quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Siga a decifrar meus sonhos...
Que sigo a te devorar.


O que esperar de mais um ano? Mais do mesmo, ou sonhar acordada com ainda mais Poesia...?

Algo do tipo "tolices, timidez, charminho": dizer que não quer, desejando ardentemente o que se diz... É quando o não é sim, talvez pura certeza: imaginar essa vivência latente em mim por novos dias! Quando o abraço quer ser beijo e as mãos espalmadas querem ser mais que mãos, querem ser corpo inteiro, pele e totalidade, num toque espalhado, onde tudo se sente, até o dilatar dos poros liberando o bafo do suor escorrido da pele!

Loucura é sonhar, desejar acordar ao lado dele, envolta, e achar que aquele cabelo assanhado é o mais bonito penteado que jamais viu e o hálito do primeiro beijo do dia, ainda se espreguiçando na cama, o melhor gosto que já sentiu...

O pensamento é mesmo deplenitude, de correr junto, tomar banho se enroscando, assistir filme francês de qualidade mais ou menos, comendo alguma coisa, qualquer, mas que dado na boca tem outro sabor - alternando, é claro, com beijos da mais alta qualidade! E, de repente... Ops: o DVD continua rodando velozmente e o filme segue passando, a mocinha tem que parar de sofrer para assistir a cena inusitada: sem palavras... Amor feito, formado, amado, gozado! Como é pra ser, como simples que é...

Feliz 2010 para mim: felizes sonhos decifrados por aqueles que também sonham em amar, para todos nós...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Era uma vez... Em uma França ocupada por nazistas...


Assisti o filme que, para mim, (opinião pessoal) é um dos mais fodas de todos os tempos (foda porque bom, ou muito bom, ainda é pouco): Inglourious Basterds do diretor Quentin Tarantino. Para os amantes da sétima arte, e os apaixonados pela obra desse diretor (que poderia atender pelo nome “personalidade”, ou “originalidade”) é bem sabido que toda nova produção dirigida por ele cria grandes expectativas, e depois do brilhante Cães de Aluguel (opinião pessoal) que me arrancou risos (gargalhadas), em meio a cenas de violência e rios de sangue num tom surreal, confesso que não esperaria menos; o que aumentou ainda mais minha ansiedade. Já era fã de Tarantino, e agora, eu sou até suspeita. Adorei tudo: cada fala dos personagens, a postura de Brad Pitt (alma do filme), cada ângulo, o tom tragicômico, cada movimento da câmera, tudo é perfeito.

Bastardos Inglórios conta a história dos primeiros anos da ocupação alemã na França através de dois personagens principais: primeiro o tenente Aldo Raine (Brad Pitt), que organiza um grupo de soldados judeus americanos para se vingar dos alemães pondo em prática um plano de terror, sempre deixando sua marca. No inimigo morto a marca é tirar o escalpo dos soldados, igual os apaches dos filmes de faroeste; no inimigo vivo é registrar a suástica, principal símbolo nazista, na testa com a ponta de uma faca, deixando uma cicatriz eterna. Passam então a serem conhecidos como “Os Bastardos”.

A segunda história é a da jovem Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent). Judia, consegue escapar do massacre que mata toda sua família para depois de quatro anos, ficar cara a cara com o seu algoz, o coronel Hans Landa (Cristoph Waltz). Atendendo sob o falso nome de Emmanuelle Mimieux, ela dirige uma sala de cinema. É uma mulher linda e cheia de personalidade. Amargurada por um passado, se torna dura e vingativa, como todas as outras heroínas de Tarantino. O cinema que herdou dos seus tios, passa a ser o local ideal para por o seu plano de vingança em prática.

As personagens se cruzam, mas não se misturam. O melhor é que Tarantino faz uma total ruptura da história que conhecemos sobre o holocausto, é uma ousadia fabulosa. Ele coloca elementos e faz um percurso que ninguém espera, porém satisfaz e você sai do cinema com a sensação de final, de ponto. E com a certeza de que se fosse você dirigindo, não faria melhor. E é isso que eu mais gosto nos filmes, sair completa, sem deixar nenhum pedaço. Não gosto, em nada, de filmes sem final.

Enfim, é isso. Estaria eu aqui, metida à crítica de cinema? (rsrsrs) Não. Apenas um desabafo de quem está achando que testemunhou uma obra prima, e sabemos bem que obras primas em tempos atuais é quase um milagre. Então, resolvi dividir esse momento e espero que todos tenham a chance de assistir. Para quem não conhece o diretor Quentin Tarantino, eu digo com propriedade: é um gênio. E digo mais... Assistam.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Eu sei...


Troquei a vontade de ter por sentir.
Certas coisas deixaram de passar despercebidas por mim, algumas reticências que nunca vi, existem agora e deixam tudo com sensação de infinito...

Que o tempo passa, eu já sei, contudo que ele consiga apagar desejos intensos, e sentimentos verdadeiros eu duvido. Passe o quanto quiser, a força da vontade é imã, ela atrai os corpos, que um dia, inevitavelmente, colidem, explodem, e se eternizam.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009


Trocar as peças desse armário fosco, dessa casa escura, dessa vida turva de olhos meados em lágrimas salgadas demais, por um pouco mais de açúcar. Pra não amargar o afago de alguma boca sincera.

Sair correndo atrás de qualquer folha solta, e arriscar chegar perto de um abismo insólito, só pra sentir o frio na barriga; nunca muito perto, só o suficientemente seguro.

Abismos são traiçoeiros, eles encantam com o seu canto eco, na voz oca dá dúvida, de um possível dar certo...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Lembrança...


Não dormiu direito sentindo sua falta... Sonhou com ela.
Nos poucos momentos de sono que teve, pensou senti-la em seus braços, até perceber segurar o travesseiro que, sem dúvida, beijou impetuosamente. A boca doía. Uma sede daqueles beijos de horas, de mão na nuca e arrepio. Ela tinha um jeito diferente de se arrepiar, não era igual as outras que já viu. Especial nos gestos que fazia, ao fechar os olhos e entreabrir a boca, em por as mãos no ombro dele, deixando os seios desprotegidos. Admirava aquela cena, o foco dos seus desejos, aqueles seios em suas mãos... Que saudade. Um estrago que fazia nos seus sentidos, era só pensar e pronto, suficiente pra uma noite de sono agitada, acalentada por suas vontades e cobiças. Queria estar com ela, só isso.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Após um dia...

Já é difícil um dia inteiro. Ai chega em casa e começa a ouvir impropérios ao seu respeito: - Como assim? O que foi que eu fiz mesmo? Só me lembra porque eu não faço nem idéia! Um dia inteiro fora de casa, só queria um pouco de silêncio. - Sem perguntas, por favor. Eu não sei... Não sei... Não sei de nada.
Queria saber qual a sensação de incomodar alguém. Sim. Porque alguma boa deve ter, já que fazia bem uma hora que tinha chegado e ela ainda não tinha parado de falar, falar não, reclamar. Simplesmente não tinha para onde ir. Não podia se calar diante de tanta infâmia, mas também não podia disparatar palavras soltas, mesmo que na tentativa de se defender, isso só iria piorar. Começou a andar pela casa, relativamente grande, mas muito ocupada, por coisas e pessoas. Coisas desnecessárias, e pessoas... igualmente. E sem muitos atrativos também.
Realmente, não tinha o que fazer.
Foi beber água... Gritou da dor que sentiu ao morder a parte inferior da boca. Uma senhora mordida, com direito a sangue, muito sangue e lágrimas. Aproveitou pra chorar a raiva que estava sentindo. Era só o que faltava para completar a situação caótica que se encontrava naquele momento. Porque mesmo? Não sabia ainda...
Há necessidade das explicações, das teorias bem montadas, amarradas pra convencer algo, ou qualquer coisa. As dúvidas são o que sobra: Porque tudo é assim? Porque eu sou assim? Porque o amor machuca? Ou ele não machuca? A culpa é minha?

Nem tudo é de compreender. Podem haver explicações, podem sim, tantas sabe, que de repente é até melhor não saber; deixa assim como está.

Não entendem o amor? Claro, ele não foi feito pra isso. O amor é exato, prosaico, ordinário, ninguém consegue mais perceber sua complexidade... Só sei que é no amor o tudo que acredito.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Sentindo...


...Na pele
Teu toque literal.
Medido, forçado,
Calmo e atrevido.
Baile dessa vontade súbita.

No meu corpo,
Angustia e espera,
Satisfação e expectativa,
Dor e entrega...

Ensaia nesse palco
Meu espetáculo sonhado,
Em pensamento acordado
Vivido intenso em alento,
Alimentado das respirações
E gemidos alienados.
Estrelado por você
Nesse tablado que sou eu.

Suspiro das aspirações,
Tu, nome que grito em lubricidade
Na lasciva necessidade do toque.
Mãos que na ilusão se faz corpo,
Fantasia teu desejo misturado
Em minha luxúria...

Essa pele é o arrepio do teu sopro,
Sombra do teu cuidado.
Esse corpo seu instrumento de encanto,
Busca e felicidade.

Arrancar meus delírios é sua missão,
Inspirar seus carinhos é a minha recompensa.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Ando meio desligado....

Fim de período na faculdade, trabalhos a serem realizados, o tempo que não colabora muito, e uma verdadeira confusão que vem me impossibilitando atualizar esse espaço, bem como visitar todos os blogs amigos que tanto gosto. Vou deixar passar essa poeira e volto a me dedicar melhor. Por enquanto, venho gentilmente pedir que visitem um novo espaço criado em equipe, por mim Érica Colaço, Bruno Nogueira e Ariane Feitosa. Foi um dos trabalhos que eu precisei me dedicar e que tomou mais tempo que o esperado. É um blog informativo que aborda diversos assuntos, muita coisa da minha cidade (Recife/PE), mas também outros temas mais genéricos, o link é esse aqui embaixo:

http://girourbano.wordpress.com/

Aguardo todos por lá, beijos e até semana que vem finalmente livre.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Daqui...

Um pulo do alto mais alto...

Ela saltou e foi sentindo a queda com certo prazer pernicioso, uma excitação congênita, incontrolável, dominando todos os seus espaços, deixando-a extasiada naquele abismo sem precedente que a atraía como imã a um mergulho de sensações.

O vento de uma altura daquelas é gelado, mas conforta o coração; dá medo, mas também vontade de continuar. Ela não se esqueceu da altura indeterminada e que poderia passar o resto da vida ali, mas já se jogou há um tempo considerável e é chegada a hora da colisão.

Pensou enquanto caía "Lá embaixo algo pode me amparar, suavemente"... Agora, mais perto, acha que não. Ainda não vê o final, mas sente que não há nada esperando por ela. E todo mundo sabe o que vai acontecer: quando um corpo se joga de certa altura, alcança determinada velocidade e o atrito é inevitável - cabeças vão rolar, corações hão de se expor e contornos deixarão de ser pernas para se tornarem quebra-cabeças.

Ela avisou "Não me solta"... Mas é complicado quando o corpo tende a cair por si só, e, do outro lado, há um abismo natural - os braços não aguentam...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Pernas pra que te quero pernas porque te quero pernas...


Nossas pernas cansadas
entrecruzadas no ar
entregues ao nada
esperando janeiro chegar...

Desejo...

Esse meu desejo por tuas pernas, esse meu fetiche eterno, Érica
Fico a te poetizar em meu inferno particular,
Santa Érica

A me banalizar...


Essa é tua última chance
Chora
Tola Érica
A esperar...

(Eu, para Tu, com carinho)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Tua e Meu...

Sou tua, sim, completamente nua e entregue... Porque me pegaste pra ti, porque parece que já tinhas o meu manual de instrução... Porque decifras meus sonhos e sabes do que eu gosto e quando eu quero... E porque, quando estou contigo, o mundo gira tão devagar...

Mas, se fosses meu... Ah, se fosses meu... eu poderia fazer tantas coisas maravilhosas... Tal como dizer a uma estrela “pare onde está e ilumine o caminho do meu amor”: e toda estrela, acima de ti, saberia obedecer, como eu... Ah, se fosses meu, só meu: eu poderia viver apenas para seu amor, ajoelhar no seu santuário e desistir de tudo o que possuo – sim, até meu coração, até minha vida, eu trocaria para te ter... Pensa só quão sortuda eu seria se te tivesse... Johnny Mercer e Matty Malneck já disseram isso uma vez... E Billie canta bem melhor que eu... É, ela já sabia disso bem antes de mim...



"Two or three girls/ Has he/ That he likes as well as me/ But I love him"... My Man: Letra de Ira Gershwin e Música de George Gershwin. If you are mine: Johnny Mercer e Matty Malneck, na voz da imortal Billie Holliday: quando voz e música se fundem numa coisa só para cantar o amor...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Alvorada


- Não vives
Nem respiras
Sem mim:
Tu nem sequer gozas
Sem que eu diga que sim...!

- Por isso mesmo
Não me deixes,
Ne me quitte pás...
Agora que o Sol deu de brilhar
Vens me falar em despedida?...
(Logo tu, que tanto sabes do mar?...)

O mar reluz só, sereno, ao largo e ao léu
E eu, diante da imensidão risonha deste céu,
Sigo sem entender a lágrima de tua partida...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Como quem chega do nada...


Sorrateiro, Ele se instalou. Deu um jeito de se aconchegar naquele Peito sossegado e permanecer cantarolando suas peripécias, suas virtudes congênitas, próprias das grandes personalidades! O Peito adorou e logo abraçou aquele inquilino tão cheio de histórias sem fim. Só que, como todo posseiro de vida, às vezes aparentava que em breve partiria, embora nunca tenha sido isso que o Peito quisera... Tratou Ele então de arrumar seus espaços, de um jeito tal que pelo menos 1/4 do cômodo ficasse eternamente ocupado com sua presença...

Não dizendo nada, Ele seguiu dormindo em cima de apreço, acordando embaixo de chuvas de entusiasmo e se alimentando de todo carinho daquele íntimo pulsar do Peito extasiado. Foi ouvido e admirado. O Peito, que sempre quis encontrar o que abrigar, dessa vez achou mesmo que o locatário havia se agradado daquele espaço e que iria viver ali por um tempo interessante... Mas, não: alguma coisa aconteceu; Ele não se sentia mais tão em casa, nem tão confortável nas instalações...

Vai andar, então, por vias que esse Peito confuso não encontra... O Peito já sente falta, mas sabe que vai esperar que Ele volte, mesmo que em temporadas de baixa estação, nem que seja só para se abrigar do frio que um dia ainda há de sentir...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Como eu sei? Eu só sei!



Sorri agora, todos os dias quando acorda... É tão natural!

Fazem parte de suas alvoradas todas as alegrias condicionadas, nos sorrisos iluminados... Como se a luz, que produzisse tais sorrisos, ofuscasse tudo... num raio de até 1.544 km - um longo caminho, como de Recife a São Luiz: toda a extensão deslumbrada do querer mais intenso! E o sol? Fingindo-se de astro-Rei, roubando o brilho das afeições.

Ela levanta e caminha com certa oscilação, grande afã procedente de uma saudade que fez morada do seu coração. Abre os braços, já pensando nos abraços dessa ternura, desse carinho que cheira a poesia; a um samba com sabor, que a mantém no compasso até nas noites intransitáveis, que traz uma multidão de saudades...

O tempo? Calcula (sob uma matemática mandingueira) mais alguns milésimos de compreensão, e ela vai levando... Porque enquanto for assim, completo e repleto de paixão; enquanto sentir essa deliciosa proteção; enquanto Chico, Noel, Nelson, Tom e João cantarem os seus passos, guiarem sua emoção, não haverá razão pra mudar! E tudo vai permanecer igual: afinal, não há mais nada a fazer...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Começo...

Hoje sentiu raiva do mundo... Depois sentiu pena...

Procurou saber dos seus defeitos, suas virtudes defeituosas. E percebeu que não as condena, mas as admira! Seu lado humanista termina por fazê-la entender até das coisas que magoam seu coração. Viu tudo por um outro ângulo, o de cima, e dali enxergou o horizonte e sua curva. E ouviu quando o sol tocou a água do mar...

Hoje viu as pessoas que cantam sem querer, que bebem sem querer, que riem sem querer; que não choram para não estragar a cara; que não gozam para evitar comentários. Engraçado achar que, no fundo, tem um pouco de tudo isso: ama tanto e agora está só, arrependida de só querer! De dar tão pouco achando estar dando muito! De não tomar conhecimento de tudo que passou! Erros...

Pouca coragem para ir até o fundo? Se ainda quer tanto sentir o amor, chorar, gozar o amor... Passar o dia olhando olhos de enternecer. Ter ressacas de beijos e grude de suor nos abraços intermináveis. Aproveitar esses momentos que ainda não passou, todos aqueles desejos que ainda não sentiu. Gritar... Porque a vida é grito! Quer amar até o fundo sem ter medo, sem sentir o coração gelar! E não acabar antes do fim, porque sabe que ainda nem começou...

"Vem saciar essa tua agonia no meu corpo.
Que quando for o jorro do gozo, cuspirei na tua boca para só então te penetrar."

(John Donovan)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Nem sei...


Abrir-se em certezas não é tarefa das mais fáceis. A verdade às vezes é feia, cruel, carrega o peso dos passos mal dados, que, na maioria das vezes, queremos guardar apenas, deixar no cantinho das coisas que não devem se repetir... O que for de compartilhar que se reparta então: todavia, o que não diz respeito, não precisa ser explanado, não há necessidade disso! O começo é daqui pra frente. Daqui pra trás, acabou, é rastro de memória.

Contudo, acho bem mais difícil mentir, inventar. Não por ser, em si, difícil, mas por exigir do indivíduo uma grande carga dramática: a criação de um personagem imediato, numa instantaneidade absurda... E eu, por experiência própria, sei que não saturo essa veia artística! Ao contrário, o pouco tempo que me dediquei ao teatro, com suas facetas e peripécias, não fui muito consagrada, e, depois de alguns percalços e tropeços, desisti de tentar minha vaga na Malhação... Enfim, tanta introdução foi só pra chegar a um ponto categórico: no que queremos acreditar? Verdades austeras ou suntuosas mentiras? Não sei, decididamente. Sei que todo mundo reclama dessas “falsas verdades”, mas há muitos que prefiram confiar nelas: são mais deleitáveis, coloridas, cheias de efeitos especiais e experiências mirabolantes!

Perdoem-me, não tenho isso a oferecer! Já fui posta em dúvida, sei que nessa vida todo mundo paga um preço alto com decepções, que as pessoas magoam as outras, sei o quão é complicado confiar. Só que eu ainda confio; na dúvida, prefiro essa opção: acho mais digestivo do que ter que por à prova todas as linhas que me narram. Só que não gosto de implorar! Não condeno, não julgo nada nem ninguém; reconheço as falhas humanas, todas as suas artrites, e persisto quando acho que vale a pena, mas só até a página 20, depois desisto, muito contra minha vontade algumas vezes...

Começo a pensar que ninguém sente mais tudo isso que é de se sentir, acabou-se o que era doce... Sou metódica, vivo e vivi muita coisa, mas dentro da conjuntura corrente: não saio em busca de aventuras. Poderia até. Afinal, até que elas poderiam tomar-me de assalto qualquer hora...

Às vezes, ou na maioria das vezes, sou tomada por esses desejos insanos (?) de abraçar o mundo! Sair correndo, viver mesmo! Mas as circunstâncias não permitem, tenho uma família na fila da cobrança, um curso de jornalismo quase no fim, projetos de um futuro bom (ainda que eu ponha em dúvida o quanto esteja fazendo por querer ou por estar condicionada a alguns enquadramentos – onde todo mundo acaba se perdendo – e também o quanto que esse “bom” é bom mesmo!)... Um passo após o outro... No fim, acho que não se trata de vontade, mas condição. Daquelas deliciosamente impostas por algo maior e niilista que foge ao meu controle e escapa para longe do meu mar... Acho mesmo é que, no fim, eu só quero amar...! Algo como ficarmos a ver uma rosa suspensa no ar...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Quase tudo...



Um mistério
Envolvente.
Me leva...
Um jeito de se mostrar
Preservado,
Mas sem se esconder,
Sem medo de ser.
A intimidade que quer,
Do jeito que quer,
Sem invadir, sem arranhar.
O silêncio de quem observa,
Pra encontrar o que valha,
O que prenda.
Minha curiosidade maior.
Meu desejo maior.
Sabe das palavras
E seus efeitos colaterais.
Certas,
Cada uma em seu lugar,
Um passo após o outro, sincronizado.
Um balé bem ensaiado,
Dentro de mim.
Percorrendo meus espaços,
Pensamentos.
Ele é assim, simples assim.
Sem forçar.
Sabe que não vou me assustar,
Que não vou achar ruim,
Sabe o que espero,
Sem eu ter que dizer.
Tudo que quero sem nem saber.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Diálogos da Ilusão



– Ilusão?

– Que queres ainda, criança?

– Que voltes pra mim...

– Não vês que isso não te faz bem...?

– Gosto das cores com a tua presença!

– Não são tuas cores...

– E as flores azuis?

– Que não tocaste? Nunca existiram!

– Como não? Elas sempre nasceram no meu jardim!

– Engano... Doce engano!

– E o céu laranja? As chuvas de mel?

– As chuvas de sal que derramas quando te deixei: dessas sim deverias te lembrar!

– Não acredito no que dizes!

– Gostas da dor quando te mostro a verdade?

– Não. Gosto dos sonhos que me desenhaste...

– Desculpa... Não me criei para ser gentil...

– Mas e quanto a todas aquelas gentilezas...?

– Não era eu, mas tua vontade!

– Secura que nunca vi...

– Porque nunca quiseste ver nada além de teu nariz...

– Isso é um fim?

– Não, apenas um começo... Um recomeço, se assim preferires!

– ...

– Encara os fatos: há cor por trás do cinza que achas enxergar agora...

– Não consigo ver nada além de ti!

– ‘Tá difícil...

– Impossível! Com certeza, nunca tiveste alguém assim como eu!

– Assim como?

– Persistente!

– Qual o quê?... Pura ilusão de grandeza tua! E tenho mais o que fazer...

– Mais mundos a destruir... Amores a inventar... Cores a soprar no ar...

– Isso: pérolas aos porcos... Pegando, enfim, o espírito da coisa!

– “Ao vencedor...”

– “As batatas”! Também gosto de Literatura... Alimenta e me ajuda em boa parte do trabalho... Especialmente as mais líricas!

– Olha que... Que... Eu me mato, ouviu?!

– Sinta-se à vontade... Ei? Alguém aí do outro lado...? Adeus, enfim! Acho que caiu na real...


(Érica Colaço e Dilberto L. Rosa)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Em Negrito



Acredita em mim? No que te digo?

Não sou puta, nem sou santa...

Não te espantas: pois apenas quem procura

Busca os contrastes e as descobertas

Dessa janela que se abriu sobre os meus olhos...


E, pra ti, completamente aberta,

Tenho certeza que nasci para um dia

Estar em teus braços

Na plena amplitude de tua Poesia...


A dor desses beijos guardados, vividos em alento, querendo voar...
Na posse do que se conquista, aquele corpo entregue ao desfrute de um amor bandoleiro...
Vivo das carícias perdidas por linhas em versos de modorra, que levam a flutuar corpos e mentes, sonhos e desejos, tudo na mais perfeita dicotomia proporcional... Os beijos serão intensos, como a saudade já o é! Todas as notas que os corpos tocarem, os dedos seguirão a compor, na música dessas almas sedentas por entrega e momentos de paixão literal!
Sozinha, fazendo de mim tua morada... Ai, de meu desespero pela tua presença... A mão nos cabelos enrolados nos dedos, já melados de tanto desejo, bafo na nuca, mão na cintura, firme, a lambida na orelha, língua e mamilo... Do arrepio inevitável à obediencia, o corpo reage à ordem proferida: “Agora”! Certo: agora...!


terça-feira, 8 de setembro de 2009

Desejam-se com os versos que plantaram no quintal,
Desses grandes campos caramelos, perigosos.
Ao léu, só a ilusão, suspensa por uma lei anti-gravitacional,
Que os impedem de continuar com os pés no chão.
Voam sem medo de achar o fim,
Sem medo de tombar com alguma parede de tijolos
Cor de desengano, bloqueando o infinito azulzinho
Dos sonhos misturados.
Ele sabe do mar, ela sabe do horizonte e sua linha.
A lã mais forte que existiu,
Da única ovelha dourada que ela ordenhou,
Apenas para tecer todo o horizonte
E segurar o mar que ele tanto sabe.
Nesse rodopio sem sentido, acabou sendo assim.
Sem ninguém mais saber, além deles dois
Dessa nuvem que guarda o segredo,
Da pele macia de algodão e de todo mel
Produzido pela flor, com o vento cantando
Os versos colhidos em campos de quimera.
Essa grata exposição,
Nesse mundo imperfeito e sem razão.

Para iluminar esse modesto post, um poema sucinto, porém lindo e verdadeiro de um grande poeta, e amigo querido:

"Eterna Crônica do Amor Bandido"

Na inconseqüência
De nos dizermos
Objetivos e racionais,
Sigamos atônitos
E perdidos
Na eterna crônica
Do amor bandido
Entregues às sensações
Mais banais...

(Dilberto L. Rosa)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Se tudo fosse como palavras.
Ditas, malditas, benditas palavras...
Escrita, cantada... Declamada.
Como notas tocadas num velho acordeão.
Quando dita, incita a ressaca modorra,
Lenta de cura, célere do vício de
Ouvi-las novamente ao pé do ouvido.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Um vento frio passou
Abrindo a pele em rachaduras,
Superfície dos desejos escondidos.
Afinidades brotaram pelas
Frestas corrompidas do tecido.
Composição de mistério e curiosidade
Que na mistura colorida
Esquentou os sentimentos de afeição.
Carinho mútuo em instantes
De palavras soltas,
Versos de sintonia.
Saudade nascendo de canções
Canções projetando ilusões
De corpos a meia luz de um sol poente...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

AVISO...

Meus queridos amigos, desta vez venho apenas expor minha insatisfação ao ver um texto, de minha autoria, brutalmente copiado e colado em outro blog. Normalmente ouço muito falar nesses percalços que alguns dos blogueiros que acompanho, com imenso prazer, passam. Mas agora experimento, pessoalmente, o sabor de um plágio e posso afirmar com veemência, não há nada mais desagradável.
Trata-se do texto sob o título “Entre amendoins” que postei no dia 20 de julho de 2009. No blog do plagiador (que no caso é uma mulher) o texto recebeu outro título mas o conteúdo é o mesmo, integro, sem nenhuma modificação. Para conferir e comparar, o meu post encontra-se ainda nesta página mais abaixo, e aqui está o link do plagiador com a copia: http://prihsouzza.blogspot.com/2009/08/cerveja.html.

Um beijo a todos!

obs. continua valendo o texto abaixo "Espera", postado hoje.

Espera.

Sara não sabe gostar. Pensa que sabe, mas não sabe não. Ela só quer o que não é pra ser, só sonha com o que não vai ter. Seus desejos são fortes, mas Sara é fraca demais. Ela vive de sonhos e vontades que vão se acumulando ao decorrer da sua vida, um ciclo incessante. Uns se apagam assim que novos aparecem. Porém, Sara nunca se movimenta para que se realizem. Um enorme buraco se formou no lugar dos projetos. Um buraco que aumentou, aumentou, aumentou e está quase engolindo ela. Sara espera muito. Ela espera tudo que se possa imaginar. Sara quer um milagre. Mas eu já disse a ela que milagres não existem.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Ela.

Rita é introspectiva. Difícil de decifrar. Parece óbvia até uma atitude sua passar a ser questionada. Não esperam nada dela. Nada do que pensa, nada do que sente. Rita não vive falando, não vive mostrando-se. Só o que ela quer. Só o seu sorriso, só a sua loucura. Somente. Não acham que ela seja romântica, a consideram superficial. Rita se apaixona, é incrível como se apaixona. Algumas longas, outras passageiras. Porém, igualmente intensas. Entrega-se demais. Gosta de sentir. Pensa em condutas, em critérios e em conceitos, não gosta dos conceitos, mas vive com eles ao alcance das mãos... E os utiliza... Fazer o que? Ainda não foi amada, às vezes acha que isso pode acontecer, às vezes não. O problema: Rita idealiza o que quer e ela quer porque quer, não adianta ser tão legal, ser tão gentil. Nem ser tão bonito ou tão presente, só precisa ser o que ela procura e o que ela procura é como um sinal de pele. Não se repete, não é tão pragmático assim, não é um estereotipo, é um sinal. E Rita sempre sabe quando é. Uma pena que esses imbecis não percebam que são especiais aos olhos de Rita. Talvez nunca mais detenham um título tão importante, e ainda assim, não percebem. E ela se vai, novamente, com o corpo cheio de momentos não vividos, de alegrias não compartilhadas, de tanto carinho, dos mais generosos que ela sabe dar. Transbordando sua inquestionável presença, sua participação, consolo. Cheia, lotada. Tudo que Rita tem, mas que não lhe pertence. De alguém que ainda não veio buscar seu prêmio acumulado.Falam de Rita por ai. Falam tantas bobagens, tantas que ela nem se esforça mais. Houve um tempo em que isso incomodava, e ela tentava explicar, conversar. Não adiantou. Cada um acredita no que quer e pronto. Perdeu suas forças para essas pessoas conformadas. Pensa em ser realizada, pensa em ser bem sucedida, pensa em mar, em chuva, em montanha, em frio, em vinho, em dança, em samba, em bamba, em mestre, em vento, em sol... A dois.Nada ocupa mais seus pensamentos do que tudo a dois. Precisa. Quer morrer de amores nos braços de um grande amor. Quer ser só dessa pessoa, exclusiva e insubstituível.Rita quer ser feliz, do jeito que ela acha ser feliz.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Alcance.

Te vejo.
Coração cadenciado
No ritmo dos teus pés descalços.
Esquenta meu sangue e
Faz ferver na face o rubor
De uma timidez finginda,
Escondendo o latejar
De um coração que pulsa
entre grandes lábios.
Vens rindo... Lindo.
Caminha lentamente
Contrariando a pressa
Dos meus sentidos,
Meus anseios.
Teu olhar me invade,
Estou nua,
Transparente...
Cada vez mais perto
Te sinto.
Aproximação...
Apreciação...
Reconhecimento.
Toca os dedos delicadamente
Minha pele, meu rosto.
Descobre os traços,
A maciez da minha boca,
Contornos.
Pega com força e
Enlaça em teus braços
O corpo que deseja
Esvaecer na felicidade da
Tua respiração.
Viva música ao meu ouvido.
Ouço: “Toda minha”.
A primeira vez que entras em mim.
Minha pele arrepiada te excita,
Desmonto ao notar tua devassidão.
Um beijo...
Tua língua...
Passeio...
Sabores...
Meu corpo está tomado de você.
Agora ele é teu.
Sabes disso.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Estranho.

Abraço tua mente.
Tudo faz sentido
Quando partilho tuas idéias.
Uma fábrica de sensações.
Provocante...
Me incita a querer-te,
Pertubadoramente.
Teus pensamentos me induzem
E me prendem.
Presa dentro de mim
Em lembranças não vividas por nós dois.
Te sinto como recordação
De minutos atrás,
Em traços incógnitos
Que formei para explicar tua figura.
Te vejo,
Mas não sei quem és.
Reconheço meu corpo
Ao toque dos dedos,
Que passam a ser os teus
Na visão que se forma
Coerente em minha mente.
És tu que me aperta os seios,
Brinca com meus mamilos,
Abraça minhas coxas,
Mergulha entre minhas pernas
E me invade o prazer.
Gozo por ti.
Sentimentos se misturam,
Estou louca?
Que fazes aqui?
Adorável estranho.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Entre as linhas... (final)

Caminhou sem pressa pelo acanhado espaço entre as cadeiras, atraia as atenções e os olhares de ambição... Convite ao toque. E ela desfilava, rodava e gesticulava os braços soltos no ar. Fechava os olhos e sentia a brisa direcionada abraçando o arrepio da pele, contrariando o calor da sala fechada, sem janelas e sem mais as frestas da luz da lua. Desesperados coitados, por não conseguirem mover-se, colados por uma força desconhecida de atração, choravam implorando o contato dela. Crianças infelizes soluçando pelo peito, fome do gosto do bico enrolado na língua. Não sentiu pena alguma, não sentia nada por eles. Dançava e às vezes roçava partes do seu corpo nas mãos congeladas, até sentava no colo de alguns confirmando a excitação bruta... Provocação. Sempre esteve confiante. Obedeceu ao trajeto dos acontecimentos sem tropeçar. Fantoche do acaso, manipulada por um fado vão de ilusão que, no entanto, se rompeu. Alguma coisa permaneceu pura dentro dela dando a cadência do seu samba e o compasso, toda segurança que precisava para ir até o fim, alforriando-se daquela servidão tola e partindo assim o elo que ligava os atos maquinais. Algo não tão exato quanto os passos que dera, mas livre por suas escolhas: Sabia que ali, entre tantos, um (apenas um), poderia mover-se em sua direção. Exclusivamente um qual olharia nos olhos e enxergaria o alento para os seus sonhos guardados. Poderia, finalmente, esvaecer em seus braços. E sendo assim... Amanheceu.


ps. 4/5 de ficção, o resto foi um sonho.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Entre as linhas... (3º ato)

Em uma nova etapa desse drama inconsciente, projetado como destino previsto por um tempo qualquer, esquecido. Ela sabia, outra vez, o que fazer. Ainda nua, porém sem lágrimas nem manchas, começa a admirar seu corpo refletido nos olhos dos espectadores. Espelhos de cobiça. Apesar de parecer que nada evitaria o ataque daqueles homens sedentos (se assim quisessem), permaneceu tranqüila. Eles poderiam apreciá-la até que desaparecesse totalmente, sugada pelas narinas e bocas, feito um pó, proporcionando-os o maior prazer de suas vidas. Todavia não temia por sua integridade. Sentia os abusos daquelas mentes preenchendo suas vísceras de devassidão sem o auxílio do toque, só com o cheiro de suor e desejo que exalavam, fazendo-a aspirar sem alternativa. Hipnotizados pela lubricidade gratuita, pingavam suas angústias. Não se sentiu indefesa ou desprotegida, nem por aqueles pensamentos desregrados. Ao contrário. Alguma coisa nela sente vontade de oferecer o seu corpo, o corpo luxuriante que gostaria de extinguir, que a molha com a corrupção da sensualidade. Queria expelir seu tormento, entrega-lo a esse devaneio...

(e... continua.)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Entre as linhas... (2º ato)

No outro momento estava sem nada. Continuava no mesmo local, agora com uma luz forte apontada para o rosto. Cega com a claridade súbita, chora. Sem entender. Chorou porque a cena era essa. Tinha que chorar e o fez, copiosamente. Lágrimas brotavam profusas, lavando seu semblante, que, anteriormente limpo, sem pintura, mostrava agora uma mancha derretida pelo pranto, escurecendo a face com a maquiagem desfeita... Transfiguração. Ajoelhou cobrindo o rosto com as mãos, estava descalça e nua, sem luz. E, como num sonho incoerente, surgiu uma platéia composta apenas por homens vestidos duramente. Contornaram-na formando um círculo ao seu redor, como se estivessem lá em todos os momentos, guiando as ações, as emoções, desde o começo. Desde quando pensou estar sozinha. O cheiro de madeira fresca do chão, de repente misturou-se com o de guardado dos smokings presentes. Na escuridão inesperada seus contornos agora eram formados das frestas, luzes das noites de lua... Apenas.

(...continua...)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Entre as linhas... (1º ato))

Haviam vários espelhos por todos os lados. Abissais. Cobrindo superfícies inteiras. O chão amadeirado brilhando, refletindo sua imagem. Uma meia luz resumida amarela, ela com um vestido solto claramente consumido pelo tempo, alguns rasgões de lado, cabelos presos pela metade e sapatos que estalavam no chão ao toque dos seus pés. Inquietante e agradável. A intimidade que contraria a memória. Mesmo confortável nunca havia pisado naquele plano. Uma música toca, não sabe por que mas precisa dançar. E dança. Sapateia lindamente. Sabe dos passos, os segmentos, sincronia perfeita dos gestos... Como? Apenas segue uma intuição natural, de como quem já nasce com ela, como quem já nasce sabendo sua dança. Percorre aqueles espaços levemente, quase voando em cada salto. E como lhe agrada aquele som seco das sapatilhas tocando o tablado... Familiar. Estende uma das mãos ao nada, e o nada a entrega um chapéu. Um chapéu–coco, ou de coco, como dizem em Portugal, duro, de copa redonda e aba bem curvada dos lados. Amava esse objeto e nunca havia o visto. Porém, estranhamente, em sua cabeça servia a medida exata, como algo que é feito para ser exclusivo e apesar da aparência desgastada, fazia parte do show. No escuro ela brilhava. Na lisa superfície a luz guiada em sua direção dançava acompanhando seus movimentos. Preciso. Ensaiado...

(continua)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Entre amendoins...

Cerveja. Whisky. Cigarros. Jogos. Os diálogos destorcidos da realidade. Observava aquilo tudo como se não estivesse ali, sentada na mesma mesa, compartilhando daqueles olhares e das idéias loucas. De certa forma não estava. Não participou das brincadeiras, da embriagues lenta, do fumo. Sua cabeça flutuava para longe do corpo, sem precisar de auxílios terceirizados, suspensa no ar pelo carbono liberado das bocas presentes, a mente perdida no desequilíbrio. Olhos submersos, cabelos oleosos, bocas abertas, dentes, palavras soltas caindo sobre o chão gelado, voando ao vento, desnorteadas. Narizes guiando perfis, cabeças redondas, ovais, brilhantemente estúpidas. Começou a rir. Não queria, simplesmente, foi mais forte. Não ria deles, não, de jeito nenhum. Ria por eles. Da decadência, das depressões, dos impropérios e confusões que podia enxergar do topo de sua lucidez, sem sentido ou fundamento. O corpo presente contradisse a mente perdida. Reflitiu em meio há gargalhadas desatentas: Sou insegura. Acho que se agarrar ao amor é ruim, muito ruim. O amor atrapalha a sensatez. Nesse momento estava absolutamente afastada deles, longe, nem os ouvia mais. Impressão das ligações se desfazendo. Os elos se rompendo. Pensou onde queria estar, se transportou. Enviou mensagens de desejo, suas vontades, para quem as dedica. Imaginou-o recebendo seus pensamentos e o que achava daquilo. Fortes impulsos espontâneos. Não está querendo um homem elementar, físico, mas o que causa o seu amor sensual, o que ama voluptuosamente e de muitas outras maneiras, como quando ele ri, ou conversa calmamente, quando a insita, quando a deixa insana, louca de desejo, quando fala das realidades... Ama sua sensibilidade, sua essência de ansiedade e exaltação. Quer tê-lo, calmamente, sem angustias, paciente... Não é sentimental demais, nem estava bebada, sabe que excesso faz mal, em todos os sentidos, porém acha todo esse querer muito natural. Hoje sua falta de grandes experiências pareceu muito boa, deixou-a feliz, pois toda sua intensidade ficou guardada. Pode se entregar agora, neutra, carente, liberta... Nenhuma droga conseguiria ser mais potente.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Acaso.

Me perdi
Nesse tempo errado,
Custado de mim.
Por acaso te encontrei
No acaso que me leva,
Nos cantos que me carregam,
Nas palavras que me cercam,
Encantos que me projetam.
A força que me absorve...
Teu tempo passado,
Recanto dessa fábula
Que me seduz.
Quero nascer ao seu lado,
Vendo sua vida
Eternizar-se em flores,
Em amores desconexos.
Dedicados à força de um sismo.
Consegues sentir?
São tantos inclinados...
Vazios, completos,
Sedentos, banais...
Consegues sentir?
Amo a quem te ama,
Amo as bocas que guardam teu sabor,
Os corpos brandos do teu amor...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Detalhes...

Ao chegar encontrou ele adormecido, deitado, nu, em paz. Percebeu fragilidade em seu corpo. Quis protegê-lo. Guardar aquele momento na memória: seus lindos olhos cerrados, a respiração tranqüila, compassada... Nem parecia o homem que há horas atrás acordou sedento, empurrando-a contra a cama, segurando seus braços com força, deixando seu corpo marcado, abrindo suas pernas, invadindo. Não queria desperta-lo logo, nem seu desejo... Por enquanto. Sabe que ele é um vulcão ativo, sempre ativo. Ao abrir os olhos, partiria pra cima do seu corpo e a devoraria até matar sua fome insaciável. Precisava muito olhar mais tudo aquilo, toda aquela beleza e placidez. O menino dela... Guardar seu sono.
Ao despertar sua primeira visão foi dela sentada ao pé da cama, contemplando-o com ternura. Sorriu. Sua excitação (como previsto) ávida, pulsante, despertada. Ela pôs-se de joelhos e tirou o vestido que cobria o corpo nu. Contemplação dos sinais, ambos em sintonia. Não esperou muito, jogou-a na cama com força, pressa do seu anseio. De repente aquele corpo frágil que dormia desprotegido, era um forte, um porto que a abraçava deliciosamente. Um conjunto de detalhes a serem explorados. Por cima dela ele, entre suas pernas a dele, se derreteu gemendo, inconsciente, paralisada. Ele adorava aquela submissão natural, era a certeza da dominação exata. Ela apertou as pernas sobre ele, tremendo, caindo em suas vontades. Estremeceu e gemeu de prazer. Sempre vai querer tê-lo, despida, possuida, usada. Amada. Fustigada desse amor vulgar, que é o que ele tem pra oferecer. Não espera nada, pois não sabe o que esperar.... Sente algo como um milagre, impulsos reais. Pela primeira vez vê beleza em tudo isso.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Cada cabeça um mundo...

Essa frase eu ouvi a vida toda. Nem sei de quem. Nem se é ditado popular, não sei, mas sei que ela é certa demais. O que difere essa equidade entre todo mundo, essa probabilidade, é a mente. A individualidade preservada. De modo geral parece até que alguns saem em série de uma fábrica, roupas, cabelos, opiniões etc. Corrompidos. Não por querer, mas por já nascer sendo inserido nesse princípio estabelecido. Dentro de casa mesmo somos talhados desde a infância. Lembro quando eu tinha 9 anos e descobri a sensação que causa quando se aperta o bico do peito, não associei a nada, nem pensava em sexo ou coisas do gênero, nem me masturbava ainda. Era só uma criança crescendo e se descobrindo. Mas eu gostava e ficava sempre que lembrava, apertando e sentindo o torpor que dava no corpo, pra mim se comparava a umas cócegas, sendo mais agradável. Até que um dia minha mãe viu. Eu estava no consultório do ginecologista dela, na sala de espera ao seu lado e, inconscientemente, fiquei mexendo, ela prontamente me pegou pelo braço, me levou ao banheiro e eu apanhei na mão. Ela disse que era feio, que eu não tinha idade pra isso, como assim? Eu fiquei chocada, chorando, me sentindo a pior das criaturas, feia e má. Minha mãe não é uma pessoa ruim, é uma ótima mulher, mas naquele momento não era ela falando, eram as pessoas que estavam lá me olhando com reprovação que falavam por ela. E foi essa mesma hipocrisia que me educou, explicando do feio e bonito, do certo e errado, do bom e ruim. Eu não sabia disso naquele dia fatídico, mas hoje eu entendo, e não a culpo. Depois passei a saber o que é fazer escondido....Porém tudo passa. Eu cresci, e armei meu plano de fuga dessa armadilha reservada, me libertei. Sinto sem medo, falo sem medo... Não que agora eu vá me acariciar em público, mas não receio do que pensem dos meus desejos. Até tenho vontade de desafiar certos códigos, chocar um pouco. As pessoas são invioláveis, elas dizem o que querem, da forma que lhes for conveniente. Alguns sorriem quando querem morder e dão o bote quando estamos mais receptivos. Defendem suas verdades dúbias, esculpidas. Apontam o dedo para o que não rege dentro dessa mecânica das normas. Contudo, quando dão as costas extravasam suas doenças mentais, seus excessos, suas taras... Estupram, acediam, torturam, se drogam, matam... A verdade moral de uma sociedade imoral.
Sair dessa teia não é fácil. Um estupro psicológico diário, o que vão dizer, o que vão pensar, minha imagem e não sei o que... Balela. Fazendo ou não seja o que for, a vida alheia sempre é a melhor pauta das discussões dos becos, e isso é fato.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Absolutamente...

...As bases que firmam atitudes, pensamentos, pretensões não são superficiais, não podem ser. O arrepio nada é do que o reflexo externado da nossa motivação. Como assim só pele? Jamais. A pele é um simples meio de transferência. Suas raízes, conatas, são profundas, nascem do centro da alma. Tenho disso. Olho e vejo nas entre linhas o que quero. Posso afirmar aqui que a objetividade me prende, me fascina. Só que bem mais, o mistério me atrai... Feito teia. Então, não poderei nunca qualificar ou definir minhas razões/emoções de nada por nada, as harmonias às vezes são outras e destorcem o sentido original. Não determino as coisas, prejulgamento é fato de quem não sabe existir, não reconhece sua condição de humanidade bruta. Sou compassiva demais, nas sensações, no drama, nas aflições e fantasias, um pacote de sentimentos... Sei disso. Contudo sei ponderar também. Estou disposta a aprender olhar as coisas de um ângulo menos envolvente, racionalizar um pouco, calcular mais e deter certos impulsos predestinados ao fracasso. Odeio arrependimentos. Nada pra mim supera esse gigante da dor. Se arrepender é ficar no passado, fustigando atos impensados, horas sem chances de correções. Um grande medo que tenho? Me repetir... Não quero sempre me desculpar por analogia, passos guiados a escura levados por razões alienadas. Importante se (re)conhecer, saber lidar com as emoções e as vontades súbitas. Os sentimentos em si são puros, bucólicos, até mesmo quando nascem de uma dor... Sempre honestos ao que acreditam. Cabe a quem os usa compreender sua estrutura e perceber seus resultados, e mais, não os condenar ao círculo. Desgasta, tanto ao sentimento flagelado, quanto a quem oferece e bem mais a quem se confere a competência. Tão óbvios que são, eles não precisam de exposição. Não quero ser presumida e classificada, uma imagem destruída por um descontrole emocional é praticamente um rótulo, um estigma difícil de apagar. Com todas as minhas forças, resguardo minhas fraquezas, não quero que reflitam nas pessoas a quem me dedico. Estou disposta a conhecer e abraçar o inusitado, deixar que a vida passe por mim sem escorregar por entre os dedos. Preciso tateá-la mais, por mais tempo, com mais desejo e concisão. Preciso saber deixar as pessoas irem, como é pra ser, como livres que são. E voltarem se assim quiserem, por suas próprias escolhas. Relaxar e não levar tudo tão a sério. Sempre ouvi dizer que a vida é curta... Tenho que concordar, curta e rápida. Brusca. Não da pra exigir nada do subjetivo e a vida é isso, impessoal, independente... Eu só posso duas coisas: esperar ela passar, ou montar no rabo do seu cometa.

“Não se maltrate por desconfiar,
A vida termina, sem hora do recomeçar.
Não esquente sua cabeça,
Se é pra ficar noiando, esqueça.”

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sentindo...


...Na pele
Teu toque literal.
Medido, forçado,
Calmo e atrevido.
Baile dessa vontade súbita.

No meu corpo,
Angustia e espera,
Satisfação e expectativa,
Dor e entrega...

Ensaia nesse palco
Meu espetáculo sonhado,
Em pensamento acordado
Vivido intenso em alento,
Alimentado das respirações
E gemidos alienados.
Estrelado por você
Nesse tablado que sou eu.

Suspiro das aspirações,
Tu, nome que grito em lubricidade
Na lasciva necessidade do toque.
Mãos que na ilusão se faz corpo,
Fantasia teu desejo misturado
Em minha luxúria...

Essa pele é o arrepio do teu sopro,
Sombra do teu cuidado.
Esse corpo seu instrumento de encanto,
Busca e felicidade.

Arrancar meus delírios é sua missão,
Inspirar seus carinhos é a minha recompensa.


Agradecendo...

A querida Melanie do blog Sempre que Penso me dedicou um selo que ganhou, e é com carinho que repasso a algumas queridas que me dão um tremendo prazer em acompanhá-las, em especial:

Aninha, Racunhos da Alma
Anjo Vermelho, Diário de Anjo
Carol, E agora, José?
Kari, Botando pra Fora
Renata, MyPlace
Sandra, Sun(shine)
Não sei se esse meme, também do blog da Mel, refere-se ao selo, mas achei ele ótimo e vou usurpá-lo rsrsrs...

Mania_ Algumas comuns, ouvir música, dançar e uma horrível: falar sozinha. Tenho DR's comigo mesma em qualquer momento do dia.

Pecado Capital_ Praticando a gula, pensando luxuria...

Melhor Cheiro Do Mundo_ Chuva e grama.

Se Dinheiro Não Fosse Problema Eu_ Ia embora pra Pasargada, ser amiga do rei!!

Casos de Infância_ Andar a cavalo, correr do bode brabo, subir em árvore.

Como Dona de Casa_ Sei cozinhar...

O que não gosta de fazer em casa_ Lavar louças e panelas, o resto da pra desenrolar.

Desabilidades Como Dona de Casa_ Lavar panela. Não sei quando é pior, se antes ou depois de lavadas. Um nojo.. Blééé.

Frase_ Se é pra ficar noiando... Esqueça.

Passeio Pra Alma_
Deitada na estampa colorida da toalha, imaginando a vida toda submarina.

Passeio Pro Corpo_
Afagos no cabelo, beijos no olho ou no canto do nariz, carinhos nas costas e longos abraços...

O que Me Irrita_ Tanta coisa... A miséria, a fome, falta de educação, conceitos e convenções, o que pode e não pode, ser assaltada (passo horas pra me recompor do susto). Condições subumanas entre outras tantas...

Frase ou Palavra que Falo Muito_ "A vida não é fácil, se fosse fácil era bom", "Então" (quer dizer ok, certo, entendo), "Por hoje é só", "Que infamidade" e "Enfim...". Acho que é isso.

Palavrão Mais Usado_ "Puta que pariu", disparado. Mas as vezes alguns outros mais expressivos que nem vou dizer aqui rsrsrs....

Desce Do Salto E Sobe no Morro Quando_
Quando duvidam da minha palavra e me tratam com ironia ... Queira nem saber como fico.

Perfume que usa no momento_ Um hidratante muito cheiroso pela manhã "inamorata" e pra sair uma gota do final de um que ganhei de natal (Poison). Quando acabar vai ser cheiro de sabonete mesmo rsrsrs...

Elogio Favorito_ Minha linda. (clichê) kkkk.... É que eu adoro quando usam esse pronome comigo, MINHA... Fico boba.

Talento Oculto_ Uma brilhante artista plástica.rsrsrs... Mas ta bem oculto mesmo.

Não Importa o que Seja Moda, Não Uso nem No Meu Enterro_ Calcinha fio dental, salto plataforma, e concordando com a Mel, nada de bucho de fora... rsrs.

Eu Sou Extremamente_
Expressiva.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Quando ela dormiu...

Foi dormir com um gosto ruim na boca, era diferente, ácido, corrosível... De arrependimento. Sente angustia por não deter seus pensamentos e deixar que eles elevem sua fraqueza. Absorveu, concentrou e nada. Eles continuaram a criar suposições e teorias com as quais não concorda, não concorda... Respirou fundo três vezes, tentando acalmar seu espírito. Porque estava assim? Estranha. Há muito tinha resolvido que não ligaria mais para certas miudezas, dessas que aparecem do nada, vindas não sei da onde, trazidas não sei por quem.
Cansou de se condoer das aflições alheias e cansou de sentir dores sem nome. As pessoas são complicadas, dificultam o percurso natural dos acontecimentos, depois choram e lamentam seus atos maquinais de puro impulso. Ainda assim, quando vê, compadece dessas dores outra vez, e trai suas certezas. Não quer ser assim, temperamental e inconstante, quer ligar o "foda-se" para as bobagens do futuro ou do passado, quer o agora, do jeito que for. Sentir, a música e a dança da vida, seu movimento incessante... Viver apenas. Isso que deseja.
Dormiu... Custou, mas acabou deixando o cheiro da noite embalar seu sono. Teve sonhos intensos, de desejo: Beijava uma linda boca, e olhava lindos olhos venezianos. As linguas passeavam com o olhar fixo na alma, sem piscar. Sentiu o abraço e as mãos daquele adorável estranho a lhe acariciar os cabelos, apertar seus seios e a invadir com os dedos. Acordou excitada, guardando aqueles últimos segundos de sensação. Tomou banho, escovou os dentes e saiu... Sorrindo. Como se sabendo agora onde é o céu e onde é o chão. Na boca um gosto novo, mais doce, de intensidades, momentos de felicidade, pensamentos de amor e desejos de paixão.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

De coração...

Falas lúbricas.
Expressa teu desejo,
Declamando vulgaridades...
Poesia do meu corpo em chamas.
Da carne, da cobiça.
Dizes sem saber o que me ascende:
Meu delírio, minha falta de ar.
Meus olhos despencam pesados,
Força da tua luxúria.
Convivo com teu amor bruto,
Animal, de pele e desejo.
Tua doce inocência em tentar me iludir:
“És a melhor”... Lindo.
Um suave engano que me preenche o espirito
Nesses momentos de conflito e medo.
Medo de não ter tudo que construi em pensamento,
Na ânsia de um futuro bom.
Desejas mais de mim?
Mais do que eu posso te dar em
Sensualidade?
Ao avesso... Assim quero estar sobre você.
Beije minhas veias, os vasos
Que alimentam meu coração.
Acaricie meu estômago,
Quando ele gelar nervoso por esperar
Tua palavra encantada.
Se excite com todas as células que
Constroem meus tecidos,
Ame minha alma.
Acredita em mim, no que te digo.
Não sou puta, nem sou santa.
Apenas quem procura, busca contrastes e descobertas
Dessa janela que se abriu sobre meus olhos,
Tua amplitude e poesia.
Tenho certeza que nasci para estar em teus braços.

Coisas...

É fácil demais a adaptação.
Acordar, ligar aquele automático e deixar correr o resto do tempo, até o fim da vida. Difícil é perceber o dia, observar, interpretar, redescobrir e redescobrir-se, este último principalmente. Parar, pensar. E não só pensar... Refletir.
Derrubar tudo que pesa, que faz com que se ande devagar.
Como um barco afundando, só que é preciso se salvar.
Jogar no mar o que ta sobrando, que só faz ajudar a submergir mais rápido.
Não cair na rotina é quase impossível, perceber a rotina (e não se contaminar) é fundamental. Todos os dias novos degraus são colocados no caminho, todos os dias novas formas aparecem, novas pessoas, novas vidas e histórias interessantes que só fazem acrescentar... Um perigo deixar passar. Todo dia é belo, estranho e complicado e sempre vai ter algo que se precisa conquistar até o final, pra antes de dormir ser vitorioso. Complicado não é querer algo ou alguém, é possuir e manter. Tanta coisa que o mundo oferece, as novidades são atraentes, a repetição cansativa, o novo sempre desejado e cabe a quem quiser se reciclar.
Tentar inovar, buscar os “eus” que existem, inclusive ressuscitar aqueles “piores”, cheios de personalidade que muitos chamam de errado por ai e acabam sendo abandonados em algum lugar cá por dentro de nós. Conceito não é bom, é parado, limitado. Bom é conhecer e permitir, sem ferir, nem magoar. Bom é amar e ser amado. Querer pra si não é condenável, se o que se quer pode ser, não é ilusão. Infelizmente, não é tudo que é de querer.
Paixão é besteira quando é unilateral. Tesão? Cega. Mas é um mal curável, e ainda bom por demais. Os medos dos outros não são bem vindos, às fraquezas são abominadas e desprezadas, prontamente. Todavia não há esse que não sinta... Da forma que for... Por qualquer coisa que seja.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Volver...

A intensidade poderia explicar os sentimentos súbitos, os desejos inusitados adubados com suor e calafrios. Necessidade de ter o que se ansia e que permanece no pensamento fustigando a alma de uma saudade estranha, desconhecida... Prévia.
Um tempo guardado, vivido meramente de sonhos, e planos de encontro e colisão. A memória do desconexo. Guardada num arquivo de lembrança para que um dia eu conte a alguém que não vejo, mas sinto e quero. Pleito um sentimento forasteiro, inusitado e preciso. Não entendo nada dele, também desconheço a definição concreta do querer... Apenas quero. Estar ao lado, aos cuidados, vivendo essa amplitude de sensações, apreciando e aprendendo. Nunca estive exposta a devaneios, cuido das minhas ilusões com exação, não gosto de incitá-las ao exagero. As conseqüências nunca me trouxeram grandes alegrias. Dessa vez foi inevitável, ela me encontrou, pegou pela mão e levou. Busquei as palavras que me encantam, que entre tantas cantadas por ai, são as mais bonitas de se admirar. Moram dentro de mim, lindas. Todavia almejo muito mais o homem por trás da mente criadora. Carne, osso, ambição e pressa. Forte, mítico como um herói, venerado. Distribui sua presença poética alimentando corações desavisados. Me aflinge os assédios, o tempo roubado derramando de tantas atenções, demorando pra mim. E isso é um conflito sem sentido de ser, uma bobagem que tira meu sono. Mas quero continuar nessa mente que me perde, nessa boca que anuncia me querer. E eu quero tudo... Que despe, despede e despedaça...

“Vem aqui com teus braços
e me cobre desse amor vão.
Quero sentir esse cheiro de pressa e ambição.
Devora essa vontade e consome o que guardei pra ti...
Quando isso acabar será tua lembrança
a me acalmar a saudade, consolar meu coração.
Então faz desses momentos eternos e,
antes de partir, guarde em você.
Não me perde nas esquinas do passado.
Algo nos trouxe até aqui, algo pode nos devolver.”

terça-feira, 16 de junho de 2009

Sinais...

Não dormiu direito sentindo sua falta. Sonhou com ela.
Nos poucos momentos de sono que teve, pensou senti-la em seus braços, até perceber segurar o travesseiro que, sem duvida, beijou impetuosamente. A boca doía. Uma sede daqueles beijos de horas, de mão na nuca e arrepio. Ela tinha um jeito diferente de se arrepiar, não era igual as outras que já viu. Especial nos gestos que fazia, ao fechar os olhos e entreabrir a boca, em por as mãos no ombro dele, deixando os seios desprotegidos. Admirava aquela cena, o foco dos seus desejos, aqueles seios em suas mãos. Que saudade. Um estrago que fazia nos seus sentidos, era só pensar e pronto, suficiente pra uma noite de sono agitada, acalentada por suas vontades e cobiças. Queria estar com ela, só isso.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Na noite seguinte, me apaixono por você!!

Olhos nos olhos,
Primeiro contato: O beijo.
Bocas e mãos que percorrem o desejo.
Abraço que sente o cheiro,
Sente a força, o calor...
Tudo fica evidente:
Línguas passeando por um céu de estrelas,
Você sobre mim,
Choque do sexo, dança dos gestos...
Movimento.
Cada vez mais rápido,
Cada vez mais devagar.
Angustia do prazer que se faz pressa,
Que busca o corpo e
Encontra a vontade:
- como você é bonito.
Sintonia traduzida em lágrimas e gemidos,
Cada vez mais forte,
Cada vez mais alto.
Inconsciente, entorpece os sentidos,
Guiados apenas por sentimentos de paixão.
Até que vem o gozo e se espalha sem segredo.
E meu grito sem controle,
É abafado no teu beijo.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Apetite.

Traços do imaginário que se forma
Real... Sensações e vontades.
Do que eu queria que fosse,
Como pretendo que seja.
Desenho com riqueza seu corpo, exato,
Passo por passo, passeio.
Minha delícia, meu adorno,
Minha viagem sideral.
Te tenho comigo, todos os dias,
Em qualquer hora, de vários momentos,
Quando preciso ou quando chegas sem pedir e
Faz morada da minha vontade,
Segura meu corpo com força vai,
Marca teus dedos em minha pele
Com o vermelho da tua pretensão.
Percorre tuas mãos, aprecia cada detalhe.
Sou submissa dos teus caprichos.
Bem sabes o tanto de tudo que estou pra te dar,
Tudo que é teu.
Sinto teu desejo, tua pressa...
Vem ter o corpo que te agrada,
A boca que te deseja.
Minha orgia, meu quitute.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Minha sina, meu cinema.

Há necessidade das explicações, das teorias bem montadas, amarradas pra convencer algo, ou qualquer coisa. As dúvidas são o que sobra: Porque tudo é assim? Porque eu sou assim? Porque o amor machuca? Ou ele não machuca? A culpa é minha?
Nem tudo é de compreender. Pode haver explicações, podem sim, tantas sabe, que de repente é até melhor não saber. Deixa assim como está.
Não entenda o amor, ele não foi feito pra isso. Ele é tão exato, prosaico, ordinário, que ninguém consegue mais perceber sua complexidade. Se quiser saber dele, ame apenas. Isso é fácil demais. Vai doer quando ele se for, é inevitável, então aproveita. Concentra no que é bom. Na vontade de ser feliz, os desejos mais secretos que te arrancam suspiros. Pensamentos induzindo arrepios e falta de ar. As ondas de vontade de sentir que toma conta do corpo. Pensa no outro a quem se ama, viva pra tirar um sorriso que te ilumine o resto dos dias, que faça esquecer de tudo que é feio, tudo que dói. Erra quem dá, pensando no que volta. Não queria dizer isso, porém, lá vai: talvez não volte. Um dia quem sabe? Mas talvez não volte mesmo... Pois é, a parte que nos cabe deste latifúndio. Eu acredito em tudo que dizem, sobre tudo que exista por ai (isso não quer dizer que concorde), acredito. Invente-me hipóteses, apresente as possibilidades, crie conjecturas sobre os lemas irrespondíveis de tudo que me aborrece. Pode falar... Sou toda ouvidos.