
Final de ano chegando e mais um ano se vai. Agora eu faço o balanço e vejo quantas coisas eu deixei passar, e quantas tantas eu agarrei com todas as forças que pude. Realmente, o que fica deve ser o resultado do que, exatamente, pertence à gente. O resto, se você não consegue segurar, não é mais seu, é resto... Sem árvores de natal há alguns anos, mas sempre com umas luzes brancas piscando na varanda, apesar de não gostar desta época, não pretendo contrariar as tradições ou bancar a rebelde enfrentando a sociedade com um sentimento anticristão, ainda porque apesar de achar uma grande fraude todo esse sentimentalismo criado para comover os bolsos do consumismo, eu acredito no grande homem que Cristo foi, nos grandes ensinamentos e na passagem, nada despretensiosa, dele pela terra. Afinal o cara mais conhecido do mundo, quiça do universo, não poderia ser folclore. Bem, o que eu contrario é o exagero, a contradição, a banalização, o desperdício e o fato de que, passado uma noite e um dia (véspera do natal e natal), parece que todo mundo se esquece do “grande espírito natalino”. Hipocrisia. Saem da sua casa falando mal da sua comida, da sua roupa, do jeito que você fala, se não bebe ou se bebe demais... Enfim. Eu compartilho o amor, o respeito, a amizade, a admiração, a consideração. Defendo a comunhão da paz, da boa vontade, da compreensão, em todos os momentos e em toda e qualquer época, pagã ou não. Faço apologia ao bem, a seguir um caminho de honestidade e humildade, compartilho sonhos e desejos, torcendo sempre que se realizem.Não. Não sou boazinha, nem quero ser. Tenho sentimentos aflorados em mim, me descobri assim, toda paixão, emoção, coração. Eu não amo, me descabelo, me declaro, me revelo, me entrego, suspiro, choro. Eu não tenho ciúmes, tenho horror, pavor, arrepio só de imaginar, raiva, vontade de gritar. Eu não peço desculpas, eu imploro, fico de joelhos, choro, escrevo cartas, mando presentes, choro novamente. Sou hiperbólica, exagerada em tudo, na dor e no amor, e juro como tento ponderar, respirar, flexibilizar.E, por incrível que pareça, funciona bem. Explodo 25% do que sinto vontade, morro de ciúmes 30% do que suporto... Mas tem horas que não dá, é demais, é abuso. Hoje eu estou me sentindo absolutamente perdida, como se o meu ídolo tivesse me decepcionado, como se ele não fosse tão generoso assim. Ele é ídolo e todo ídolo tem necessidade dos holofotes, das pessoas lambendo seu chão. Mas isso não me entra bem, o valor dado a tantos fez o meu se igualar demais, deixar de ser especial. Minha sorte está mudando, e eu não sei se gosto disso.