terça-feira, 23 de março de 2010

A chuva... aaah, a chuva.


Está chovendo e só estou escrevendo pra dizer o quanto acho bonito um dia de chuva.
Agora daqui da janela vejo um céu pintado de uma cor fechada, indecisa, não é branca, nem é cinza, meio chumbo, não sei explicar, porém, lindo de morrer. Parece que desceu um pouco mais pra perto de nós. Daqui de cima, vejo um monte de sombrinhas abertas e me lembro de uma época em que eu preferia me molhar a utilizar tal acessório, achava feio, brega. Sempre tão estampadas, escandalosas. Hoje acho tão romântico. Pois é, eu acho sombrinhas abertas romântico. Toda vez que o tempo fica assim, como está hoje, tento pensar que não estou em 2009, que não sou do Recife, que a cidade é mais limpa, que as pessoas são mais felizes com suas sombrinhas floridas abertas, Gene Kelly cantando na chuva e o véu de seda da Cyd Charisse, com mais de sete metros de comprimento, esvoaçante, pairando por nossas cabeças. Ai que delícia.Agora deve ter gente com preguiça numa cama quentinha, com um amor do lado, um cheirinho de afeto, sem vontade de levantar. Eu estou aqui, no meu trabalho, cansada, com sono, meio com febre por causa de uma gripe infame, com saudade de tudo isso que ainda não vivi.
Levantei pensando: "o que eu invento pra faltar?", porém, desisti de tal pretensão, não havia motivos reais, nem minha cama quentinha era suficiente sozinha. Me resignei e estou aqui agora. Penso que eu merecia um peito gostoso pra deitar, um café bem cheiroso, bolo de pão de ló e pão de queijo, um escurinho, uns dedos entre meus cabelos, uma respiração íntima se misturando com a minha, um cansaço de uma noite de amor... Ai, ai.
“I'm singing in the rain,
just singing in the rain.
What a glorious feeling,
I'm happy again”…

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