quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Érica


Ela ri
Que chora
– Ela se dá
Que nem parece
Que é ela!
E diz que chora
Pra não parar de rir
Porque ela ri
Que ama
Com a boca
Ela finge dizer tudo:
Mas quando chora
Não finge
E ama
Sem parar de rir...
Ela diz tudo
Sem saber mentir
Porque ri com os olhos
Cansados de chorar
Sem contar pra ninguém
E chora
Porque além do riso e do gozo
Ela sabe amar também
E ri como ninguém
Sem contar para quem
É seu riso, seu gozo, seu choro
Seu amor
É todo dele
Pois ela ama
Que ri
Que goza com seu corpo todo
Sem gozar
Sem rir ou chorar
Com mais ninguém!

(Teu...)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010


Um detalhe apenas e tudo muda, e de repente você não é mais tão racional assim, nem consegue separar as coisas. Tudo se mistura, e na verdade, você nunca soube como delimitar espaços.

Passei a querer algo inusitado e que meche comigo, sensações que eu nem sei explicar em palavras, mas que são trazidas por elas: As palavras. Um estrago que elas fazem dentro de mim, uma verdadeira ressaca que tenho delas, me entorpecem e me excitam... Nossa, e como excitam essas danadas.

Eu ando sentindo tudo, saudade, paixão, ciúmes, desejo e criando expectativas em cima de ilusões. Não sei se é certo, se é normal. Não gosto de determinar sentimentos, nem acho que seja possível fazer isso. Não há como controlar o desconhecido, o que é tão grande e tão fugaz.

O que foi que te fez sentir diferente? Ninguém sabe a resposta, e mesmo que tente, faz bem menos sentido explicar, uma hora chega e pronto. Não há razões fundamentadas pra isso, nem é necessário que aja.

Você vai indo com a maré, ondas que te cobrem e te empurram pro fundo, e todas as vezes que você insurgir, outra virá para te afundar mais. Ainda que isso não precise ser tão ruim, tudo vai depender do que eu vou encontrar lá embaixo... Pode ser bem lindo, azul, tranqüilo e emocionante... Ou não.

Só não queria as dores, aquelas dos amores. Queria pular essa fase. Não quero me curvar, me desmanchar em lágrimas, perder as forças pra o mundo, pra os outros. Não quero focar tanto em alguém a ponto de me perder. Tenho medo, muito medo da paixão e de tudo que vem junto com ela, como parte de um pacote onde não se sabe o conteúdo. Surpresas que angustiam o coração.

Vou me dividindo no momento, alegrias, dúvidas, perturbações providas dos pensamentos inquietantes, esperanças e esperas. Até passar. Ou até eu ouvir aquela voz novamente... Ela sempre me responde várias coisas, mesmo que eu não perceba, sempre muda de um jeito ou de outro.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010



Um homem poeta
falando do amor.
Sabe de amar poeta?
Ou de produzir carência,
De criar desejos, e mais...
De ser desejado.
Seria tua palavra, o sopro desse meu gosto?
Uma saudade louca por abraços de bocas:
Enxugando a baba que escorre no queixo.
Enquanto os dedos se escondem por dentro,
Ao meio das pernas semi cerradas,
Abertas ao convencimento dos teus mistérios,
Eu sigo teus olhos e descubro um segredo...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Bonita.

Luiza passeia feliz, sabe sorrir como poucas. Sorri com os olhos e com o nariz, ninguém até hoje sorriu assim: os olhos cerram, mas não fecham, e a narina abre levemente. E se ela gargalhar, as narinas dançam...

É bonita de merecer observação, e bonitinha se a gente persistir na ressalva, e com muuuita insistência... Ela volta a ser bonita... Em qualquer olhar. Nunca existiu quem tivesse ousadia de achar menos que isso. Nem as mulheres, belas ou feias, achariam Luiza menos que bonita, porque ela é, exatamente, o equilíbrio da uniformidade na medida do traço.

Vai andando por ai e seu andar flui, levemente, sem trotar, Luiza é um “Manga Larga Marchador”, cavalga macio. Lamenta pouco, ou quase nada. Ama, e é louca. Sente ciúme e não diz, mas às vezes não agüenta e chora, e passa a odiar. Ela sabe usar os sentimentos, e mais... Sabe que sentimento é pra ser usado mesmo.