quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A paisagem.

Olhei o relógio.
E fui remetida há um outro tempo, o tempo que o relógio era o de menos pra mim. Tempo que aqueles ponteiros não faziam nenhum sentido, poderiam continuar passando pela eternidade, não haveria problema. A gente não sente pelo o que não existe. E o tempo não existia. Somente. De repente passei a ver tudo àquilo com os olhos de antigamente. E como aquela sala era grande... Havia esquecido disso.
Não sei como passei a achá-la pequena, mas era grande sim. Do mesmo jeito de sempre.
Da janela era uma nova paisagem, forcei a memória para recordar como era antes. É incrível como nos adaptamos as mudanças, não se sente, apenas muda-se e um dia quem sabe, olha-se a janela e num súbito encontramos um edifício inteiro no topo dos seus 22 andares bem a nossa frente. Como isso acontece? Não faço idéia. E se fosse apenas um, mas pelos meus cálculos temos 4 novos edifícios, prontos, um em acabamento e um pra começar a levantar, cada um na base de 20 andares, dois apartamentos por andar, cada família uns cinco integrantes... E eu simplesmente não faço idéia da quantidade de novos vizinhos.
E gora na esquina não havia mais aquele velhinho fofo, que sempre passava no mesmo horário, de branco, acenando com um sorriso gentil. Como era o nome dele mesmo? Ai... Pena que não lembro. A casa dele agora é um ateliê de artes, menos mal. Poderia ter se tornado deposito de bugiganga ou simplesmente ter sido abandona a própria sorte até um monstro imobiliário derruba-la sem piedade, sem nem saber das tantas histórias felizes que suas paredes guardam, para que novos gigantes sejam construídos.
Lembrei de um pé de manga rosa enorme que tinha bem na casa da frente, que por incrível que pareça ainda é uma casa, mas não residencial, comercial. Isso é outra coisa que cresceu bastante por aqui, o comércio, tantas galerias, tantos bares, padarias e lanchonetes. Tanta coisa. Agora é que eu to vendo. Também lembrei do pé de carambola bem aqui no prédio e das tardes amarelas. Era a cidade amarela na minha mente infantil, “Amareloucife”, e eu “AmarelouKinha”.
Muito injusto tudo isso, não quero mais prédios poluindo a minha paisagem. Alguém pediu permissão para destruir o que eu tanto amei um dia? Não. Isso me deixa péssima. Não queria que o tempo me angustiasse tanto, nem que passasse tão rápido e levasse coisas tão importantes. Não quero me esquecer do que é de verdade... Nem das antigas paisagens.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Sentimentalidades.

Me pegue pra você, me abrace. Eu preciso.
Preciso sentir que não caiu mais, porque és forte por nós dois.
Não quero ser insegura, nem carente demais, mas me deixa passar um dia sobre os teus carinhos.
O teu cheiro doce entorpece-me as narinas, me faz adormecer.
Preciso esquecer o que me fez chorar, mas se eu chorar me entenda. Choro por sentir o amor.
O amor que nunca chegou sem manter distância.
Quero minha cabeça encontrando apoio no teu peito, tuas mãos a me afagar os cabelos por horas seguidas.
Num ritmo constante, o tempo não importa agora. Gostas de me fazer feliz. Eu sei.
Diga que me ama que não vai me deixar porque precisa do som da minha voz, do toque das minhas mãos.
Porque te faço sorrir, e te faço chorar. Porque te amo e você sente.
Quero você sempre perto demais.
Fico bem em te ver ao meu lado e ouvir você respirar sentimentalidades.
É música pra mim.
Sempre quis dizer isso, mas do jeito que estou nesse momento, com toda essa sensação de complemento,
Amo-te, adoro-te. Loucamente, absurdamente.