quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Dia do Frevo


Ó, linda:
Como ferves!
Lá danças
Que tuas pernas tremem
Cá finjo eu
Que dou alguns passos
Na minha solidão
De mil frevos-mulheres,
Perdido choro teu...
– Mas o que queres
De mim, afinal:
Sabes que danço mal;
Elas me levam...
Mas só tu freves,
Sambas, maxixas,
Frevas feito louca
(Ciúme maluco!)
Na frente do meu bloco
Brigando com quem atravessar
– E viva Pernambuco:
Eu mesmo
Que não sou de ferver
‘Inda vou contigo
À Olinda
Em tuas pernas bonitas
Me evaporar...

(ELE)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Porque o amor é contingente e é necessário
Sempre amei o colo de uma mulher
A me consolar
O cheiro, as roupas, o jeito de mãe sábia
Que sabe de minhas necessidades mais caras...

Assim te vejo agora
A falar palavras tão macias com tua voz precisa
E necessária
A me acariciar o homem já quase sem paixão
Ou fé:
Não permita, Deus, que eu morra
Sem a encontrar
Pra me dizer ainda de tudo o que eu preciso ouvir
Com sua voz necessária
Com sua contingência de mulher
(De preferência, depois que ela me contar suas estórias
E me puser para dormir...)

(ELE)