Bateu Amor à porta da Loucura.
"Deixa-me entrar - pediu - sou teu irmão.
Só tu me limparás da lama escura
que me conduziu minha paixão."
A Loucura desdenha recebê-lo,
sabendo quanto amor vive de engano,
mas estarrece de surpresa ao vê-lo,
de humano que era, assim tão inumano.
E exclama: "Entra correndo, o pouso é teu.
Mais que ninguém mereces habitar
minha casa infernal, feita de breu,
enquanto me retiro, sem destino,
pois não sei de mais triste desatino
que esse mal sem perdão, o mal de amar."
(Drummond - Livro A Paixão Medida)
2 comentários:
O mal de não viver tão bem assim sem amar.
Um jeito de fazer poesia e trazer poesia que é só seu. Bravo pelo show de postagem. Beijo
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