terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Divino e Maravilhoso


Nem me vem com tua falsa modéstia: pra mim tu és perfeito! Sabes que és meu ideal de perfeição: meu deus, por favor, apareça na televisão...

Tudo bem que, na falta de uma televisão, a tela de um computador pervertido qualquer e nada divino, apenas com rápidas e eficientes saídas para um banheiro ou, quem sabe, para o meu quarto, já tava servindo...

Saudades de tu, de passear no teu céu... De me sujar gostosamente nas fagulhas entre teus raios recém-acesos, com tuas nuvens prontinhas para me banhar... Sou mais mulher com o teu mais humano: tantas escolhas por tantos séculos e logo na tua eternidade é que fui me descobrir... renascida! Vai, me toca de novo, só mais uma vez, e me recria...

Nessa nossa mitologia, depois de você, os outros são os outros e só: não há mais ninguém em meu panteão!

domingo, 21 de novembro de 2010

Ninguém aprende samba (nem amor) no colégio...



Vi Paul recortado aos pedaços pela TV, mas depois preferi Noel em minha varanda, a me lembrar que o samba não tem tradução: lancei mão de algumas almofadas pelo chão e me lancei a um vinho nesta melancólica noite sem luar, sem violão... Fiquei a pensar nele, meu adorável malandro inconteste de caseiros botequins, eterno pierrô apiaxonado por suas mil columbinas (espero muito ser uma delas!), e concordei plenamente com tudo o que me lembrava o genial de Vila Isabel e sambista-maior de nossa Música: "essa gente hoje em dia que tem mania da exibição não se lembra que o samba não tem tradução"... "Quem acha, vive se perdendo; por isso agora eu vou me defendendo da dor tão cruel desta saudade que por infelicidade meu pobre peito invade"... "E quem fala mal do amor não sabe a vida gozar; quem maldiz a própria dor tem amor, mas não sabe amar"...

Assim fiquei pensando nele até que o apito duma fábrica de tecidos daqui de perto, quase ferindo os meus ouvidos, me lembrou que já era tarde... Ou cedo... Só digo, amado Noel, que meu último desejo antes de tentar dormir será sempre a ilustre visita daquele poeta malandro e gago apaixonado das belas promessas de amor ao meu barracão...

sábado, 6 de novembro de 2010

O Amor

Segundo o poeta Haroldo, figura emblemática das ruas do Recife, como tantos outros poetas incompreendidos que vendem suas inspirações por qualquer cigarro barato ou um copo de cerveja, disse uma das coisas mais lindas que eu já vi sobre o amor:

O amor é: O que dizes, o que digo.
És comigo, sou contigo. Sem o plural.
Em um só dizer, em um só falar,
Em só um pensar... Em um só tempo igual.
Nada celebro sobre aquilo ou isto,
Nada insisto, nada julgo o modo de ser.
Nada modelo, o misto ou o uniformemente.
Sou presente, como o estimulo que se vê...

(Lembrei de você, amor)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Rebobine, por favor...


É essa correria do mundo real, milhas e milhas do virtual, que deixa tudo assim tão áspero, sabe? Só isso, garanto... Quisera que fosse só isso...

Acho que queria ver um filme, mas ando meio sem tempo para qualquer coisa; afinal, você levou todos os melhores! Parece que me levou até todos os ais, porque sinto mesmo xoxos os meus velhos carnavais e com páginas em branco os meus cadernos de poesia... Melancolia pura... Volta essa fita, que eu quero rememorar aquela canção... Qual é mesmo o nome dela?

Rebobina pra mim, que eu não quero pagar multa na hora de devolver, amor, e, pra falar a verdade... Também queria muito rever esse nosso filme... Pelo menos mais uma vez antes de a locadora fechar...

Por amor, por favor... Rebobine...

Lola

Sabia
Gosto de você chegar assim
Arrancando páginas dentro de mim
Desde o primeiro dia

Sabia
Me apagando filmes geniais
Rebobinando o século
Meus velhos carnavais
Minha melancolia

Sabia
Que você ia trazer seus instrumentos
E invadir minha cabeça
Onde um dia tocava uma orquestra
Pra companhia dançar

Sabia
Que ia acontecer você, um dia
E claro que já não me valeria nada
Tudo o que eu sabia
Um dia

Chico Buarque de Holanda

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Desencontro


Luais de sol queimando o juízo,
anda, anda, anda,
volta, volta, volta...
Assim todos os dias seguem,
e apenas seguem por serem
assim... Tempo também.
Um tempo perdido
se concentra e vira
anjo tocador.
Os olhos cerram
em sono quase profundo e
a música ninguém entende nada.
Sentimentos passam
antes mesmo de se tornarem
ilusão, antes mesmo de criar
gosto na língua e conforto aos pés.
Não há concordância entre os corações.

"eu não fui esperando que você voltasse,
eu fui acreditando nos seus braços em minha chegada.
meu tempo certo passou, e eu cruzei sozinha
sua linha de chegada".

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Ele sabe...

Sei de você
Acabei sabendo muito mais
Do que deveria saber
Sou íntimo da tua canção
E falo, na hora que der,
Direto ao teu coração
Sem ninguém mais saber
Além de nós dois...

Acabou sendo assim:
Sabes de mim
E do quanto eu sei do mar
- Cale-te agora:
Dancemos lá fora
Com o resto cá dentro
Impaciente
A esperar...

Diabolices, menina,
Diabolices
De um mundo que se quer,
Mas sem exação...
E fica assim, à deriva,
Nesse rodopio sem sentido
Ao léu, sem chão,
Suspenso,
Num suspense sem fim...

Mas tua nudez não castigo:
Antes guardo na primeira nuvem
Comigo e com toda a ilusão
A que nós temos direito
Neste mundo imperfeito
E sem razão...

(ELE)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Ela não tinha vesícula

Se joga na vida, minha filha... Beber, fumar...E é isso.

Faz tempo que ela oscila, mas quando é namorada quer ser isso e pronto. Todo resto para segundo plano. E talvez o sentimento não seja tão grande assim que mereça tamanha inclinação, porém não tem como ser de outro jeito senão não é ela, ué!

Tem dias que sente uma vontade doida de dançar, mas como poderia se ela não sabe? Às vezes, meio sem jeito, ela rebola, vai dobrando o corpo pra frente e os joelhos fazem o serviço sujo dos quadris. Quando não, coloca as mãos na cintura e ai sim, ela roda num giro perfeito de 360 graus, sem sair do lugar.

Foi mãe ainda cedo, e depois filha para cuidar da mãe que estava de partida. Cuidou das feridas do coração que o tempo ingrato não levou, cobriu de flores os últimos dias. Flores e carnaval. Guardou todo conflito e trocou cumplicidade feito figurinha... Até o final. Quando ele chegou (o final) ela já sabia.

É mulher que bebe, que fuma, e que se agarra ao mar. É mulher que deita na areia com o corpo molhado e se mistura aos grãos. É mulher que sabe ser amiga, sabe abraçar, sabe dizer que ama... E não sabe mentir, porém sempre sorri se você olha pra ela, como se fosse um contato, uma forma de concordar com qualquer coisa ainda que não seja verdade, nem mentira, nem seja coisa propriamente. Não faz sentido, até você passar pela experiência... Eu não saberia descrever.

Vinícios a descreveria como aquela que tem a qualquer coisa que sofre, que chora, que sente saudade, sendo o adicional a beleza indiscutível que os olhos dela transborda. Ela sabe tanta coisa que eu ainda não sei, eu sei milhões das coisas que ela mais gosta. Sou feliz por tê-la perto o suficiente, e mais ainda em dividir alguns dias,algumas noites, algumas lágrimas e muitos (milhares) de sorrisos e depressões.

domingo, 29 de agosto de 2010

É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar, na verdade não há...


Sento-me diante do espelho
Com a cara rota
da maquiagem desfeita

Mas não quero me recompor...
Quero tudo como está
pelo menos até amanhã:
deixe que me lave só amanhã

Hoje quero o peso do corpo sujo
e a dor da cara amassada
sobre mim
já que não estás aqui...


"Agimos certo sem querer... Foi só o tempo que errou..." Acho que continua valendo porque continuo te amando...
Só por isso já valeu, né, lindo?!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Triste canção que escrevo pra ti...

ELA, que é dele, adora quando ELE faz com que ELA seja ainda mais...


Escrevo para sentir-te perto
Mas a sede de ti não cessa
E choro sentada diante do mar
O resto do mundo não me interessa...

Escrevo para te tocar
Mas o vinho desce amargo
E nenhum sabor mais faz sentido
O mundo me pesa um fardo...

Escrevo porque te amo
Mas lá fora insiste o chover
E os meus versos molhados
Não deixam o sol nascer,
Não conseguem te trazer
E resistem apenas pelo triste espetáculo
De meu fenecer...

(ELE, como se EU tivesse escrito para ELE...)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

As mudanças e seus planos.

E de repente, tudo mudou. O ócio tão sonhado virou dengue, os filmes a tarde viraram febre, frio e lágrimas. Porém "tudo e a sua hora", alguém já disse um dia, se eu não tivesse saído de lá nunca ia conseguir ficar boa logo. Se bem que não foi muito logo,mais ou menos duas semanas e uma eternidade.

Dormir tarde virou impossível e acordar ao meio dia virou estágio novo, que eu só pego às 9h, mas que pra conseguir isso preciso sair de casa as 8h, e que para tal, acordar às 7h... É... Tá tudo acelerado de novo, mas... É assim mesmo. O mundo e os dias, o tempo se movimentando, e a gente nele só esperando. Um dia vai parar mesmo, quando isso acontecer, ai eu descanso.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Resumo


Fiquei doente esses dias, uma gripe “normal”, seria, se não fosse à terceira vez em seis meses. Ano passado eu contabilizei cinco vezes durante o ano inteiro. Não acho muito habitual uma pessoa adoecer cinco vezes em um ano, bem menos três vezes em seis meses. Mas... Minha amiga psicóloga diz que é emocional, por que eu fiz todos os exames para descobrir calamidades e nada está errado comigo. Tudo no seu devido lugar.


Eu vou ser demitida oficialmente dia 15/07, e estou imensamente feliz. A futura desempregada mais feliz de todas. Morrendo de saudade de cozinhar, de assistir filme à tarde, de estudar, ou ler e chorar ouvindo música. Quero pelo menos dois meses de ócio, quero muito. Muuuuito... Ócio, ócio, ócio, ócio...

Depois desses dois meses merecidos eu vou fazer todos os meus cursos almejados, desejados e sonhados. Primeiro de fotografia, que apesar de saber o básico dessa arte graças às cadeiras pagas de fotojornalismo I e II na faculdade, (que despertou a Cartier Bresson adormecida em mim) ainda falta muito para chegar a ser uma profissional. O segundo curso vai ser de InDesign que é um software que permite criar, diagramar, visualizar e editar revistas, jornais, anúncios, embalagens, livros etc.


Estou esperando sair o resultado de um concurso de literatura infantil e juvenil que participei junto com meu namorado, que só melhorou ainda mais minha idéia inicial de um conto infantil pouco elaborado. Ele, com toda criatividade que lhe é peculiar, aumentou, encheu de novos elementos, e finalizou como em um grande espetáculo o que inicialmente não passava de um conto rápido e despretensioso. Agora eu acho que tenho chance, grandes chances de ganhar. O primeiro prêmio é de R$ 8.000,00, o segundo de R$ 5.000,00, e o terceiro de R$ 3.000,00, mas eu quero o primeiro. Quando eu ganhar (porque tem que pensar positivo) vou viajar com ele, a gente vai ficar junto e longe do barulho habitual das grandes cidades, vou dormir abraçada com ele e acordar antes um pouquinho para fazer um café da manhã bem gostoso, ou não, ele acorda e me beija, ou não acordamos até o sol se por e as frestas começarem a aparecer entre persianas acordando a gente para se amar mais um pouquinho. ..

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Tua Canção

Copas fracas e amareladas, eleições polarizas (e um tanto iguais...) e tristes enchentes varrendo meu Pernambuco... E eu só querendo ficar agasalhada em seus braços másculos, cantando em seu ouvido e revendo, ao lado dele, pela ducentésima primeira vez, um clássico moderno de um Cinema brilhante e de sonhos...

sábado, 12 de junho de 2010

Namorados...


Eu não sabia explicar nós dois, ele mais eu... Mas ele foi me levando pela mão, porque era ele, porque era eu, e, afinal, começaria tudo outra vez, se preciso fosse, meu amor!

Dizem que tô louca por querer você assim, por pedir tão pouco e me dar por feliz... Especialmente quando você me chora dores de outro amor, se abre e acaba comigo! Você, minha flor, meu bebê com cara de bobo e voz de mandão! Você, que dá dentro da gente e que não devia, que desacata a gente feito uma aguardente que não sacia ou feito estar doente de uma folia: nem todos os unguentos vão aliviar os suores a me encharcar nos tremores que vêm agitar e nos ardores que me vêm atiçar a lembrança da distância de teu toque nascendo, rompendo, rasgando, tomando, meu corpo - e então eu chorando, sorrindo, sofrendo, adorando, gritando feito louca, alucinada e criança, eu quero mais é me abrir e que essa vida entre assim como se fosse o sol desvirginando a madrugada...

Sou tua namorada: então me deixa seguir viagem nesta estrada de versos de poetas perdidos entre nossas palavras desditas... Porque eles já disseram tantas coisas perfeitas... Eu só preciso dizer que te amo: te ganhar ou perder sem engano...


Muito obrigada a Chico, Gonzaguinha, Cazuza e Vinícius: sem eles, nada mais poderia dizer hoje...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Quando Os Heróis Saem de Cena...



Volte, logo, Dilberto...


À beira


Concluí-me, nesta noite
À beira de meu início

O sol, o dia,
A porta que se abre
Ao me saber recomeçar
À beira do precipício...

Finalizo, solenemente, meus remorsos
À beira de meus próprios artifícios

Tenho as mãos abertas
E a mente fechada
(Do coração, nem falo mais nada)
À beira do meu sacrifício...

O escuro do tempo da chuva à tarde
À beira do derradeiro solstício...

– À beira de onde começa o vento
Termina o vício de me fazer eterno:
Encerra-se mais um poema vazio
Bem onde a poesia tem seu início...

(Dilberto L. Rosa, 2006)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Tu Es Ma Came


Carla Bruni
Composição: Carla Bruni

Você é meu vício
Meu produto tóxico, minha volúpia suprema
Meu encontro preferido e meu abismo
Você floresce até o mais doce da minha alma

Você é meu vício
És o meu tipo de delícia, de programa
Eu te aspiro, eu te expiro e desmaio
Eu te espero como se espera o maná

Você é meu vício
Gosto dos teus olhos, dos teus cabelos, do teu aroma
Venha então que eu te provo que te fumo
Você é o meu belo amor, o meu anagrama

Você é meu vício
Mais mortal que a heroína afegã
Mais perigoso que a cocaína colombiana
Você é a minha solução, o meu doce problema

Você é meu vício
A você todos os meus suspiros os meus poemas
Para você todas as minhas orações sob a lua
A você a minha desgraça e a minha fortuna

Você é meu vício
Quando vai embora é o inferno e as suas chamas
Toda minha vida toda minha pele te reclamam
Diria-se que você escorre nas minhas veias

Você é meu vício
Sinto-me renascida sob o seu feitiço
Eu te quero que até vendo a alma
Aos teus pés eu jogo as minhas armas
Você é meu vício.
Você é meu vício.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Tinha que ser assim...


Fui levando meu canto em silêncio,
Dentro do habito de um mesmo espetáculo
Até saber que era você,
Que iria trazer a nota certa,
E o ritmo do meu coração desafinado.
Os nossos passos guiados por canções de amor,
Que você canta na voz mais linda,
Todos os melhores versos
Que alguém um dia já escreveu.
Agora é mais bonito... Muito mais.
Tinha que ser assim, justinho você.
Hoje, eu só queria
Deitar no teu peito nessa
Ilusão doce enfeitada de palavras, com a
Luz entre persianas a nos voyerizar.
Bebendo tua saliva em beijos colossais
Encostada no teu corpo.
Rindo da tua timidez ao ouvir minha devoção...
Teria prazer em poder passar o dia ao teu favor
Observando teu sono, sem sentir o tempo passar.
Sabe... Hoje o dia não será apenas tempo.
Nem rua e calor, somente.
Hoje o dia será oração.
Hoje o dia será ... Seu e meu
Para sempre...

Bateu Amor à porta da Loucura ...

Bateu Amor à porta da Loucura.
"Deixa-me entrar - pediu - sou teu irmão.
Só tu me limparás da lama escura
que me conduziu minha paixão."

A Loucura desdenha recebê-lo,
sabendo quanto amor vive de engano,
mas estarrece de surpresa ao vê-lo,
de humano que era, assim tão inumano.

E exclama: "Entra correndo, o pouso é teu.
Mais que ninguém mereces habitar
minha casa infernal, feita de breu,

enquanto me retiro, sem destino,
pois não sei de mais triste desatino
que esse mal sem perdão, o mal de amar."

(Drummond - Livro A Paixão Medida)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Filippe



Do coração apenas caixa,
Lacrada para a dor que sente.
Um pequeno príncipe arteiro,
Brincando de viver.
Só quer um carneiro,
Para comer o espanto
Do seu mundo santo,
Cantado das poesias
Que carrega por dentro;
Toda inquietação,
Sem deixar de sorrir, sequer
Uma luz qualquer
Para o resto do mundo.
Exibe a face de um homem/menino,
Que brinca de ser feliz... Chorando.
Segue o caminho que fez,
Ansioso, para não desaprender
De ser assim: todo canção.

ps. Parabêns, meu bem. Um presente dessa amiga, média, que tu tens. rsrs

terça-feira, 20 de abril de 2010

Carências...



Falta do apreço do vento soprando
à sombra da calma dos ombros que apoiam
mãos que abraçam as cores dos olhos
e beijam na boca as falhas corridas
salvando as tristezas de más companhias
deixando dormir a paz de um sonho...


Munch, Melancolia

domingo, 11 de abril de 2010

Parabéns


De tantos que já fui e cheio com a saudade de quem eu sou, sigo torto, meio enviesado, como bem o sabes... Mas também sabes, mais do que ninguém, o quanto de nós morre em inúmeras tentativas novas de suicídio incauto, especialmente quando diante da paixão que tão bem traçaste no último 'post': todos nós somos assim, minha cara, sem exceção! E é besteira grande nos "matarmos", porque logo nos redobramos e voltamos à vida, renovados!

Rio quando exaltam palavras que não disseste, mas, se brinco entre bocas e me jogo por aqui sem nome, bom pensarem que foste tu que as traçaste: afinal, falas tão bem e tão bem sabes brincar com as palavras, que nunca será desmerecida qualquer exaltação para ti (pelo menos poderiam ser mais atentos ao que está impresso na tela, não é mesmo?!)!

Porque és este tesão de menina que só eu conheço por inteiro é que te lanço no ar hoje, solta, e invado teu espaço virtual para dizer que te renovas hoje em mais um ano de aprendizado (e tão bem tens aprendido entre lágrimas que me comoves, tal como cada linha que traças sobre sentimentos antes inimagináveis...) e te falo que amar é assim mesmo: senão não seria sofrer e o resto não teria a menor graça!

Feliz aniversário nesta história real de sonhos Lynchianos e Amelies decantadas no teu corpo bonito de mulher feita e nos teus olhos lindos de menina triste que quer saber mais - e, a cada dia, sabes mais, pode ter certeza... E me ensinas também...

Beijo grande.

(EU)
Curiosa, não é? Nem vem com esses olhinhos pidões, não: só aos poucos verás teus presentes e surpresas deste dia especial... Até Gullar veio com sua Poesia te homenagear...

Um instante


Aqui me tenho
como não me conheço
nem me quis

sem começo
nem fim

aqui me tenho
sem mim

nada lembro
nem sei

à luz presente
sou apenas um bicho
transparente


Definição da moça


Como defini-la
quando está vestida
se ela me desbunda
como se despida?

Como defini-la
quando está desnuda
se ela é viagem
como toda nuvem?

Como desnudá-la
quando está vestida
se está mais despida
do quando nua?

como possuí-la
quando está desnuda
se ela é toda chuva?
se ela é toda vulva?


Subversiva


A poesia
Quando chega
Não respeita nada.

Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
De qualquer de seus abismos

Desconhece o Estado e a Sociedade Civil
Infringe o Código de Águas
Relincha

Como puta
Nova
Em frente ao Palácio da Alvorada.

E só depois
Reconsidera: beija
Nos olhos os que ganham mal
Embala no colo
Os que têm sede de felicidade
E de justiça.

E promete incendiar o país.


Não-coisa


O que o poeta quer dizer
no discurso não cabe
e se o diz é pra saber
o que ainda não sabe.

Uma fruta uma flor
um odor que relume...
Como dizer o sabor,
seu clarão seu perfume?

Como enfim traduzir
na lógica do ouvido
o que na coisa é coisa
e que não tem sentido?

A linguagem dispõe
de conceitos, de nomes
mas o gosto da fruta
só o sabes se a comes

só o sabes no corpo
o sabor que assimilas
e que na boca é festa

de saliva e papilas
invadindo-te inteiro
tal do mar o marulho
e que a fala submerge
e reduz a um barulho,

um tumulto de vozes
de gozos, de espasmos,
vertiginoso e pleno
como são os orgasmos

No entanto, o poeta
desafia o impossível
e tenta no poema
dizer o indizível:

subverte a sintaxe
implode a fala, ousa
incutir na linguagem
densidade de coisa
sem permitir, porém,
que perca a transparência
já que a coisa ë fechada
à humana consciência.

O que o poeta faz
mais do que mencioná-la
é torná-la aparência
pura — e iluminá-la.

Toda coisa tem peso:
uma noite em seu centro.
O poema é uma coisa
que não tem nada dentro,

a não ser o ressoar
de uma imprecisa voz
que não quer se apagar
— essa voz somos nós.

Poemas do livro Muitas Vozes (Ed. José Olympio, 1999), de Ferreira Gullar.
Com amor... de um lindo veludo azul e do tamanho de um elefante, numa história real que só a gente p'ra entender ou acreditar...

sexta-feira, 26 de março de 2010


Dias válidos, cheios dessas coisas lindas, recíprocas e inesquecíveis. A experiência de viver um amor irregular, não pela força ou medida, mas pela velocidade que ele desprovia para ser mais inteiro.

Tão intenso que pintou os dias e as tardes. Quando não se esperou, desenhou as noites em tons de sonhos admiráveis. Apesar de construídos a força de um abalo sísmico, ostentava uma harmonia inabalável. E ela deixou, consentiu. Amou! Amou tanto que doeu... Até todas as lágrimas que tardaram a cair, precipitar-se sob prantos indiscretos, e em momentos idem.


O amor insistiu muito... Para saber demais.

Ela tanto que poupou seu coração, terminou por ouvir a voz: “...eu preciso saber da sua vida..." Queria entender, mas parecia que finalmente ia ser bom jogar os desejos secretos em mãos confiáveis, e junto, entregar todo o fino tecido de pele, nervos e paixão.

Mostrou-se ao avesso. O melhor e o pior: células, sangue, veias, coração e pensamentos de insegurança e ciúme. Suas fraquezas. Sempre tão reservadas, tão suas, agora violadas. Então, se não fosse para ser, porque foi? Ela não quer ocultar seus monstros, nem muito menos incitá-los, mas precisa cuidar da parte dela. E como se faz isso sem mostrar os dentes?



No mais, era tudo lindo... Paisagens, ilusões. Cada canção cantada na voz que mais parecia paz. De uma boca que mais parecia sol. Em dias que mais pareciam luz... E sem saber que existia assim, tudo isso desse jeito; viveu o tanto em tão pouco.

Era mesmo o que queria... Somente a música... Somente a poesia.

Nesse ponto o mundo passou a rodar diferente e o tempo contado em palavras, tirou o valor dos segundos. Mas nunca que o mundo iria parar, a não ser que os versos calassem. E junto todo seu alento, todo seu encanto...

quarta-feira, 24 de março de 2010

Apresentação.

Amigos blogueiros de plantão.
Hoje venho indicar um novo e categórico ambiente para esse mundo “blogosférico”: Alienatio Mentis, no qual inaugurei com muito orgulho a sessão Mente Convidada atendendo o pedido amistoso de sua idealizadora e amiga Milla Borges que acompanho há algum tempo como escritora em outro qualificado espaço: Fabricante de Sonhos. Agora peço a vocês que prestigiem acessando os links acima.

Beijos a todos!

terça-feira, 23 de março de 2010

A chuva... aaah, a chuva.


Está chovendo e só estou escrevendo pra dizer o quanto acho bonito um dia de chuva.
Agora daqui da janela vejo um céu pintado de uma cor fechada, indecisa, não é branca, nem é cinza, meio chumbo, não sei explicar, porém, lindo de morrer. Parece que desceu um pouco mais pra perto de nós. Daqui de cima, vejo um monte de sombrinhas abertas e me lembro de uma época em que eu preferia me molhar a utilizar tal acessório, achava feio, brega. Sempre tão estampadas, escandalosas. Hoje acho tão romântico. Pois é, eu acho sombrinhas abertas romântico. Toda vez que o tempo fica assim, como está hoje, tento pensar que não estou em 2009, que não sou do Recife, que a cidade é mais limpa, que as pessoas são mais felizes com suas sombrinhas floridas abertas, Gene Kelly cantando na chuva e o véu de seda da Cyd Charisse, com mais de sete metros de comprimento, esvoaçante, pairando por nossas cabeças. Ai que delícia.Agora deve ter gente com preguiça numa cama quentinha, com um amor do lado, um cheirinho de afeto, sem vontade de levantar. Eu estou aqui, no meu trabalho, cansada, com sono, meio com febre por causa de uma gripe infame, com saudade de tudo isso que ainda não vivi.
Levantei pensando: "o que eu invento pra faltar?", porém, desisti de tal pretensão, não havia motivos reais, nem minha cama quentinha era suficiente sozinha. Me resignei e estou aqui agora. Penso que eu merecia um peito gostoso pra deitar, um café bem cheiroso, bolo de pão de ló e pão de queijo, um escurinho, uns dedos entre meus cabelos, uma respiração íntima se misturando com a minha, um cansaço de uma noite de amor... Ai, ai.
“I'm singing in the rain,
just singing in the rain.
What a glorious feeling,
I'm happy again”…

segunda-feira, 22 de março de 2010

Por hoje...

Queria um abraço longo e apertado com cheiro de mar;
Um beijo de amor, ainda que não fosse na boca,
Um beijo na testa ou no canto do nariz... Mas de amor.

Queria uma saudade menos doida, menos abstrata;
De algo mais real que sonhos vencidos.
Queria uma mão pra não soltar da minha até criar grude de suor.

Um olhar de compreensão dizendo: ta tudo bem
Numa tarde cinza e fria, com minha cabeça amparada num abraço dedicado.

Queria ser menos cruel comigo e poder dizer a alguém os meus medos e as minhas derrotas... E tudo mais.
Alguém que me amasse, mesmo depois de ouvir o meu pior;

Queria um simples dia perfeito e o bom de estar junto.
Assistir o por do sol entre frestas de persianas sentindo os olhos pesados depois de um beijo apaixonado... Sem vontade de parar.

Queria fotos de momentos inesquecíveis e não sentir tanta vontade de chorar.

Queria um milagre;
E borracha pra apagar dores sem nome.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Alvorada...



- Não vives
Nem respiras
Sem mim:
Tu nem sequer gozas
Sem que eu diga que sim...!

- Por isso mesmo
Não me deixes,
Ne me quitte pás...
Agora que o Sol deu de brilhar
Vens me falar em despedida?...
(Logo tu, que tanto sabes do mar?...)

O mar reluz só, sereno, ao largo e ao léu
E eu, diante da imensidão risonha deste céu,
Sigo sem entender a lágrima de tua partida...

domingo, 14 de março de 2010

"Você não é um super-herói:
você é um ser-humano
com todas as falhas que lhe são inerentes..."

Can you read my mind? - Love Theme From Superman The Movie
(Trad.: Você pode ler minha mente? - Tema de amor do filme Superman)
John Williams/ Leslie Bricusse

Você pode ler minha mente?
Tem noção de tudo isso que você causa em mim?
Eu nem sei direito quem você é...
Só um amigo de uma estrela distante...

Aqui estou eu
Como uma criança de escola
De mãos dadas
Com Deus. Sou tão tola ...
Quando você me olha,
Como uma garotinha trêmula
Você pode ver através de mim
Você pode ler minha mente?
Você pode ver as coisas que eu estou pensando,
Imaginando por que você é
Tudo de maravilhoso que você é...?

Você pode voar!
Você pertence ao céu!
Você e eu poderíamos pertencer um ao outro...

Se você precisar de uma amiga
Sou eu quem você pode procurar voando...
Se você precisar
Ser amado
Aqui estou eu, leia minha mente...

quarta-feira, 3 de março de 2010


Seria como as verdades que atordoam
Se esse silêncio clínico
Não atravessasse
A fronteira das superstições
Se tornando em mentiras infundadas.

Seriam apenas verdades acabadas
Onde a escolha não teria critério
A não ser asilar a suposição
De uma possível mentira de paixão
Atrelada somente ao exagero...

segunda-feira, 1 de março de 2010

É tudo dele...


ELE me escreveu a canção do último 'post' e me pintou com suas tintas únicas... Só ELE sabe de mim assim e me pinta como ninguém o fez antes... ELE é de todas, eu nem ligo... ELE é meu melhor amigo... Meu Homem, meu Dono, meu Crime e Castigo!


À espera de tuas palavras a marcar meu corpo como um datilógrafo meticuloso em cada tecla de meus poros...


"Eu sou sua menina, viu? Ele é o meu rapaz... Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz..."

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Érica


Ela ri
Que chora
– Ela se dá
Que nem parece
Que é ela!
E diz que chora
Pra não parar de rir
Porque ela ri
Que ama
Com a boca
Ela finge dizer tudo:
Mas quando chora
Não finge
E ama
Sem parar de rir...
Ela diz tudo
Sem saber mentir
Porque ri com os olhos
Cansados de chorar
Sem contar pra ninguém
E chora
Porque além do riso e do gozo
Ela sabe amar também
E ri como ninguém
Sem contar para quem
É seu riso, seu gozo, seu choro
Seu amor
É todo dele
Pois ela ama
Que ri
Que goza com seu corpo todo
Sem gozar
Sem rir ou chorar
Com mais ninguém!

(Teu...)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010


Um detalhe apenas e tudo muda, e de repente você não é mais tão racional assim, nem consegue separar as coisas. Tudo se mistura, e na verdade, você nunca soube como delimitar espaços.

Passei a querer algo inusitado e que meche comigo, sensações que eu nem sei explicar em palavras, mas que são trazidas por elas: As palavras. Um estrago que elas fazem dentro de mim, uma verdadeira ressaca que tenho delas, me entorpecem e me excitam... Nossa, e como excitam essas danadas.

Eu ando sentindo tudo, saudade, paixão, ciúmes, desejo e criando expectativas em cima de ilusões. Não sei se é certo, se é normal. Não gosto de determinar sentimentos, nem acho que seja possível fazer isso. Não há como controlar o desconhecido, o que é tão grande e tão fugaz.

O que foi que te fez sentir diferente? Ninguém sabe a resposta, e mesmo que tente, faz bem menos sentido explicar, uma hora chega e pronto. Não há razões fundamentadas pra isso, nem é necessário que aja.

Você vai indo com a maré, ondas que te cobrem e te empurram pro fundo, e todas as vezes que você insurgir, outra virá para te afundar mais. Ainda que isso não precise ser tão ruim, tudo vai depender do que eu vou encontrar lá embaixo... Pode ser bem lindo, azul, tranqüilo e emocionante... Ou não.

Só não queria as dores, aquelas dos amores. Queria pular essa fase. Não quero me curvar, me desmanchar em lágrimas, perder as forças pra o mundo, pra os outros. Não quero focar tanto em alguém a ponto de me perder. Tenho medo, muito medo da paixão e de tudo que vem junto com ela, como parte de um pacote onde não se sabe o conteúdo. Surpresas que angustiam o coração.

Vou me dividindo no momento, alegrias, dúvidas, perturbações providas dos pensamentos inquietantes, esperanças e esperas. Até passar. Ou até eu ouvir aquela voz novamente... Ela sempre me responde várias coisas, mesmo que eu não perceba, sempre muda de um jeito ou de outro.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010



Um homem poeta
falando do amor.
Sabe de amar poeta?
Ou de produzir carência,
De criar desejos, e mais...
De ser desejado.
Seria tua palavra, o sopro desse meu gosto?
Uma saudade louca por abraços de bocas:
Enxugando a baba que escorre no queixo.
Enquanto os dedos se escondem por dentro,
Ao meio das pernas semi cerradas,
Abertas ao convencimento dos teus mistérios,
Eu sigo teus olhos e descubro um segredo...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Bonita.

Luiza passeia feliz, sabe sorrir como poucas. Sorri com os olhos e com o nariz, ninguém até hoje sorriu assim: os olhos cerram, mas não fecham, e a narina abre levemente. E se ela gargalhar, as narinas dançam...

É bonita de merecer observação, e bonitinha se a gente persistir na ressalva, e com muuuita insistência... Ela volta a ser bonita... Em qualquer olhar. Nunca existiu quem tivesse ousadia de achar menos que isso. Nem as mulheres, belas ou feias, achariam Luiza menos que bonita, porque ela é, exatamente, o equilíbrio da uniformidade na medida do traço.

Vai andando por ai e seu andar flui, levemente, sem trotar, Luiza é um “Manga Larga Marchador”, cavalga macio. Lamenta pouco, ou quase nada. Ama, e é louca. Sente ciúme e não diz, mas às vezes não agüenta e chora, e passa a odiar. Ela sabe usar os sentimentos, e mais... Sabe que sentimento é pra ser usado mesmo.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

FIM.

Viu sim, todos esses dias corridos.
Um passo a frente e assim, sucessivamente.
Era pra ser bom.

Ao menos era o que parecia ser... Bom.
Daí sem saber, como fosse sem querer.
De repente, ou simplesmente,
Fez-se o descompasso dos passos...

E trouxe o teorema dos meus dias frios
Em pequenas porções de algodão e... FIM!


ps. Ao contrario do normal, não tenho visitado os blogs, mas em breve volto.
Beijos a todos e obrigada pelo carinho de sempre.