sábado, 17 de dezembro de 2011

No Natal

Ana continua burra, coitada. Achando que o céu é perto. Passa a maior parte do tempo sonhando com projeções: em aparecer na televisão, ganhar na mega-sena ou descobrir que é herdeira de uma pequena fortuna que possa pagar suas nobres pretensões. Faz a louca de vez em quando, a ciumenta descompensada, e quando menos se espera, sai correndo nua pela casa imaginando estar em outro lugar onde possa dançar e cantar, e ser aplaudida. Abre os olhos e... Prefere continuar enxergando através de suas alucinações – afinal, qual o problema em querer muito, mesmo que seja só “querência”... Carência. É. Ela tem isso também. Mulher, né? Acontece. Adora cheiros, atualmente o cheiro da boca do seu grande amor quando ele acorda, sem saber, se quer, que tipo ele faz e o que o corpo dele exala nessas horas: româ, lichia, anis, rúcula com tomate seco. Não importa. Ama tanto e de tanto amar, não sabe mais onde ele começa, onde ela termina. Não sabe mais se deseja tê-lo, ou se tê-lo é desejo. Não sabe mais se sonha com ele ou se ele é sonho. Menos ainda se ouve a voz dele ou se é dele a voz que Elvis, opa, que Chico... Não, não. Tom. É, isso. Bem, não sabe mais. Pode ser Nelson também... A voz que alguém canta. Enfim. Se ele existe mesmo, o resto tá tudo certo. Ui. Que medo dessa menina doida, que fala tudo que sente do único jeito que pode: sentindo. Que culpa tem esta pobre coitada de querer ele só para ela? Quer ama-lo até a exaustão, vê-lo rir até chorar, beijá-lo até sufocar, alimentá-lo e cobri-lo do frio do ar-condicionado com aquele edredom de bolinhas, ou aquela manta vermelha que ganhou no último natal. Linda aquela manta. Sofre pelos desafortunados, os cachorros abandonados, os desempregados, por seu pobre e miserável coração apaixonado e pelo amor, preferindo ainda imaginá-lo do tamanho dos sonhos, acredita em um amor melhor do que tentaram mostrá-la até hoje. Esse natal ela pretende tomar o vinho da sua uva favorita: carmenere, deitada nas almofadas que se amontoam no chão da sua varanda, ouvindo Noel Rosa, Cartola e os Beatles. Ana é louca, burra e prefere carnaval, ao Natal.

4 comentários:

Rosemildo Sales Furtado disse...

Olá Érica! Passando para te cumprimentar e apreciar esta bela história/estória da Ana. É que quando chega o Natal, ela já se lembra do carnaval.

O Natal está chegando, mais um final de ano que aos poucos vai se aproximando, e cada vez mais forte está a minha esperança do dever cumprido neste 2011. Procurei fazer o possível para agradar, tanto com o que postei de terceiros, quanto com as ínfimas baboseiras que criei.

Hoje estou iniciando uma pausa para descansar um pouco a cuca e a carcaça, analisar os erros e os acertos, e dar uma arrumadinha no nosso humilde espaço, prometendo, se “DEUS” quiser, retornar em janeiro para dar continuidade às atividades.

Aproveito a oportunidade para apresentar as minhas desculpas àqueles que, de alguma forma, não agradei com as minhas postagens, e agradecer a todos indistintamente, amigos(as) e seguidores(as), pelo carinho, compreensão e, principalmente, pelo grande apoio que é de vital importância neste mundo virtual, esperando no próximo 2012, continuar sendo merecedor dessas ímpares e valiosas companhias. Muito obrigado de coração.

A todos, um “Maravilhoso NATAL” e um “Fantástico ANO NOVO”, não com fortuna, mas, com muitas felicidades.

“QUE 'DEUS' SEJA LOUVADO”

Arte & Emoções
Rosemildo Sales Furtado.

Katy disse...

Ah, então sou burra também...rsrsrs...
Beijo grande, Érica!

Daniel disse...

Achei maravilhosa a postagem. Certamente daria um filme de sucesso. Principalmente em razão da trilha sonora.

Muito bom.

Parabéns.

Daniel

Dilberto L. Rosa disse...

Ana e Tom: taí, gostei do casal - tem ritmo (se bem que, pela "manta vermelha", acho que gostas mesmo é do Super-Homem!)! Também adorei o texto, cheio de metáforas e de gingado em torno duma espécie de auto-apresentação de fim de ano. Só não entendi o desejo de "cheiro de boca quando acorda": gostas de bafo, é? Abração!