sexta-feira, 29 de julho de 2011

Dueto Virtual de Um Romance Astral


– Interessante essa música... Como eles tinham humor por sobre letras inteligentes na MPB dos anos 70... E pelo visto é a mesma versão do João Bosco original...
– Dessa novela “O Astro”? Acho essa música tosca...
– Como tosca? É maravilhosa, bem-humorada...
– Ei, olha, eu me lembrei agora com esse teu assunto: fiz nosso mapa astral!
– Quê? Ah, por isso estavas me perguntando a hora em que eu tinha nascido... Eu, hein: tu sabes que não acredito nessas coisas...
– Nem eu... Vê: eu não fico consultando meu signo no jornal... Mas achei interessante e fiz! E olha: nós dois estamos com 93% de chance de sermos felizes juntos...
– “...Eu sou de virgem e só de imaginar me dá vertigem... Minha pedra é ametista, minha cor, o amarelo”...
– E olha: fui melhor do que tuas “outras”: sabias que deste só 54% com cada uma delas? É como se com elas tu sempre ficaste entre duas metades: comigo é quase tudo! Eu te completo, amor!
– Ai, que merda: comparações! Nada a ver...
– Que foi?
– Ah, nada a ver te comparares com elas... O que eu tenho contigo sempre foi diferente! Coisa mais infantil...
– Infantil?
– É... O lance do mapa astral até que é um infantil que sempre achei bonitinho em ti, meio bobinho, meio excitante... Mas daí a comparar quem vai vencer na guerra dos astros...
– Engraçado, né, doutor? Não é comparar quando tu ficas me mostrando que A sempre foi mais paciente contigo ou quando me esfregas na cara que B agüentou calada muito mais coisa que eu...
– É diferente...
– É, não! E quer saber: cansei! Fiz tudo com o maior carinho, vou correndo te contar...
– Tu me contaste por causa da lembrança da música...
– Que seja... Esquece, vá!
– Esqueço, não...
– Odeio esse teu mau humor, esse... Adulto repressor! É... Se eu sou infantil com meus mapas astrais, tu sabes bem ser adulto repressor!
– Gostei dessa... Rá, rá, rá...
– Não ri, não...!
– Rá, rá, rá... “Adulto repressor”...
– Ré...
– Na idade em que estou aparecem os tiques, as manias... Transparentes, transparentes...
– Meu velho gostoso!
– Minha ninfetinha safadinha...

E assim gozaram juntos de si mesmos e gozaram com seus egos à distância um amor a dois tão bem correspondido, porém por entre tantos atravessadores... Ainda trocaram umas provocações e ele cantou pra ela outras pérolas dos anos 70, aproveitando pra chafurdar com ela por intermédio do bom, velho e idolatrado pelos dois Chico Buarque:

– “Consta nos astros, nos signos, nos búzios, eu li num anúncio, eu vi no espelho, tá lá no evangelho, garantem os orixás: serás o meu amor, serás a minha paz”...

Até o derradeiro debochar de que ele nunca a havia amado, sempre a lembrar, seriamente, que já amara demais...

Então os nossos astros decidiram, vencidos pelo sono, desligar suas máquinas e seguir para as suas respectivas camas, não sem antes se amaram à sua maneira... Amor à distância, por entre o espaço-tempo cósmico da ‘internet’, é mesmo de lascar... E mais difícil de crer do que em qualquer mapa astral perfeitamente infantil...

(Ele)

8 comentários:

Érica disse...

Antes de mais nada, foi ELE quem escreveu, não eu, sobre coisas que NÓS dissemos - ou não... Adoro quando ELE escreve aqui!

Hugo de Oliveira disse...

ótima postagem.


te desejo um bom final de semana.

abraços

Salve Jorge disse...

Astral
Bem ou mal
É uma leitura do real
Sempre tão irreal
Pausterizada no jornal
Discursiva na análise cartográfica mais profissional
Colorida até o final
Se o dito casal
Bem ou mal
Para além do normal
Bebe flores astrais...

wallace p. disse...

hehehe... essa história de ELE e ELA... Gostei dos diálogos... Fiqei imaginando a cena... bj

*Natália* disse...

Eu tb acho essa música tosca... mas anos 70, fazia sucesso ! hehehehe

beijos

Katy disse...

As melhores músicas são as antigas. E quanto a comparar, bem, todo mundo faz isso... Gostei do "ninfetinha safada"...rsrrs. Beijos.

i ILÓGICO disse...

sen-sa-cio-nal!
vou postar o link!

Iliely Vieira disse...

Amei!