domingo, 21 de novembro de 2010

Ninguém aprende samba (nem amor) no colégio...



Vi Paul recortado aos pedaços pela TV, mas depois preferi Noel em minha varanda, a me lembrar que o samba não tem tradução: lancei mão de algumas almofadas pelo chão e me lancei a um vinho nesta melancólica noite sem luar, sem violão... Fiquei a pensar nele, meu adorável malandro inconteste de caseiros botequins, eterno pierrô apiaxonado por suas mil columbinas (espero muito ser uma delas!), e concordei plenamente com tudo o que me lembrava o genial de Vila Isabel e sambista-maior de nossa Música: "essa gente hoje em dia que tem mania da exibição não se lembra que o samba não tem tradução"... "Quem acha, vive se perdendo; por isso agora eu vou me defendendo da dor tão cruel desta saudade que por infelicidade meu pobre peito invade"... "E quem fala mal do amor não sabe a vida gozar; quem maldiz a própria dor tem amor, mas não sabe amar"...

Assim fiquei pensando nele até que o apito duma fábrica de tecidos daqui de perto, quase ferindo os meus ouvidos, me lembrou que já era tarde... Ou cedo... Só digo, amado Noel, que meu último desejo antes de tentar dormir será sempre a ilustre visita daquele poeta malandro e gago apaixonado das belas promessas de amor ao meu barracão...

sábado, 6 de novembro de 2010

O Amor

Segundo o poeta Haroldo, figura emblemática das ruas do Recife, como tantos outros poetas incompreendidos que vendem suas inspirações por qualquer cigarro barato ou um copo de cerveja, disse uma das coisas mais lindas que eu já vi sobre o amor:

O amor é: O que dizes, o que digo.
És comigo, sou contigo. Sem o plural.
Em um só dizer, em um só falar,
Em só um pensar... Em um só tempo igual.
Nada celebro sobre aquilo ou isto,
Nada insisto, nada julgo o modo de ser.
Nada modelo, o misto ou o uniformemente.
Sou presente, como o estimulo que se vê...

(Lembrei de você, amor)