quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Daqui...

Um pulo do alto mais alto...

Ela saltou e foi sentindo a queda com certo prazer pernicioso, uma excitação congênita, incontrolável, dominando todos os seus espaços, deixando-a extasiada naquele abismo sem precedente que a atraía como imã a um mergulho de sensações.

O vento de uma altura daquelas é gelado, mas conforta o coração; dá medo, mas também vontade de continuar. Ela não se esqueceu da altura indeterminada e que poderia passar o resto da vida ali, mas já se jogou há um tempo considerável e é chegada a hora da colisão.

Pensou enquanto caía "Lá embaixo algo pode me amparar, suavemente"... Agora, mais perto, acha que não. Ainda não vê o final, mas sente que não há nada esperando por ela. E todo mundo sabe o que vai acontecer: quando um corpo se joga de certa altura, alcança determinada velocidade e o atrito é inevitável - cabeças vão rolar, corações hão de se expor e contornos deixarão de ser pernas para se tornarem quebra-cabeças.

Ela avisou "Não me solta"... Mas é complicado quando o corpo tende a cair por si só, e, do outro lado, há um abismo natural - os braços não aguentam...

29 comentários:

Alisson da Hora disse...

Engraçado...seu texto me lembrou um que eu escrevi faz tempo ("Sobre saltos e trampolins") lá no blog... A diferença é que o teu parece ser sobre um salto mais metafórico, ao menos eu acho...

De qualquer forma, gosto sempre do clima que você imprime ao que você escreve...

=***

Marcelo Mayer disse...

e normalmente a adrenalina é tanta que morre antes da queda. e isso é poético.

On The Rocks disse...

hey buchechinha, (hahaaa)

belo post. ótimas passagens!

"mas é complicado quando o corpo tende a cair por si só..."

bj

Renata Braga disse...

É ... parece que não podemos controlar certos tombos amiga...

O jeito é cair, e logo em seguida levantar....

Porque os tombos vão sempre existir.... o que muda são os braços que vão nos segurar.

Lindo. E tu sabe que te entendo perfeitamente né.

Sempre.

Minha amiga.

Bejossss

Layara disse...

...e inevitável a colisão e haverá ossos e pedaços, se confiarmos que algo irá nos amparar...
mettáforia, concordo com Alisson...

entrei nas tuas imagens e deu-me vertigens...rssss...

bjs!

Dilberto L. Rosa disse...

É fato: somos maduros; estamos sempre caindo... E rolando e voltando a cair logo em seguida... Nascemos para sofrer, tanto que já viemos chorando, com medo do fim da segurança... Por isso a vida é tão boa: os aprendizados que se sucedem, as descobertas e conhecimentos, são quedas sucessivas - umas gostosas como a adrenalina de um brinquedo no parque; outras, nem tanto, com possíveis arranhões e escoriações! Mas, digo-te, há quedas sem fim: nessas adquirimos, como seres mimetistas que somos, cada espectro colhido no mergulho abaixo - assim nos transformando em seres bem maiores e mais fortes para quaisquer evcentuais quedas futuras... Com a garantia de que essa última tenha sido a maior (e melhor) de todas (uma vez que, de uma forma ou de outra, ela continuará em nossas barrigas, toda santa vez que respirarmos a magia daquela viagem abaixo, sem redes de proteção...)!

Fiquei com gosto de final de filme brasileiro na boca com esta belíssima trilha do Chico ao fundo - a imagem, mais uma vez, casou-se tão bem com tudo... Olha, de verdade: lindo! Beijo bem grande e em queda...

Anônimo disse...

Eu te amo... Nessa eterna queda livre...

Sandra ' disse...

As piores quedas são aquelas cuja dor só é sentida depois. A queda em espiral do espírito. O rompimento do cordão dourado que liga o espírito à carne. Essa é a pior de todas as quedas, é essa que me dói aqui dentro. Essa queda que nem Deus ampara.


Belíssimo texto, minha querida.
Grande beijo

Daniel disse...

Quando o corpo tende a cair por si só não há muito o que fazer, por mais que tentemos ajudar, as vezes a ajuda é em vão, pois não foi solicitada.

E aos poucos o ar vai ficando gelado, o coração também, e em questão de tempo a gente se afunda, vai se distanciando de um modo de vida que tem tudo para ser bom, desde que tenhamos garra e vontade de vencer mesmo quando tudo que parace estar contra a gente.

Beijos

Salve Jorge disse...

Nessa queda
Minha atenção se envereda
E bêbada
Se equilibra
Enquanto cada som vibra
Nas idéias
Medeia
Vertigem que passeia
No lirismo
Desse abismo...

p.s - http://salvesalvejorge.blogspot.com/2008/06/impreciso-ou-alando-vo.html

Desmanche de Celebridades disse...

Quando eu tinha 12 anos cai de uma altura de 6 metros, mas pelo tempo que passou e por tudo que eu pensei, parecia que eu tinha caido de uns 50 metros, hahahaha. A adrenalina foi tão grande, que eu cai de pé e sai andando. Depois de um minutinho eu desabei.
Adorei o blog é os temas sobre os quais vc escreve. Voltarei sempre.
Abraços.

Marco disse...

Pois é, Erika...
A queda física ou metafórica é sempre um problema. Tem gente que se recupera de uma mas não consegue se recuperar de outra. E já dizia mestre Vanzolini: "reconhece a queda e não desanima..."
Suas palavras são prazerosas de se ler.
Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

Aninha disse...

saudadona daki minima !!!!!
mas a correria... Rss!

depois volto com calma =//

Canto da Boca disse...

E se ao invés da catástrofe que sempre se espera de uma queda, Ela virasse pássaro e saísse voando leve, livre e sem ferimentos?

Um beijão!

;)

Renata de Aragão Lopes disse...

Abismo
é algo que me fascina!

Um beijo,
doce de lira

Kari disse...

Ah! Mas como dá vontade de se jogar nesse abismo, ás vezes.
Sabe que tenho vontade de pular do alto... Gosto de imaginar a sensação... De sentir o fim... (calma... eu só gosto de imaginar...)

Mas sim... É inivitável quando o corpo cai só... Machuca um bucado... Mas, na maoiria das vezes... Nos levantamos mais forte. E juntar o quebra-cabeça, faz com que ele fique mais completo, depois.

Beijão pra tu!!!!

Dione disse...

Oi, Erica... Pasei para desejar um bom final de semana.

Um beijao!

Ana Paula Duarte disse...

Olá!
Belo post, quedas e colisões são inevitáveis...
Quão poético teu texto!!
Parabéns querida!!
Desejo-te inspiração infinda...
Lindo blog, voltarei mais vezes, com certeza!!

Sonhos e Devaneios disse...

lindos seus lábios...joao

Canto da Boca disse...
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Inês disse...

Ai, seu texto me levou pra um mundo circense de sonho e poesia!
Um beijo!

Beeki Girl disse...

...não se sabe ao certo se existe algo a espera ou não... Talvez algo de supreendente pode acontecer e mostrar que arriscar em certos momentos é necessário ;)

gostei dos textos.

*Natália* disse...

Esse seu texto me fez comparar com o fato da gnt se jogar nas coisas da vida, sabe ?
As vezes, eu tenho vontade, mas o medo prevalece !

beiijos.

A. Bettencourt disse...

Quando se ama, os braços suportam todo o peso do mundo. :)
Adorei os teus textos *

Juliana Botão disse...

Muito bonito seu texto!

disse...

Um abismo natural... cada um tem o seu... adorei. :)

wallace disse...

uma queda num espaço aberto, vento no rosto, pensamentos que vem e vão... cinematográfico. como nossa cultura contemporânea. bjs!

Melanie B. disse...

ô Suadades daqui!! Problemas com net no trabalho me separam dos comentarios mas nunca da leitura!Tô por aqui querida sempre!Adorei o post lá me baixo sobre as pernas... :)
Bijos minha lindaaaaa!!

Bia Maia disse...

Se está para CAIR, deixe,.....pois com toda a certeza vai se LEVANTAR mais FORTE, mais MADURA...e mais CORAJOSA!!

PARABÉNS!!!

Lindíssimo!!

E que música, meu Deus....Chico....indescritível!!!!

Um doce final de semana para voc~e!

beijos com muito carinho....

Biazinha