sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Não quero mais.


No fim de semana fui arrumar coisas antigas, entulhos que vim guardando ao longo dos anos, e me deparei com um verdadeiro acervo das minhas memórias. Foi um mergulho ao passado. Minha primeira intenção seria me livrar daqueles papéis e objetos sem valor nem utilidade. Antigos boletins de escola da época do primário, carta de amigos passados que nunca mais tive notícias, lembranças de fim de ano, cartas de primos distantes, cartinhas de amor que não mandei, e cartinhas de amor que recebi. Uma loucura. Loucura ainda foi ver minhas agendas. Agendas Chomp, todo ano eu ganhava uma e nunca deixei de escrever um único dia. Então mudei de estratégia, ao invés de simplesmente renunciar de tudo me cerquei de um jeito que passou um dia inteiro e eu lendo, principalmente as queridas agendas, como um dos melhores livros que pudesse existir, livro que não se dedicava a um único gênero, mas a vários, comédia, romance, drama, aventura. Minha história, dia por dia contada por mim, uma biografia. O mais interessante foi que todos os sentimentos voltaram, eu lembrei de cada dia de um jeito que parecia que tinha vivenciado em poucas horas. Os cheiros voltaram às dores, que loucura aquilo tudo. Me emocionei, chorei muito, por saudade e por perceber que a vida é assim, ela passa e leva sempre algo, leva até o melhor de nós. Tudo que foi importante e necessário um dia acaba em páginas de agenda, ou em boletins da quarta série. Tudo. Um tudo que nem tem como calcular. Meus entulhos eram tesouros. Tesouros da minha vida. Mas que eu não queria mais. Não quero toda vez lembrar em abandoná-los e eles me prenderem no passado. E sentir toda aquela saudade teria sido muito bom, se junto não tivesse vindo à dor da perda, dos arrependimentos, das angústias e do medo do tempo passando sem nem olhar por nós. Resolvi então que dessa vez aquelas coisas teriam destino diferente do que eu havia dando até o momento. Não queria jogar no lixo, acho que jogar memórias no lixo é como jogar a você mesmo, então, queimei. Queimei tudo que vi pela frente. As agendas Chomp, os boletins, as cartinhas e tudo mais que pudesse me lembrar uma fisga do passado, tudo se esvaindo em chamas, não foi triste, nem difícil, depois que a gente toma a iniciativa, fica tudo mais fácil. Enterrei meus fantasmas, vou deixar o passado lá, quieto no lugar dele, o que ficou de bom eu guardarei em outro departamento.

6 comentários:

Alê Raposo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alê Raposo disse...

Tu queimaste????? Nossa, não tive essa coragem, na verdade, nem senti essa vontade. Algumas coisas que não iam fazer falta, que não siginificaram nada foram pro lixo há séculos, mas tem algumas, como agendas, bilhetes inocentes e presentinhos que estão lá guardados dentro de uma caixa. E que agora deu uma vontade de olhar...
Eu nunca usei as minhas agendas como diário, nunca fui de escrever o que acontecia no meu dia num papel. Sempre escrevi músicas, textos bacanas, colava algo que lembrasse o dia ou alguém importante... mas aquilo fez parte de um tempo que não quero esquecer, e são engraçados, incoentes... por isso não me desfaço. Pelo menos por enquanto.
Foram-se as agendas e vieram os blogs né?
Beijos

Kari disse...

Eu tinha agendas, mas nunca consegui escrever todos os dias, só nos dias "importantes", aí, resolvi pegar um caderno e escrever os dias importantes de todas as agendas... Escria detalhes e, sempre que leio, consigo até visualizar a cena...
Quando me mudei dessa última vez, peguei muitas coisas e também queimei. Foi como me libertar do passado. Eu vivo tentado me libertar do que passou... Rasguei as cartas do primeiro namorado, antes mesmo de arranjar o segundo e desse, só consegui rasgar anos depois, mas finalmente rasguei, queimei e segui em frente...
Tenho uns cadernos que escrevo poesias e é engraçado lê-los, pois, cada uma das poesias são de uma época da minha vida....
Obrigada pelas lembranças...

Beijão pra tu

Dayane disse...

Ainda bem que vc,mesmo guardando e recordando,queimou tudo,deixando apenas na memoria.Se ficarmos guardando muitas coisas velhas em nós,nao damos espaço para as coisas novas entrarem,e ficamos remoendo pedaços do passado,fragmentos de epocas que ja nao nos pertencem mais.

disse...

Já queimei textos ficcionais escritos há tempos, mas textos memoriais eu guardo com carinho pra, reviver a cada releitura. E é uma sensação impressionante de desconhecimento de nós mesmas.

No meu mundo. disse...

Nossa, fiz isso essa na quarta-feira e como foi difícil.
Difícil porque não queimei, joguei minhas agendas-diário pelo lixo.
Mas como vc disse tudo passa depois que vc toma uma atitude, só que dos meus bilhetes, cartinhas dessas coisas acho que não vou me desfazer nunca.
Fica guardado para sempre que precisar eu lembrar com carinho dos momentos que vivi.
Bjos.