. Sou bastante alegre inclusive, e tenho um don ótimo para arrancar sorrisos das pessoas, mas a felicidade plena e indissolúvel eu desconheço.
Adorei poder testemunhar o momento deles, tão queridos que são, cheios de luz, de cor. Foi bom pra mim, uma nova energia, vontade de conquistar novos trunfos e objetivos. Desejo de ser uma grande e belíssima novidade, assim, como eles foram.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Não quero mais.


No fim de semana fui arrumar coisas antigas, entulhos que vim guardando ao longo dos anos, e me deparei com um verdadeiro acervo das minhas memórias. Foi um mergulho ao passado. Minha primeira intenção seria me livrar daqueles papéis e objetos sem valor nem utilidade. Antigos boletins de escola da época do primário, carta de amigos passados que nunca mais tive notícias, lembranças de fim de ano, cartas de primos distantes, cartinhas de amor que não mandei, e cartinhas de amor que recebi. Uma loucura. Loucura ainda foi ver minhas agendas. Agendas Chomp, todo ano eu ganhava uma e nunca deixei de escrever um único dia. Então mudei de estratégia, ao invés de simplesmente renunciar de tudo me cerquei de um jeito que passou um dia inteiro e eu lendo, principalmente as queridas agendas, como um dos melhores livros que pudesse existir, livro que não se dedicava a um único gênero, mas a vários, comédia, romance, drama, aventura. Minha história, dia por dia contada por mim, uma biografia. O mais interessante foi que todos os sentimentos voltaram, eu lembrei de cada dia de um jeito que parecia que tinha vivenciado em poucas horas. Os cheiros voltaram às dores, que loucura aquilo tudo. Me emocionei, chorei muito, por saudade e por perceber que a vida é assim, ela passa e leva sempre algo, leva até o melhor de nós. Tudo que foi importante e necessário um dia acaba em páginas de agenda, ou em boletins da quarta série. Tudo. Um tudo que nem tem como calcular. Meus entulhos eram tesouros. Tesouros da minha vida. Mas que eu não queria mais. Não quero toda vez lembrar em abandoná-los e eles me prenderem no passado. E sentir toda aquela saudade teria sido muito bom, se junto não tivesse vindo à dor da perda, dos arrependimentos, das angústias e do medo do tempo passando sem nem olhar por nós. Resolvi então que dessa vez aquelas coisas teriam destino diferente do que eu havia dando até o momento. Não queria jogar no lixo, acho que jogar memórias no lixo é como jogar a você mesmo, então, queimei. Queimei tudo que vi pela frente. As agendas Chomp, os boletins, as cartinhas e tudo mais que pudesse me lembrar uma fisga do passado, tudo se esvaindo em chamas, não foi triste, nem difícil, depois que a gente toma a iniciativa, fica tudo mais fácil. Enterrei meus fantasmas, vou deixar o passado lá, quieto no lugar dele, o que ficou de bom eu guardarei em outro departamento.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Amor...


Viva dedicação, colorida expressão.

Inclinação da alma e do coração,

Objeto da nossa afeição.

Sentimento excessivo,


Paixão.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Perder



Se privar,
deixar de ter, de gozar.
Não aproveitar.
Deixar fugir,dissipar,
destruir.
Conduzir à perdição,
corromper,
desgraçar.
Desmerecer,
decair.
Sofrer.
Quebrar...
Esquecer-se,
deixar de observar, de seguir,
de prestar atenção.
O tempo, o esforço....

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Super legal...

Encontrei esse meme no blog da minha amiga Kari e achei super interessante. Resolvi responder também. As respostas tem que ser o título das músicas de um único artista. Bem, lá vai:

1 - Escolher banda/artista: Noel Rosa
2 - Responder somente com os títulos das canções:

1) Descreva-se... A melhor do planeta
2 ) O que as pessoas acham de você... Dama do cabaré
3 ) Descreva seu último relacionamento... Que se dane
4 ) Descreva a atual relação... Chuva de vento
5 ) Onde queria estar agora... No baile da flor-de-lis
6 ) O que você pensa sobre o amor... Conversa de botequim
7 ) Como é sua vida... Não tem tradução
8 ) Se tivesse direito a apenas um desejo... Mais um samba popular
9 ) Uma frase sábia... A Genoveva não sabe o que diz
10) Uma frase para os próximos... Até amanhã

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Após um dia...

Já é difícil um dia inteiro. Ai chega em casa e começa a ouvir impropérios ao seu respeito: - Como assim? O que foi que eu fiz mesmo? Só me lembra porque eu não faço nem idéia! Um dia inteiro fora de casa, só queria um pouco de silêncio. - Sem perguntas, por favor. Eu não sei... Não sei... Não sei de nada.
Queria saber qual a sensação de incomodar alguém. Sim. Porque alguma boa deve ter, já que fazia bem uma hora que tinha chegado e ela ainda não tinha parado de falar, falar não, reclamar. Simplesmente não tinha para onde ir. Não podia se calar diante de tanta infâmia, mas também não podia disparatar palavras soltas, mesmo que na tentativa de se defender, isso só iria piorar. Começou a andar pela casa, relativamente grande, mas muito ocupada, por coisas e pessoas. Coisas desnecessárias, e pessoas... igualmente. E sem muitos atrativos também.
Realmente, não tinha o que fazer.
Foi beber água... Gritou da dor que sentiu ao morder a parte inferior da boca. Uma senhora mordida, com direito a sangue, muito sangue e lágrimas. Aproveitou pra chorar a raiva que estava sentindo. Era só o que faltava para completar a situação caótica que se encontrava naquele momento. Porque mesmo? Não sabia ainda...

sexta-feira, 11 de julho de 2008

A primeira vista...


Tava feliz. Era visível demais. Todos os sintomas: rubor do rosto, sorriso nos lábios, brilho nos olhos, coração acelerado... Se não era a tal da felicidade que a tomava por inteiro, então sofrera de alguma moléstia qual não sabia ainda identificar.
Quando atendeu aquela porta, nunca imaginou que sua vida ia mudar do jeito que mudou. Não era possível que existisse tal beleza no mundo! Arrebatadora! Como pode? Foi só olha-lo uma única vez, em instantes, parecia até que o mundo tinha outra cor, e que todos tinham sumido de sua superfície. Surgiu uma neblina que saiu cobrindo tudo que não era ele. E o silêncio... Seus pensamentos se calaram. Cadê o som do mundo? Mas pra que som num momento desses? Queria apenas contemplá-lo. Estava diante do mais alto grau de perfeição. Prestes a sentir
o que há de mais elevado nos sentimentos.
Ele entrou e a olhou também, não acreditava que aquilo estava acontecendo, ele a olhava com interesse! Será que ele sentiu o mesmo? Como se estivesse sido levado para uma outra dimensão? Adiantou-se para falar com ele, precisava fazer alguma coisa. Mas o que? Tinha que ser algo imediato, que acompanhasse o tempo, que obstinado passava sem nem observar os dois ali, parados. Que agonia... Começou a apressar os acontecimentos. Ainda nem sabia do tempo guardado pra eles, iria ser um tempo só deles. Tempo esse que estava pra chegar. No momento em que foram apresentados, que tocaram as mãos, eles não estavam apenas se cumprimentando, estavam selando uma história. Inaugurando um sentimento, o maior que ela jamais sentiria. Foram os “dois beijinhos” mais doces que ela sentiu na vida. Dois beijinhos com sensações de primeiro beijo: moleza nas pernas, peso nas pálpebras, frios na barriga, arrepios na nuca, sentidos aguçados... Enfim. Ninguém tinha sido agraciado com aqueles beijos, somente ela, e ainda no cantinho da boca, do tipo daqueles que quer mais que a pele. Querem a língua, a saliva e o calor. Como era previsto ele foi rápido, disse o que tinha a dizer e logo partiu.
Claro que não iria acabar por ai.
Falaram-se por dias, meses ao telefone Eram conversas intermináveis, engraçadas, sérias, românticas, de saudade, de amor, de futuro. Tinham sintonia, nunca se calaram por falta de assunto. Eles poderiam falar do mundo inteiro e ainda assim teriam mais alguma coisa a se dizer. Ligavam-se todo o momento até que um dia resolveram se reencontrar. Ele foi a sua casa na hora exata prevista. O coração dela parecia que iria parar de tão descompassado. Tinha fotografado aquele rosto na memória, era como se nunca tivesse passado um único dia sem vê-lo. Não era uma lembrança de meses, mas uma lembrança de minutos atrás. Como poderia sentir algo assim? Era tão maior que nem nome existia pra dar. Beijaram-se... Perfeito. O encaixe, o movimento. Tudo tão sincronizado, merecia aplausos. Permaneceram juntos por algum tempo. Entre beijos, carinhos, beijos, conversas, beijos, olhares apaixonados, beijos, beijos, beijos...
Aqui começa seu declínio. Do cume, ao total absoluto abismo. E ela se jogou, porque não tinha outra escolha. O que iria fazer com tudo aquilo? Era um sentimento estranho. Não sabia como controlá-lo. E o danado parecia ter vida própria.
No dia seguinte ele a ligou. Normal. Todos os dias, até então. O que havia de diferente era sua voz, o seu jeito de falar, não havia mais encanto, nem saudade, nem amor. Não era ele... Impossível. Custou a acreditar naquilo. Ele dizia que era o fim. O fim? Mas nem havia ainda começo. Era uma brincadeira, só podia ser. Tentou torna-lo a realidade, pediu, por favor, que parasse com aquilo. Não era engraçado, era devastador e doloroso demais. Não iria agüentar. Tudo em vão, estava irredutível, não a queria mais. Ela não acreditava, mesmo com todas as evidências. Precisava saber o que tinha feito de errado, ainda que não tivesse feito nada. Apenas se enganado, errou de príncipe encantado. Sofreu muito, dias de lágrimas perdidas, de angustias. Continuou a procurá-lo, e acabou entrando demais naquele mundo nefasto de dor e desespero. Nem sentiu, mas já estava beirando a loucura. Passou a segui-lo aonde fosse. Queria estar onde ele estivesse. O cercou por todos os lados. Continuo a telefoná-lo. Muitas vezes nem falava nada, só queria ouvir um pouco a sua voz. Isso a confortava de alguma maneira. Ele nunca parou pra explicar-lhe nada e passou a se irritar com aquela situação, mas seu comportamento foi lamentável. Além de ajudá-la, passou a humilhá-la. Podia ser onde fosse à frente de quem fosse, para ele, ela era apenas uma coitada, psicopata. Não achava que tivesse culpa alguma. Afinal, ele apenas não a queria mais. E isso era o bastante.

Foi longo esse período, praticamente interminável. Os dias nunca demoraram tanto pra passar, nada, nunca tinha permanecido por tanto tempo assim. Não conseguia se controlar, apesar de todo vexame que passará, ainda o procurava. A boca que tanto desejou, da pessoa que tanto amou, agora não tinha mais palavras doces para dizer, nem beijos infindos pra dar. Agora dessa boca só saiam impropérios ao seu respeito, frases secas, palavras pungentes...
Acho que ela nunca superou de verdade toda a desventura que passou. Só que a vida segue seu ciclo, e a dela não foi diferente. Os anos que demoraram tanto a passar, finalmente passaram. E dizem por ai que depois da tempestade vem a bonança... É talvez tenha vindo mesmo. Dez anos se passaram e eles tiveram a oportunidade de se encontrar. Muita coisa mudou nesses anos. Não estavam mais diante dos jovens sonhadores que haviam conhecido no passado e ele não conseguia mais ver dentro do olhar dela, não era mais tão nítido como foi um dia. Chegaram a conversar, depois de todo esse tempo, e numa concordância natural, preferiram esquecer o passado. E parece que esqueceram mesmo, pelo menos ela ainda sentiu, lá no fundo do peito, uma força se movendo, algo querendo ressurgir, e por incrível que pareça, não era odio, nem desprezo, ao contrário, todos esses anos que passou processando o ocorrido, não deixou que a magoa e o rancor invadissem seu coração, fez uma força que não era desse mundo para entender as razões dele. E entendeu, do jeito dela, ainda que fosse qualquer razão. Não falaram muita coisa. Ela viu no beijo que ele lhe deu na testa, um pedido de desculpas, e ele ouviu o sorriso dela concordar com os olhos dele, e esse diálogo permaneceu ali por alguns instantes... Sentia que o tempo, que o tempo tinha reservado para eles (para ser um tempo deles) não tinha acabado ainda. Na verdade, nem tinha começado.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Sal de Frutas

É só acordar.
Abra os olhos. É outro dia. E é assim que tem que ser. Sempre. O que aconteceu ontem aconteceu ontem. Isso não pode transpassar o tempo. A vida é muito curta pra ser perdida com certas “miudezas”. Não é fácil. Eu sei bem. Mas é necessário tentar. Não digo esquecer, (porque nesse departamento das memórias eu não faço idéia como isso é possível), mas abstrair. Não somos sempre vítimas. Não. Às vezes vitimamos alguém também. Ninguém é tão ruim assim, nem tão bom. Claro. Simplesmente são egoístas, todos somos. Por mais solidários, atuantes, compreensivos e presentes na vida das pessoas. Ainda assim egoístas. Sempre se espera um “mínimo” de algo. E se nunca houver retorno? Nem agradecimentos? Sem dúvida sente-se muito por isso. Ainda que isso não queira dizer nada. Cada um faz o que quer, de acordo com sua consciência. O que achar certo. Mas sim, certo pra quem? É isso. Talvez só pra mim e não para o outro. Meu certo é o seu errado, meu bom o seu ruim. E vice – versa. Tudo depende do ponto de vista. Talvez aquela briga definitiva que tivemos com aquele (a) que foi tão querido (a) e necessário (a) um dia, não foi tão culpa dele (a) assim. E o motivo? Poderia ter sido melhor. Mas a cabeça quente, a raiva, a decepção, o sentimento de traição que costuma aparecer nesses momentos, tudo isso não nos faz pensar. É difícil tolerar os erros alheios, principalmente se de algum modo nos atinge, porém não menos difícil é reconhecer os nossos próprios erros. Nunca queremos saber das razões, não vemos motivos para tal, só que nem sempre necessita de razão e motivo para algo acontecer. É a vida. Tudo é muito rápido, muito imediato, quando viu... pufff...aconteceu. Mas, afinal de contas foi um absurdo, a maior falta de tudo. Imperdoável. (?)
Então, se inicia a segunda etapa, a das ofensas. Palavras duras que lançamos contra alguém. Pessoa também, não menos ferida, já que não existe em situações de conflito quem saia sem algumas dúzias de arranhões. Sempre as duas partes perdem. Não há vitorioso, independente de quem é ou não responsável. Na hora é lógico que ninguém vai pensar nisso. Nem eu pensaria. Nem pensei um dia. A vontade é de xingar mesmo, e a obstinação só acaba quando se consegue, finalmente, chegar no ponto fraco, onde doi mais. Porque é pra doer mesmo. Quem mandou se meter comigo?
Antes de tudo, até antes mesmo de acontecer tal situação (que deus nos livre porque é muito ruim) cuidado para não esquecerem os melhores momentos. Aqueles que até então tinham ocupado o espaço das coisas inesquecíveis. Eles foram verdadeiros sim. E não menos intensos. Não podem ser simplesmente excluídos, como se não houvessem existido. É bom tê-los sempre na memória, afinal houve amor. Mas até o amor tem dessas coisas. Por isso... Não perca a oportunidade de crescer a cada experiência, principalmente nas não tão boas. Elas chegam carregadas de ensinamentos. Não fulja das responsabilidades, elas são chatas, mas necessárias. Tente esquecer as angústias, e tudo que te fizeram que te deixou pra baixo. Nesse momento talvez alguém esteja sentido o mesmo... Por sua causa.
Abra a janela e veja que nada esta do mesmo jeito, ainda que tudo esteja no mesmo lugar. Deixe o mofo sair. Acompanhe o tempo, ele não ta nem ai se você parar. E se não dá mais tempo de rever certas coisas do passado, se concentre nas coisas do presente. O presente será seu passado amanhã e já que não tem jeito, ajude para que ele se torne uma lembrança agradável, que te faça feliz ao recordar. E duvidem daqueles que disserem que nunca se arrependeram na vida. Se for verdade (o que eu duvido muito) saia correndo. Essa pessoa não é normal.
Para todas as outras coisas, sal de frutas é a melhor solução.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

A porta.

Era confusa. E confundia todos que se aproximavam. Não sabia como ser legal o bastante, ou amiga suficiente. Não sabia o que esperavam dela. Pobres verdades ou suntuosas mentiras? Na dúvida...
Era assim, mas não porque quisesse. Mas por se achar pouco interessante. Gostava das pessoas, queria todas por perto. Talvez ai estivesse seu maior erro, não adianta querer todos. Todos nunca são de ninguém. Despertava em pouco tempo sentimentos nobres. Com igual velocidade, os destruía (ainda que não soubesse como ocorria tal fenômeno). Tinha pensamentos perturbadores, e atitudes que não condiziam com o que achava certo, mas de repente estava lá, cometendo seu crime “hediondo”. Entregava-se a paixões e por isso vivia ao julgamento dos becos. Uma inexplicável superficialidade que encontravam em sua conduta. Como se de algum modo ela precisasse justificar ao mundo seus procedimentos. Não, não precisava. Só que começou a parecer que qualquer passo que desse teria que calcular, numa medida fabulosa, todas as conseqüências. Então, num súbito, passou a sentir “culpas”.

Faltava-lhe amor próprio, não gostava do que via no espelho. A falta de alto estima a fez se perder, se tornou uma preza fácil e então, passaram a arrancar-lhe pedacinho por pedacinho. Tiraram-lhe a roupa. E quando já não havia mais roupas para tirar? Tiraram-lhe a pele. E quando já não havia nem mais unhas para tirar? A dilaceraram. Deixaram todos seus sentimentos expostos, largados no chão. Queriam então condenar a sua alma. Porém, nunca tentaram decifrar suas angústias, questionar os seus defeitos, resgatar suas virtudes e devolver-lhe o respeito. A condenaram. Pronto. Era seu fim. Conheceu então, o que lhe faria companhia por algum tempo. Tempo esse que nem ela mesma saberia. Um dia desses qualquer, entrou, invadiu a vida dela de silêncio, de lágrimas, de esperas incansáveis e desesperanças. A solidão permaneceu por muito mais tempo que qualquer pessoa normal suportaria. Ninguém soube o quanto doeu, o quanto demorou para formar as cicatrizes, e ainda nem imaginam que muitas continuam feridas abertas. Longe de cicatrizar. Ela seguiu. Sozinha saiu juntando os estilhaços e reconstituindo seus pedaços. Reformou-se. O que a salvou? Seus pensamentos perturbadores. Eles nunca a abandonaram. Permaneceram lá. Firmes. A diferença é que o tempo lhes deu uma nova roupagem, mostrou novas perspectivas, novas cores e o principal, a porta. E ela viu o tamanho do mundo e aprendeu a lidar com “valores” e “medidas”. A solidão de vez em quando volta (do seu modo único e triunfante de surgir do nada) só que agora para uma breve visitinha. Elas enchem a cara com algum etílico, e pronto. Logo após vai embora à peregrina. Se alojar em algum coração desavisado.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Ontem




Eu tinha 11 anos.
Nunca quis bonecas.
E se as mesmas já eram abandonadas por mim aos dois anos, aos onze passei a fazer pequenas cirurgias em suas cabeças, arrancava-as dos pescoços e lhes enchia de qualquer coisa, qualquer coisa colorida que fizesse aquelas bonecas (burras) terem algo pra pensar. Me incomodava o fato de não ter nada por dentro a não ser um punhado de cabelo amarelo.


Queria jogar vôlei.
O auge da minha paixão fulminante por Giovane Farinazzo Gavio. Passava as madrugadas de jogo acordada só pra vê-lo em quadra, era uma paixão torrencial. Não era possível que ele não fosse se apaixonar por mim, aliás, ele já era apaixonado, eu tinha certeza que era só nos encontrarmos e assim que nos olhássemos, tchuaaaaa... Tudo mais ia ficar em câmera lenta. Andaríamos a o encontro um do outro e....tchuaaaaa. Tudo isso embalado ao som de Gary Barlow (so help me girl).
Será que alguém lembra dessa música?
“So help me girl, you've gone too farI

it's way too late, to save my heart
The way it feels, each time we touch
I know I've never been so loved…”
(ainda bem que o tempo muda a gente)


Queria fazer logo 14 anos.
Exatamente, não queria 15, ou 18. Queria 14. As garotas mais legais, que eram da 8ª série, com todos os amigos mais bonitos e divertidos tinham 14 anos. (achava oitava série o máximo. Porque? Não sei.) Era impressionante. E eu precisava chegar aos 14. Tudo ia ser perfeito, idade perfeita, amigos perfeitos (?) e daqui pra lá sem dúvida, eu estaria pelo menos noiva de Giovane. Quando chegou finalmente o tão esperado aniversário, percebi que tudo era só um ponto de vista, que tudo é, realmente, um ponto de vista. Cheguei a poder estar em contato com aquelas que tanto admirei um dia, garotas tão lindas coloridas, colossais. Mas o tempo não tinha passado para elas, elas continuavam iguais, e eu senti uma certa decepção com isso. Será que eu tinha me confundido? Elas não eram tão "assim"? Comecei a vê-las como as bonecas que tanto repudiei aos onze anos, sem dúvida eu já tinha abandonado o ramo das cirurgias neurológicas, mas até que deu vontade de abrir umas exceções. Eu não queria mais ter 14 anos, era uma idade que demorava muito a passar.
E ah... o Giovane? Não. Nem ligava mais pra ele. Ele tinha casado até, e eu? Paquerava o professor de Ed. Física. O que não tornou em nada a minha vida mais fácil. Hoje eu morro de saudade das minhas antigas vontades, dos meus desejos de poucas pretensões. Eram desejos que só cabinham a mim, eu não tinha que esperar dos outros pra que se realizassem, inclusive porque eles já eram reais. Fantasias reais. É muito bom recordar esses momentos.

Se for capaz.


Sente-se ao meu lado.
Não pense tanto, não há nada demais.
Não ligue pra quem estiver olhando.
Estaremos conversando,
Conhecendo-nos um pouco mais.
Deixa-me ver se temos algo em comum.
Tente encontrar algo de mim em você, tente.
Se for capaz.
Não precisa se preocupar.
Os sentimentos são naturais.
Teu olhar... Teu olhar me diz algo.
Várias vozes falam aqui dentro.
Elas são confusas, estão perdidas.
Causam-me sensações.
Decifre-as para mim.
São palavras que vem de você,
Que só você pode entender.
CANTE-AS para mim.
Não olhe tanto para o tempo.
Ele passará por nós, mas não levará este momento.
Conte-me um sonho, eu te conto um segredo.
Vamos lá...não tenha medo.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Ande de celular

Atualmente nada do que é nosso, pode-se acreditar que continuara sendo. Falo de coisas materiais mesmo, porque sentimentos podem até mudar mais nunca ninguém os levara. Somos pessoas normais, vivemos num regime capitalista, onde a principal função é consumir mais e mais. Acontece que se compramos, consumimos, é porque o nosso dinheiro (muitas vezes suado, ou não) pode nos proporcionar tal prazer. Sim, obvio que somos materialistas, mas como pode haver cobranças a respeito se fomos, sem permissão, enquadrados nesse sistema de consumo desenfreado?
Na realidade o que eu quero dizer, é que não interessa o objeto o qual você investiu para possuir, pode ser qualquer coisa, uma caneta, um celular, uma bolsa, enfim. Não interessa. É seu e pronto. Claro que todos deveriam possuir coisas próprias que lhes fizessem bem, ou trouxessem alguma alegria, mas não é isso que acontece e sabemos bem. Eu tava pensando, a gente não faz muita coisa pra mudar a realidade das pessoas, mas como a gente pode fazer? Não adianta tentar se culpar, a culpa não é suficientemente nossa, é histórica e veio com o tempo, não houve mudança de conduta e deixaram perpetuar a desigualdade e a injustiça, fizeram delas um mercado e agora levamos a culpa? Será que realmente os tutsis na África mereciam ser mortos pelos hutus porque os pais passaram isso pros filhos, que passaram pros netos e bis netos e tataranetos ate se tornar intrínseco na ideologia daquele povo? Eu vejo que as pessoas estão desligadas disso tudo, e ai? Como faz? Ai vem à “televisão” te ensinar a como não ser assaltada, ou como evitar. E dizem : “não andem de bolsa, não andem de celular, não andem com roupas caras ou jóias, não andem de tennis, não andem de salto, não andem de bijuterias. Não andem de trem, não andem a pé, não andem só, não andem com a janela dos carros abertas, não parem no sinal, não dirija de madrugada, não ajude estranhos, não atenda o telefone, não conte com a polícia, não conte com justiça, não conte com o prefeito e com o governador que prometeu melhorar os índices de criminalidade de sua cidade e estado (é mentira, o imposto que você paga nunca vai ser direcionado a falta de segurança, porque ela também é lucrativa), não andem na chuva, nem na calçada...não façam, não olhem, não respirem, não confiem. Obedeçam a os ilustres Senhores que tão gentilmente nos prepara para o mundo que eles regem, porque é muito mais fácil tirar de nós do que dar aos outros, é mais fácil nos privar do que acrescentar a quem não tem tanta oportunidade assim. Porque os carros eles irão “Blindar”, se protegeram em verdadeiros “carros fortes”, compraram a segurança de condomínios fechados, sociedades anônimas, onde existem leis próprias, onde a justiça é feita do melhor jeito Filha da P... de ser. Mas não tentem tirar o direito de alguém achar que o que você tem na mão, ou na bolsa, ou no bolso vai deixar de ser seu. Porque vai. Eles vão vir e vão te mostrar, com provas contundentes que o que é seu vai ser dele, e você vai entregar, porque não tem outra saída. Então, não adianta. O que eu posso dizer, andem de celular, andem de bolsa, andem a noite, andem (a noite) na chuva (isso é até um conselho, não percam a oportunidade de caminhar a noite na chuva), confiem nas pessoas, amem seu semelhante, não sintam tanto ódio do ladrão que lhe assaltou, se nós não temos culpa, eles também não. E se sofrerem esse tipo de violência, que é muito ruim (experiência própria), não se assustem com o sentimento de abandono que vai aparecer por umas duas semanas em você, esse sentimento é real, e por duas semanas você vai conseguir saber, exatamente, o que ele sentiu a vida inteira.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Tiros em Ruanda (Shooting dogs)


Como tratamos o ser humano? Em que níveis de humilhação muitos são submetidos? Sem proteção por serem negros, ou por razões históricas que foram sendo mal ingeridas no decorrer dos séculos e que vira motivo suficiente para matar pessoas. Tudo tão incoerente, tão irracional que nada que eu disser, ou que eu pensar, vai conseguir explicar tudo que eu senti quando soube desse fato verídico que correu há uns 14 anos atrás. Soube sem querer. No domingo assisti ao filme “Shooting dogs”. O filme relata a história de um genocídio ocorrido em Ruanda, África, em meados de abril do ano de 1994. É tão impressionante e tão próximo, que eu não poderia deixar passar batido. Por tudo, pela crueldade como tudo ocorreu, pelo descaso da ONU, pela ferida histórica que os colonos Europeus deixaram na África e que veio sendo alimentada até então, e principalmente, pelas pessoas que estavam lá e que viveram tudo aquilo, e que morreram, enquanto nós estávamos aqui leigos e indiferentes. Digo que muita coisa mudou em mim. Logo após o filme eu sentia medo. Deu uma vontade de chorar e eu passei a me perguntar por que as pessoas se matam???? Meu Deus, nada é mais cruel do que você tirar a vida de outro, por qualquer razão que seja. Lembrei que nos negamos diariamente a situações de calamidade, crianças que comem nosso lixo, que dormem na rua e que não tem pra onde correr em dias de chuva e de frio. Às vezes eu reclamo tanto da vida, tanto, todos nós reclamamos. Muitas vezes de coisas tão irrisórias. Realmente, somos egoístas, não fazemos nada por achar que só podemos fazer um pouco, e achar que esse pouco não é nada, quando nada é exatamente o que muitas pessoas possuem. Na época do ocorrido existiam duas etnias que se dividiam na região, tutsis e hutus. Até o início da colonização alemã na região, as etnias tutsi e hutu viviam em relativa harmonia, no território que hoje é ocupado por Ruanda e Burundi. A partir da colonização sob o domínio alemão, e posteriormente belga, esses dois povos tiveram sua organização modificada. Em 1962, Ruanda tornou-se independente e a minoria tutsi ficou a mercê dos hutus. Em 1994 a ONU estava em Ruanda com a finalidade de “monitorar” a “paz” que fragilmente se aplicava na região. A qualquer momento poderia explodir uma guerra entre etnias. Quando o presidente hútu de Ruanda, Habyarimana, foi morto, após a explosão do seu avião, imediatamente a autoria do atentado recaiu sobre os tútsis. Pronto. A matança iniciou-se na mesma noite na capital Kigali. Os hutus saíram matando todos os tutsis (independente de serem velhos, mulheres ou crianças) eram esquartejados, e alguns submetidos a humilhações públicas. Mulheres eram estupradas, crianças eram jogadas contra árvores, e muitos eram abandonados agonizando nas estradas. Em pouco tempo mais de 800 mil pessoas haviam sido mortas. Não houve qualquer tipo de intervenção de órgãos de segurança mundial. As tropas da ONU nada fizeram pra evitar o massacre. Mas eles estavam lá, e só abrigaram 2.500 pessoas dentro da base que haviam montado, foi o máximo que fizeram, tardar os acontecimentos. Foi pedido auxilio para que aquelas pessoas pudessem ser resgatadas, mas nada foi feito. A ONU tentou abafar ao máximo o descaso que estava tendo com a situação e a falta de prioridade que estavam dando. Os hutus se colocavam em frente à escola, armados com facões, sempre ameaçando invadir Tudo isso na frente do exercito da ONU que simplesmente fingia não ver. Corpos eram jogados em frente à base para criar pressão psicológica e coagir os refugiados, os cachorros passaram a comer os corpos, uma visão de morte, de doença. Um terror constante, um mar de sangue já havia sido derramado e a única coisa que a França fez foi enviar ajuda para os Europeus e brancos que estavam lá refugiados. Após a retirada dos estrangeiros, a ONU que ficara lá como simples expectadora do espetáculo de horror que tomou conta de Ruanda, também se retirou, deixando pra trás mais de 2.500 pessoas, entre tutsis e hutus que não compartilhavam do genocídio, e por isso também estavam pondo suas vidas em risco, a ONU entregou a vida dessas pessoas a própria sorte, lavaram as mãos. Era certo a morte de todos. Logo após a retirada da ONU os hutus invadiram a base armados até os dentes cheios de ódio e de ânsia por matar aquelas pessoas, e esquartejaram todos.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Momento de insatisfação

Eu não sou muito apegada a datas. Sempre sofri muito com isso por esquecer o dia dos aniversários e de fatos importantes. O valor que eu os dava sempre esteve muito acima de uma simples data, mas vai explicar porque você esqueceu, ou ligou tarde demais, ou ligou e simplesmente não disse nada, porque simplesmente não ligou para isso. Sempre fui assim, não consigo mudar. Uma vez era aniversário de uma amiga gigante minha, eu a amava, minha irmã, isso era inquestionável. Mas, no dia exato do aniversário dela (e ela totalmente sentimental), eu ligo assim, de mais ou menos 13h da tarde (meu Deus, tsc tsc tsc) a cobrar (eu tava na rua, sem celular) e eu falei de tudo, tudo mesmo, menos o que ela tanto esperava (ainda que logo em seguida eu tenha lembrado).
Comecei com essa história, pra justificar outra. Hoje é dia dos namorados, certo, só. Nada vai mudar por isso, só para as lojas de roupa, sapato, perfumes e ursos de pelúcia, sem contar com as de chocolate e as floriculturas. E eu estou sendo invadida por um sentimento vazio e triste.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

O que não se espera.

Eram amigas.
Se davam bem na maioria do tempo, se gostavam de verdade e até compartilhavam de opiniões e sentimentos. Nunca tiveram a infelicidade de se apaixonar pela mesma pessoa. Não ligavam muito pra beleza física, porque nisso elas eram parecidas, se atraiam por gestos, por delicadeza e obviamente por uma boa pegada, por um beijo gostoso e um papo legal. Não andavam em grupo mais, porque nunca fora tão legal estar sós, as duas, bebendo, rindo, bebendo, chorando, bebendo, gritando e bebendo e bebendo...
Acho que não sentiram quando as coisas desandaram, como se já não existissem as entre linhas, a vida exterior daquele mundo que estavam construindo. Outras pessoas, outros momentos. E descobriram que não é fácil ceder, não por que seja difícil, nessa vida, por mais altruísta que tentamos ser, no fundo regamos diariamente a nossa semente de individualidade, ainda que concordemos com muitas coisas, guardamos muitas vezes nossas opiniões reais, nossas verdades. Aquelas que não falamos pra não magoar, ou pra não ofender, por sermos tão políticos e diplomáticos. Tinham chegado a um ponto culminante da amizade e junto veio à ventania original nesses momentos de tensão, que saem derrubando tudo que não é sólido suficiente, que não tem base. Tudo que era superficial acabou.