terça-feira, 12 de agosto de 2008

Silêncio.

- Ele chegou!

A mãe dela deu um grito.
Ela já estava pronta. Era uma família de poucas posses. Não tinha tantas roupas boas pra ocasiões como aquela, mas se fez bonita como pode. E não deixara de estar realmente. Quando o viu lá, a esperando.

- Desculpa a demora.
- Nada, tenho certeza que valeu a pena cada minuto.

Ela sorriu. Foram para o carro, não estavam a sós como ela imaginou. Havia um rapaz dirigindo e uma moça ao seu lado, eram namorados, pelo menos era o que parecia. Ele a apresentou.

- Essa é minha namorada.

Então todos se olharam e sorriram. Seguiram. Ela inda não sabia pra onde iriam, não tinham combinado nada em especial, apenas sairiam àquela noite. Pararam num barzinho. Bem charmoso por sinal. Novidade pra ela, que ainda não entendia tanto de bares assim. Saia pouquíssimo, e bebia menos ainda.
- Vai querer beber o que?
- Uma coca-cola com gelo e limão.
- Coca-cola? Não. Vou pedir uma caipirinha pra você.


Ela aceitou. Conversaram muito, os quatro ali. E assim foram noite adentro, ela nem sentiu, mas já estava tomando a sétima caipirinha, que ele, tão gentilmente, fazia o favor de repor assim que estava por terminar, de um jeito que parecia sempre que era o mesmo copo que nunca acabava. Uma caipirinha mágica, com poder de alto-preparação.

- Vou ao banheiro. Licença.
- Opaaaaa...
- hahahaha... acho que eu bebi um pouco demais.
- Vamos pedir a conta, enquanto isso eu te acompanho e te espero a porta do banheiro.
- Certo.
........
- Pronto. Podemos ir.
- Me segura que ta difícil andar tropeçando no meu pé.
- To segurando...

Entraram no carro e ela logo se ajeitou em seu peito. As pálpebras já não lhe obedeciam, estavam querendo fechar a todo custo. Então ela dormiu.

- Ei, ei...acorda.
- Hum....que foi? Onde a gente ta?
- A gente ta junto. Isso ó que importa né?

Então ele a beijou. Seu beijo tinha certa violência que ela ainda não havia conhecido. Um beijo que a invadia. Não era bom. Não para aquele momento. Estava num lugar estranho, nunca havia estado lá. Estava enjoada, tonta, nem conseguia organizar as palavras, nem muito menos pronunciá-las, só queria que ele parasse com aquilo, mas não conseguia dizer. A bebida tinha absorvido suas energias.

- Vem cá. Deita aqui.... Vem.
- Não precisa empurrar, eu não quero deitar.
- Vai deitar sim.
- Para....

Ele tirou sua roupa. Agora ela sentia medo. Medo, enjôo, tonturas e muita dor. Tinha 16 anos. Nunca havia estado com um homem naquelas circunstancias. Só havia tirado uns pequenos sarros, no máximo. Porém o medo a fez parar de relutar, ele se tornava cada vez mais violento. Ela o conhecia? Quanto tempo passa pra se descobrir a verdadeira face de uma pessoa? Será que alguém consegue enganar outro por tanto tempo? Eram perguntas que ela fazia enquanto ele a dilacerava, abria seus caminhos com a força de um trator. Sem respeitar o momento dela. Não o conhecia. Estava diante de um estranho nu, que a possuia.

- Ai, ai... por favor, ta doendo...aaaa.
- É assim mesmo, fica caladinha que a dor melhora.
- .....

Eram segundos que mais pareciam séculos. Como o tempo demora a passar nesses momentos. Enquanto ele saciava sua fome nociva e selvagem de animal, ela chorava. Chorava a alma dela, os sonhos, os planos de como aquela noite seria um dia. Um castelo de cartas, se desmoronando aos seus olhos. Ela chorava aos soluços. E pareceu que dentro daquele mente pérfida e doente, através de uma surdez ferina e insensível, ao invés de sentir mal com aquela situação, ele a ouvia gemer de prazer. Então... gozou.

- aaaaaaaaaaaaaaaaaaa....
- ...........
- Quer tomar um banho?
- ........................
- Vai se vestindo que quando eu voltar do banho te deixo.
- ...............................

Ela não conseguia mover-se. Estava a sentir uma dor que não conseguia exprimir. Chorava lágrimas infindas. Não conseguia se controlar. Não tinha forças. Ao voltar ele a encontrou na mesma posição. Ela não tinha se movido, era como se não sentisse as pernas, os braços, o corpo. E, de repente, como em um ato extintivo de compaixão, ele se pos entre as suas pernas e lambeu seu sexo. Ela não se movia, nem sentia nada. A língua dele parecia sal em ferida aberta, mas ele permanecia lá, e assim por alguns minutos. Então se pôs de pé e a ajudou a levantar e se compor. Era sem dúvida uma mente doente. Ela já não tinha dúvidas, mas não queria atiçar aquele ser que adormecera em seu infortúnio, nem o olhava nos olhos.
Permaneceu calada todo caminho de volta, o seu silêncio e suas lágrimas que não cessaram, criou um atmosfera de velório no carro, onde o casal de namorados permaneciam. Eles foram buscá-los de dentro do seu maior pesadelo , e era provável que houvesse a levado também. Eram cumplices do crime.

- Pronto. Chegamos.
- ........................................

- Pegue sua bolsa.
-..................................................
- Espere, deixe-me acompanha-la até a porta.
-..........................................................

- Não dirás nada?
-...........................................................................

5 comentários:

Luanda Moura disse...

Forte e inquietante...

No meu mundo. disse...

Noossa, sem palavras!
Me deu um nó na garganta.

Pelos caminhos da vida. disse...

Primeira visita!

sem palavras.

uma otima tarde.


beijooo.

Thefy disse...

Muito triste...sem palavras...
Bjokas flor
Primeira visitinha..

Kari disse...

Forte, instigante e dá mesmo um nó em qualquer garganta...
E claro, acima de tudo, maravilhosamente bem escrito!!!!