quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A espera.


Sara não sabe gostar.
Pensa que sabe, mas não sabe não. Ela só quer o que não é pra ser, só sonha com o que não vai ter. Seus desejos são fortes, mas Sara é fraca demais. Ela vive dos sonhos e vontades que vem se acumulando ao decorrer da sua vida. Um ciclo incessante. Vão se apagando assim que novos aparecem. Porém Sara nunca se movimenta pra que se realizem. Um enorme buraco se formou no lugar dos projetos. Um buraco que aumentou, aumentou, aumentou e ta quase engolindo ela. Sara espera muito. Ela espera tudo que se possa imaginar. Sara quer um milagre. Mas eu já disse a ela que milagres não existem.

ps. Depois de algum tempo sem aparecer. Saudade daqui.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Conclusões.

Não existe uma idade para as dúvidas, elas sobrevivem da nossa constante procura de um lugar ao sol. Sempre assolam as mentes de quem espera mais do que trivialidades condicionais. Mais do que só ter um diploma. Mais do que só ter um trabalho pra pagar as contas. Mais do que ter uma família com marido, filho e uma casa (apesar de ser bom). Quem quer mais que isso, ou quer algo totalmente diferente sofre com as interrogações que sobrevoam os pensamentos, sem saber se o caminho que se escolheu para trilhar é o certo, o que vai fazer da gente feliz e realizado. Afinal, essa é a principal busca incessante do ser... Apesar de não ser a mais importante. Ninguém busca, por exemplo, o auto-conhecimento, não do conhecimento de si apenas, mais o auto conhecimento de SER humano, existir. Da utilidade, do que se pode fazer pelo próximo, semelhante. O que vejo é hipocrisia e reclamações, sem atitudes, sem movimento. Reclamações que não passam de palavras soltas sem rumo. Não há mais busca porque tudo nos é dado, acabou a filosofia real, aquela das indagações, dos porquês. Conformistas, ignorantes, isso que somos um conjunto de pessoas pensando os mesmos pensamentos, numa coletividade fútil e egoísta. É simples assim. Cobram-se condutas e comportamentos, cobram-se presença, amizade, respeito, fidelidade. Cobram-se o que não tem valor estimado, o que é tão grande e tão fugas. O que lida diretamente com os sentimentos, estes que são simplesmente incontroláveis e por serem assim, escapam do nosso poder. Eis um fato: Não podemos tudo... Nem sobre nós mesmos.
Estou passando por um momento ambíguo. Enxergando as dimensões do tempo, de quando ele está pra vir e de quando ele já passou, e como são equivocadas as percepções. Do lado de vir é angustiante só imaginar esperar. Quando passa é tão efêmero que a gente se sente um idiota, e é ai que vemos que nada mudou simplesmente porque permanecemos parados por todo o percurso não percorrido, assistindo o espetáculo das nossas perdas como expectadores de sessão da tarde. Estou tentando lidar com valores e medidas pra ver se as coisas passam a fazer mais sentido pra mim, como a rotina cansativa e a falta de novidades, por exemplo, e do quanto eu preciso de mim mesma para ser alguém melhor.