sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Quase tudo...



Um mistério
Envolvente.
Me leva...
Um jeito de se mostrar
Preservado,
Mas sem se esconder,
Sem medo de ser.
A intimidade que quer,
Do jeito que quer,
Sem invadir, sem arranhar.
O silêncio de quem observa,
Pra encontrar o que valha,
O que prenda.
Minha curiosidade maior.
Meu desejo maior.
Sabe das palavras
E seus efeitos colaterais.
Certas,
Cada uma em seu lugar,
Um passo após o outro, sincronizado.
Um balé bem ensaiado,
Dentro de mim.
Percorrendo meus espaços,
Pensamentos.
Ele é assim, simples assim.
Sem forçar.
Sabe que não vou me assustar,
Que não vou achar ruim,
Sabe o que espero,
Sem eu ter que dizer.
Tudo que quero sem nem saber.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Diálogos da Ilusão



– Ilusão?

– Que queres ainda, criança?

– Que voltes pra mim...

– Não vês que isso não te faz bem...?

– Gosto das cores com a tua presença!

– Não são tuas cores...

– E as flores azuis?

– Que não tocaste? Nunca existiram!

– Como não? Elas sempre nasceram no meu jardim!

– Engano... Doce engano!

– E o céu laranja? As chuvas de mel?

– As chuvas de sal que derramas quando te deixei: dessas sim deverias te lembrar!

– Não acredito no que dizes!

– Gostas da dor quando te mostro a verdade?

– Não. Gosto dos sonhos que me desenhaste...

– Desculpa... Não me criei para ser gentil...

– Mas e quanto a todas aquelas gentilezas...?

– Não era eu, mas tua vontade!

– Secura que nunca vi...

– Porque nunca quiseste ver nada além de teu nariz...

– Isso é um fim?

– Não, apenas um começo... Um recomeço, se assim preferires!

– ...

– Encara os fatos: há cor por trás do cinza que achas enxergar agora...

– Não consigo ver nada além de ti!

– ‘Tá difícil...

– Impossível! Com certeza, nunca tiveste alguém assim como eu!

– Assim como?

– Persistente!

– Qual o quê?... Pura ilusão de grandeza tua! E tenho mais o que fazer...

– Mais mundos a destruir... Amores a inventar... Cores a soprar no ar...

– Isso: pérolas aos porcos... Pegando, enfim, o espírito da coisa!

– “Ao vencedor...”

– “As batatas”! Também gosto de Literatura... Alimenta e me ajuda em boa parte do trabalho... Especialmente as mais líricas!

– Olha que... Que... Eu me mato, ouviu?!

– Sinta-se à vontade... Ei? Alguém aí do outro lado...? Adeus, enfim! Acho que caiu na real...


(Érica Colaço e Dilberto L. Rosa)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Em Negrito



Acredita em mim? No que te digo?

Não sou puta, nem sou santa...

Não te espantas: pois apenas quem procura

Busca os contrastes e as descobertas

Dessa janela que se abriu sobre os meus olhos...


E, pra ti, completamente aberta,

Tenho certeza que nasci para um dia

Estar em teus braços

Na plena amplitude de tua Poesia...


A dor desses beijos guardados, vividos em alento, querendo voar...
Na posse do que se conquista, aquele corpo entregue ao desfrute de um amor bandoleiro...
Vivo das carícias perdidas por linhas em versos de modorra, que levam a flutuar corpos e mentes, sonhos e desejos, tudo na mais perfeita dicotomia proporcional... Os beijos serão intensos, como a saudade já o é! Todas as notas que os corpos tocarem, os dedos seguirão a compor, na música dessas almas sedentas por entrega e momentos de paixão literal!
Sozinha, fazendo de mim tua morada... Ai, de meu desespero pela tua presença... A mão nos cabelos enrolados nos dedos, já melados de tanto desejo, bafo na nuca, mão na cintura, firme, a lambida na orelha, língua e mamilo... Do arrepio inevitável à obediencia, o corpo reage à ordem proferida: “Agora”! Certo: agora...!


terça-feira, 8 de setembro de 2009

Desejam-se com os versos que plantaram no quintal,
Desses grandes campos caramelos, perigosos.
Ao léu, só a ilusão, suspensa por uma lei anti-gravitacional,
Que os impedem de continuar com os pés no chão.
Voam sem medo de achar o fim,
Sem medo de tombar com alguma parede de tijolos
Cor de desengano, bloqueando o infinito azulzinho
Dos sonhos misturados.
Ele sabe do mar, ela sabe do horizonte e sua linha.
A lã mais forte que existiu,
Da única ovelha dourada que ela ordenhou,
Apenas para tecer todo o horizonte
E segurar o mar que ele tanto sabe.
Nesse rodopio sem sentido, acabou sendo assim.
Sem ninguém mais saber, além deles dois
Dessa nuvem que guarda o segredo,
Da pele macia de algodão e de todo mel
Produzido pela flor, com o vento cantando
Os versos colhidos em campos de quimera.
Essa grata exposição,
Nesse mundo imperfeito e sem razão.

Para iluminar esse modesto post, um poema sucinto, porém lindo e verdadeiro de um grande poeta, e amigo querido:

"Eterna Crônica do Amor Bandido"

Na inconseqüência
De nos dizermos
Objetivos e racionais,
Sigamos atônitos
E perdidos
Na eterna crônica
Do amor bandido
Entregues às sensações
Mais banais...

(Dilberto L. Rosa)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Se tudo fosse como palavras.
Ditas, malditas, benditas palavras...
Escrita, cantada... Declamada.
Como notas tocadas num velho acordeão.
Quando dita, incita a ressaca modorra,
Lenta de cura, célere do vício de
Ouvi-las novamente ao pé do ouvido.