terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Final de ano e...


Final de ano chegando e mais um ano se vai. Agora eu faço o balanço e vejo quantas coisas eu deixei passar, e quantas tantas eu agarrei com todas as forças que pude. Realmente, o que fica deve ser o resultado do que, exatamente, pertence à gente. O resto, se você não consegue segurar, não é mais seu, é resto... Sem árvores de natal há alguns anos, mas sempre com umas luzes brancas piscando na varanda, apesar de não gostar desta época, não pretendo contrariar as tradições ou bancar a rebelde enfrentando a sociedade com um sentimento anticristão, ainda porque apesar de achar uma grande fraude todo esse sentimentalismo criado para comover os bolsos do consumismo, eu acredito no grande homem que Cristo foi, nos grandes ensinamentos e na passagem, nada despretensiosa, dele pela terra. Afinal o cara mais conhecido do mundo, quiça do universo, não poderia ser folclore. Bem, o que eu contrario é o exagero, a contradição, a banalização, o desperdício e o fato de que, passado uma noite e um dia (véspera do natal e natal), parece que todo mundo se esquece do “grande espírito natalino”. Hipocrisia. Saem da sua casa falando mal da sua comida, da sua roupa, do jeito que você fala, se não bebe ou se bebe demais... Enfim. Eu compartilho o amor, o respeito, a amizade, a admiração, a consideração. Defendo a comunhão da paz, da boa vontade, da compreensão, em todos os momentos e em toda e qualquer época, pagã ou não. Faço apologia ao bem, a seguir um caminho de honestidade e humildade, compartilho sonhos e desejos, torcendo sempre que se realizem.Não. Não sou boazinha, nem quero ser. Tenho sentimentos aflorados em mim, me descobri assim, toda paixão, emoção, coração. Eu não amo, me descabelo, me declaro, me revelo, me entrego, suspiro, choro. Eu não tenho ciúmes, tenho horror, pavor, arrepio só de imaginar, raiva, vontade de gritar. Eu não peço desculpas, eu imploro, fico de joelhos, choro, escrevo cartas, mando presentes, choro novamente. Sou hiperbólica, exagerada em tudo, na dor e no amor, e juro como tento ponderar, respirar, flexibilizar.E, por incrível que pareça, funciona bem. Explodo 25% do que sinto vontade, morro de ciúmes 30% do que suporto... Mas tem horas que não dá, é demais, é abuso. Hoje eu estou me sentindo absolutamente perdida, como se o meu ídolo tivesse me decepcionado, como se ele não fosse tão generoso assim. Ele é ídolo e todo ídolo tem necessidade dos holofotes, das pessoas lambendo seu chão. Mas isso não me entra bem, o valor dado a tantos fez o meu se igualar demais, deixar de ser especial. Minha sorte está mudando, e eu não sei se gosto disso.

sábado, 17 de dezembro de 2011

No Natal

Ana continua burra, coitada. Achando que o céu é perto. Passa a maior parte do tempo sonhando com projeções: em aparecer na televisão, ganhar na mega-sena ou descobrir que é herdeira de uma pequena fortuna que possa pagar suas nobres pretensões. Faz a louca de vez em quando, a ciumenta descompensada, e quando menos se espera, sai correndo nua pela casa imaginando estar em outro lugar onde possa dançar e cantar, e ser aplaudida. Abre os olhos e... Prefere continuar enxergando através de suas alucinações – afinal, qual o problema em querer muito, mesmo que seja só “querência”... Carência. É. Ela tem isso também. Mulher, né? Acontece. Adora cheiros, atualmente o cheiro da boca do seu grande amor quando ele acorda, sem saber, se quer, que tipo ele faz e o que o corpo dele exala nessas horas: româ, lichia, anis, rúcula com tomate seco. Não importa. Ama tanto e de tanto amar, não sabe mais onde ele começa, onde ela termina. Não sabe mais se deseja tê-lo, ou se tê-lo é desejo. Não sabe mais se sonha com ele ou se ele é sonho. Menos ainda se ouve a voz dele ou se é dele a voz que Elvis, opa, que Chico... Não, não. Tom. É, isso. Bem, não sabe mais. Pode ser Nelson também... A voz que alguém canta. Enfim. Se ele existe mesmo, o resto tá tudo certo. Ui. Que medo dessa menina doida, que fala tudo que sente do único jeito que pode: sentindo. Que culpa tem esta pobre coitada de querer ele só para ela? Quer ama-lo até a exaustão, vê-lo rir até chorar, beijá-lo até sufocar, alimentá-lo e cobri-lo do frio do ar-condicionado com aquele edredom de bolinhas, ou aquela manta vermelha que ganhou no último natal. Linda aquela manta. Sofre pelos desafortunados, os cachorros abandonados, os desempregados, por seu pobre e miserável coração apaixonado e pelo amor, preferindo ainda imaginá-lo do tamanho dos sonhos, acredita em um amor melhor do que tentaram mostrá-la até hoje. Esse natal ela pretende tomar o vinho da sua uva favorita: carmenere, deitada nas almofadas que se amontoam no chão da sua varanda, ouvindo Noel Rosa, Cartola e os Beatles. Ana é louca, burra e prefere carnaval, ao Natal.